Uma violação

Este texto, de minha autoria, foi publicado no passado mês de Outubro, no Jornal de Estarreja.

Uma violação

O problema das violações cada vez mais é realidade. Sempre foi, agora sabe-se, a informação difunde-se e a polícia está mais atenta. As violações vão desde as nossas carteiras, aos corpos frágeis. Revolta-me.

Hoje tenho uma crónica diferente das que tenho expedido para o, carinhoso, Jornal de Estarreja. Tenho sido extraordinariamente acolhido e tratado, por quem dá a cara por este projecto. Eu sei que esta passagem, em tudo, se desvirtua do âmbito da minha redacção, todavia aprouve-me elogiar, quem assim merece. Pazes feitas, com a minha consciência, açambarco um tema que me inflama as vísceras, com latejos de violência. Não suporto a existência de seres desumanos, incapazes de definir limites lógicos e de respeitar a natureza a que eles próprios pertencem. Não me cabe julgar quem quer que seja, até pelas lacunas que tenho, contudo existem pessoas – se assim puder chamar – que atribuem esse direito a todos, os que dentro dos seus defeitos constroem uma personalidade coadjuvante a uma sociedade que é de todos nós.

Nos últimos dias, pelo meu espacinho online, que é o mesmo que dizer blogue, escrevi sobre as mulheres violadas. Vi uma notícia de uma queixa de violação, curiosamente falsa, que me fez pensar em todas as mulheres que são vítimas dessas atrocidades, às mãos de tenazes malévolas de raças a serem extintas. Não são homens, não são pessoas, são seres que repúdio com as forças que tenho. Essas mulheres, muitas vezes, presas a um sentimento sôfrego, que desconhece o amor, sentem que eles irão melhorar; que eles tiveram um dia mau; que eles não são assim, que é do álcool; que no começo ele era carinhoso e por isso a culpa deve ser delas; que não o podem deixar porque ele é que põe dinheiro em casa e há os filhos; pensam numa série de disparates, sem poderem ser responsabilizadas por isso, elas são apenas o que as deixam ser. Esses homens não vão melhorar, não sem serem responsabilizados e punidos pelos seus actos. Chega de eufemismos bacocos e palavras macias, eles merecem sofrer o que fazem sofrer. Existem as linhas de apoio, as amigas mais corajosas, os vizinhos mais atentos, todos são desculpa para castigar esses bandidos. Se não pensamos duas vezes em apresentar queixa dos violadores de carteiras e bolsos, não podemos pensar nestes estripadores de vidas humanas. São mulheres, crianças, jovens, tudo a cair nas mãos desses doentes que se multiplicam. Quer-se, ainda mais, atenção!

Eu não vivo alheio do crescendo de violação sobre homens, que horrorizo de igual forma, no entanto ainda me confere mais absorção a ideia de um corpo mais pungente a sodomizar um mais frágil, e meigo. As mulheres, que desejo em igualdade, dispõem de músculos flexíveis e delicados, não brutos. São forças diferentes. Destreza para elas, contundência para nós. São simplesmente desiguais, sem superioridades. Por isso repugno tanto essa tecnocracia da altivez e violência, vejo como cobardia, afinal. As mulheres e os homens devem ser respeitados, concluir-se a existência com um absoluto respeito, pelo menos no que toca à parte física. Digo isto, pois na natureza da usurpação, dos jogos artimanhosos, já me parece difícil controlar. Se assim é, que pelo menos a violência entre seres iguais seja retratada. Seja cultivada cada vez mais uma cultura de benevolência e eliminação de faíscas corporais. Somos todos seres lindos, não nos convém destruir isso. O corpo da mulher é esbelto e gracioso, oferece curvas ofegantes de harmonia; o corpo do homem é mais absorto, concrecionado em curvas rectas, mas humano e com coração; o corpo da criança é vida, são ensejos de um mundo ainda por nascer, rugidos num sorriso que se quer cristalino. Assim, vamos deixar esta tirania da violência. Repugnam-me, enojam-me, pessoas capazes disso. O que peço é que enoje a todos, que ninguém seja capaz de ficar indiferente por não ser consigo… chega de covardes, vestidos de mauzões! Chega.

Peço-vos desculpa, hoje não escrevi uma crónica. Debitei um desabafo.

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