Carta de amor

carta de amor, paixão, coração, mulher, namorada, amo-te

Escrevo-te sem rosto, sem rótulo, escrevo-te em narração deste amor. A.M.O.R. seria bastante consagrar letra a letra, o sentimento que move o espaço. Seria, pois, o descrever do afago com que te vivo dentro de mim. Porém, sabe a pouco, escorre-me a letras minúcias no íntimo.

A primeira vez que me diriji a ti, com estas terminações aglomeradas, numa carta velada e um fio dourado preso, foi única. Foi perpétua. Foi uma força bruta que me abalroou por dentro. Criou uma tremedeira tal, que as pernas bambolearam-se como uma simples estaca plantada no fulcro de uma intempérie. No rosto de uma enxurrada de vento. Ficamos borradinhos, a temer estarmos sozinhos nesta labuta de um coração a transbordar. Sim, porque eu comecei a amar-te nos olhos, depois apaixonei-me na cabeça, pensando em ti e na tua beleza hora após hora, logo ele saltou para o coração com as lágrimas em filmes românticos, com o arrepio nos casais que se cruzavam nas estradas da vida, até esse amor derramar. Virar a jarra e escorrer-me pelo corpo todo, inundar-me cada pedaço meu. Hoje amo-te até no gémeo das minhas pernas. Cada pedaço, cada contracção do músculo da perna, é mais uma prova do meu amor a ti. Desta doce loucura, que me bombeia um sangue mais vermelho que nunca. Mais fervoroso que qualquer lago escaldado.

A primeira vez que disse amo-te prolongou-se por uma eternidade desmedida, sem régua, que durou até á tua resposta. Naquele momento, pareceu-me patético que pessoas guerrilhassem, que outrora alguém tivesse discutido, ou que houvesse amores que acabam. Nada disso era concebível, para um coração como o meu. Pequenino, que não cabia no peito. Fazia força para me desmontar o tórax, para me sair peito afora e cair-te nas mãos. Deixou de fazer sentido ele viver dentro de mim, quando já era teu.

As primeiras vezes de tudo são as perpétuas, as seguintes são as que fazem a história. A primeira vez não é um livro, é o título. Contigo eu quero escrever o livro todo e trazer-te, dia a seguir a dia, em parágrafos que repetem a palavra amor, como se mais nenhuma existisse. Como se todas as outras fossem vírgulas. Amor é sempre o centro, e tu levaste-me ao centro. Mostraste-me como é de lá que se vê o sol a reluzir com força grande, o vento a soprar com meiguice única e o frio com ternura díspar. Mostraste-me como se ama. Foste professora do coração, sendo também tu aluna.

Hoje somos a turma de mais sucesso, a que captou a essência do amor. A que fez do amor carreira. Era capaz de me alimentar dos teus beijos, sem me acordar para serões de secretária. Comer do teu ventre a ânsia de futuro que me move. Replicar-te em filhos, procurar em cada procriação a perfeição, com que te traçaste nesta existência. Não sei se será possível, existem pináculos destinados a pessoas a unas. Tu és una, és a superação do meu sopro de afinação, de requinte. És, no fundo, o meu sonho. O movimento de mente do qual não quero acordar.

Sim, podia ter dito amo-te. Mas era pouco. Muito pouco para tudo o que moves em mim.

Encomende o meu livro pelo ricardoalopes.lopes@gmail.com

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s