O mendigo descalço, com casa!

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O mundo, por estes dias, levou com um arrepio graúdo de boa vontade. Ficou perplexo a viajar na fotografia, feita por uma turista, em que um polícia nova-iorquino oferece umas botas a um mendigo sentado e descalço, no gélido da cidade que não dorme.

Jeffrey Hillman é o nome do mendigo; Lawrence DePrimo do polícia; e a turista fotógrafa dá-se pelo nome de Jennifer Foster. Relatados os intervenientes, tenho a dizer que, a humanidade deste gesto, me aquece tanto como uma lareira a crepitar fagulhas em raso do meu corpo, na suspensão da minha alma. DePrimo, o polícia de exemplo a ser seguido, avistou o mendigo com os pés a descoberto de capas protectoras e não se conseguiu obstar de o abordar. “Estava muito frio e conseguia ver as bolhas nos pés. Eu tinha dois pares de meias e continuava com os pés frios”, afirmou ele, com a autenticidade de quem é pessoa boa per si.

Diga-se, a abordagem do polícia foi interesseira, levava outras intenções para além de conversa ocasional. Ele pretendia saber o número que Hillman calçava, para de seguida lhe comprar umas botas. Logo que soube, assomou-se de uma sapataria próxima e desfez-se de 60 euros, tão-somente para conceber o que considerava certo. O que todos deveríamos considerar certo. Jennifer Foster, turista ávida de detalhes, tanto quanto todos os outros que viajam, percebeu um polícia a calçar um mendigo e disparou o flash da clemência mundial. De seguida, bastou Jennifer enviar a foto para a polícia de Nova Iorque que, sendo postada no Facebook, se alastrou mundo fora. Como um fogacho de uma simplicidade que há muito não nos lembrávamos, que há muito desejávamos.

Como em qualquer história emocionante, qual manifestante abraçada ao corpo de intervenção português, segue-se atrás do esmiuço de quem intervém. Pelas américas, Seth Diamond, comissário dos serviços de apoio aos sem-abrigo de Nova Iorque, referiu à estação televisiva NBC: “Ele tem uma casa permanente”. Acrescentando que, de facto, ele foi sem-abrigo, até ao ano de 2009, todavia desde 2011 que tem uma residência fixa no bairro do Bronx. Pagando a renda com a pensão vitalícia que aufere, a motivo de ter sido militar e combatente.

Em algum ponto, uma desilusão. Era mais romântico se ele não tivesse casa, pensam algumas cabeças.

No entanto, a história não lograria acabar aqui. Quem não aspiraria ouvir o mendigo? Pois, venham as suas declarações, após ser encontrado, novamente, descalço nas ruas de Nova Iorque. Antes de mais, alertar que ele referiu que não usava as botas, mantendo os pés à merce das facas de frio, por elas valerem muito dinheiro, ficando assim, ele próprio, em risco caso as usasse. Indo um pouco mais além, diz que agora pretendia receber um bolo, por já saber que a cara dele corre mundo sem permissão sua. Mas, no fulcro, as declarações dele são as seguintes: “Agradeço o que o agente fez, não me interpretem mal. Gostava que houvesse mais pessoas como ele no mundo”.

Gostava ele e gostava eu. Com casa ou sem casa, descobriu-se por uma fotografia a beleza humana que ainda existe. A mim emocionou-me. O que prestaria ser a naturalidade das coisas é uma avalanche mundial, pela escassez do certo.

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