Sofrer por amor

É exagerar, é ressoar tudo com uma força excedente pelas linhas do corpo, pelas separações da alma, do coração. É chorar e tentar sorrir, tudo sem origem. Sem lógica.

É um sentimento de unicidade, que se alastra a uma velocidade de torrentes de mar, por canais de rio. É uma reflexão obscura, de que somente a nós isto podia acontecer, que ninguém o experimentará com tanta força como nós experimentamos. Zero, nada disto é tão mau para os outros, como é para nós. Somos uns azarados inveterados, o cosmos está em reunião para eleger os piores correctivos e remetê-los de aguaça para nós. Atirá-los a arquear-nos as costas; a arrancar-nos a capacidade de ver um filme romântico sem chorar; de encarar um casal de namorados, sem deixarmos de entender que só nós é que somos infelizes; de olharmos uma mulher linda, que é asfixiada pela lembrança da pessoa que nos fez sofrer.

São penitências que cumprimos sem justiça! Somos os lesados e, ainda assim, buscamos a nossa falta. Desenvolvemos um ódio instalável, que tanto nos faz abominar, como a seguir amar tanto. Lembrar com uma saudade gigante, aqueles beijos, aqueles dias juntos e, de repente, aquelas palavras horríveis, aqueles actos coadjuvantes com alguém mau, que fazem remigrar ao ódio, às sensações feias. Num momento só pensamos que devemos sair, ir cometer loucuras, fazer tudo o que não fizemos no tempo de partilha, para depois vir um burburinho interior que nos prende ao sofá, que nos faz deslizar lágrimas sebastianistas e pensar em como ela era perfeita, nos momentos que tínhamos juntos. Não interessa se eram muitos ou poucos, se ilhas no meio do deserto, são só eles que nos fazem o caminho da cabeça. Que nos giram o vira-vento da vida. Com essa saudade, vem a certeza que ficamos perpetuados à infelicidade, que agora não nos acasalaremos com alguém que nos perceberá e aceitará em tantas coisas como ela, por muito que na hora de partir nos tenha magoada com palavras de iceberg. Sentimo-nos enlameados, não capacitamos o que podem ver em nós. Não entendemos como alguém nos poderá amar, com todos aqueles defeitos que nos foram aguçados. Sentimos que melhoraremos sempre no futuro, sem sequer perceber que já criávamos imensas coisas boas, que só o simples facto de abrir a porta e acenar em forma de coração é uma resplandecência, quando o candeeiro do amor está aceso dos dois lados.

E, de ímpeto, com um caminho feito, entendemos que o pecado não era só nosso, que o que era amargura tornou-se presença discreta, que estamos novamente felizes e a credenciar o amor. Que agora o caminho é para a frente.

Nesta viagem louca, o maior e único problema, é a sensação que somos ímpares, a vergonha que nos inunda por acharmos tudo ridículo e que ninguém passou por ela. Que somos uns falhados e nunca conseguiremos resolver isso. Que existirão sempre cartas que não escrevemos, beijos que não demos, palavras que não falamos, mas na verdade nada é assim. Vivemos o que tínhamos a viver, e hoje estamos felizes.

Eu estou feliz e apaixonado, incapaz de me apartar de sentir que o amor (da amizade à carne) é o melhor sentimento do mundo. É uma emoção sem dinheiro, que, contudo, é rica. Concebe-nos a experiência de viver, de farejar por todo o tipo de sensações – do píncaro ao fundo do poço. Usei o género feminino, sem diferenciar atitudes. No mundo não existem mulheres nem homens, existem pessoas. Todas sentem, todas amam, todas erram, todas sofrem. Por amor ou desgosto, sofrer é sempre sofrer.

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3 thoughts on “Sofrer por amor

  1. Pingback: Umas são mais do que outras… « blocodecotas

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