Beatificar os mortos, com extremismo – Greve geral de 14 de Novembro

Hoje as notícias recaem, em absoluto, sobre os polícias brutos, que bateram nos manifestantes indefesos. Ou, por outro lado, nos manifestantes parvos que mandaram pedras aos policias pacientes, que acabaram por se enervar. É assim que gotejam as notícias. Lobos maus e capuchinhos vermelhos.

É curioso um traço da humanidade: ai de quem não beatifique os falecidos. Em vida, era um boçal, um aldabrão, um mau-caracter. No entanto, depois de morto, quem o acusar disso mesmo, será um insensível, um empedernecido. Um cabrão! Os indivíduos depois de partirem , por norma, ficam melhorzinhos. É mais fácil ver o lado bom deles. Que, possivelmente, até existia em vida, mas dava muito trabalho estimular. “É um problema dele, que se arranje!”.

O que se passou ontem foi um bocado isso, felizmente sem mortos. Se a policia não tivesse reagido, as notícias hoje seriam dos incorrigiveis e maltratáveis que atiraram as pedras, que não mereciam pertencer aquela manifestação. No entanto, como as forças da autoridade tiveram essa essa atitude de reacção, passaram os demónios a ser anjos intocáveis. Pessoazinhas que não mereciam tamanha carga. Poupem a inteligência!

Acredito, claro, que muitos inocentes foram sodomizados por uma bulha que não era deles, todavia isso aprouve-se da sua falta de diligência. Ter medo não é vergonha. Bater em retirada não é cobardia. Neste caso, é estratégia.

No entanto, convém referir que os maus têm sempre algo de bom, e os bons têm sempre algo de mau. Ontem, houve manifestantes bons que levaram e polícias maus que usufruíram da confusão, para sacudir a obediência que cumprem das mulheres. Em casa, claro!

Só não brinquem comigo, houve ali algumas bem dadas. Se dizem que os gregos é que estão certos, é porque mereciam. Aquele espectáculo obsceno que se vê nas ruas, queima carros de desempregados, parte vidros de trabalhadores, aleija civis corriqueiros, dá imagem de vândalos. É isso que é estar certo? É isso que é lutar pelos nossos direitos? Poupem-me. Se estava contra a greve, fiquei contra uma quota-parte – felizmente reduzida – do nosso povo. Eu não estou bem, quero mais, mas não é com estragos e linchamentos que o potencio. Só o pioro.

A polícia avisou, uma, duas, três vezes. O que queriam? Se não reagissem, eles não seriam policías, seriam bonecos. Não dariam segurança pública! No entanto, as notícias escorrem lineares, como linhas perfeitas sem curvas – ou se está de um lado, ou de outro. Não é assim. Havia manifestantes bons e policias maus; havia manifestantes maus e polícias bons. Raramente o extremismo dá a mão à razão, por isso não estou de um lado nem de outro. Como disse, havia bons e maus. De um lado e de outro. Se condenam o extremismo de ontem, não o assumam na posição de hoje.

PS – Não se esqueçam, caso tenham curiosidade de saber mais detalhes sobre o livro que lançarei, lá para meados de Novembro, basta clicarem neste destacado: Livro (ReALidades) – Ricardo Alves Lopes (Ral)

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