Vida gorda

Vivemos uma diáspora, sem nos apercebermos. Movemos grandes fatias de quem somos, para o que nos envolve solicita. A mudança é forçada e não atesta falta de personalidade, é somente consequência do que queremos ser. Do caminho que pretendemos fazer.

Isolados somos pó, caímos na fundura da noite e deixamos de ver estrelas. Só escuro; só espaço ermo e frio. Não se alcança felicidade assim – sozinhos. Felicidade é partilhada, de outra forma torna-se angústia. Eu já me angustiei por estar feliz, por querer sorrir e soltar palavras parvas, que atestassem esse estado de espírito, e dei por mim sozinho, sem poder enviar aquele fio-condutor de ardência e espasmo. Espasmo de alegria, de rosto colado atrás.

Por vezes sou uma pessoa que quero ser, que roça o escorreito dos meus sonhos, no entanto vem alguém que me envolve, que me abraça na vida social e eu desajusto-me, fico desarranjado, dessa perfeição que tanto me afeiçoa. Fico triste, mas ao mesmo tempo a minha consciência dá estalidos, faz-me sinais de alerta. Só eras perfeito porque estavas sozinho, porque não falavas, porque estavas a sonhar. – Dizia-me ela, amiga de todas as horas. E eu sorri. É óbvio que ela tem razão, quando nada nos envolve sentimos que podemos ser tudo o que queremos ser. Não há fortes, nem fracos, há sonhadores e os de menos fronteiras levam a coroa, o troféu. Depois, porém, vem toda a gente que também tem sonhos, que também idealiza a sua perfeição e tudo se complica. Existem ferros que não dobram, nem fundem, não é fácil lidar com eles. Ganham um uso muito específico, muito limitador. Eu cá prefiro o pvc mais maleável, deixo o ferro para a estrutura rígida da minha casa.

Mas como, oh se como. Já trinquei ferro, engoli pvc, petisquei alumínio, só porque quero ter uma vida gorda. Alimentar a minha esfera social e engordar de vivências. De quem sou. Gorda, é assim que quero a minha vida.

PS – Não se esqueçam, caso tenham curiosidade de saber mais detalhes sobre o livro que lançarei, lá para meados de Novembro, basta clicarem neste destacado: Livro – Ricardo Alves Lopes (Ral)

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