Aquele Porto

Aquele Porto invernoso, com rasgos de sol. Aquelas casas azulejadas e descaídas de um tempo que corrói. As ruas estreitas alambicadas a paralelo, os estendais mostrados em janelas, as descidas a pique para a Ribeira, as vozes com aquele sotaque bruto e acolhedor do Norte, tudo isto é o Porto. Aquele Porto.

Ontem, por motivos profissionais, tive que me deslocar ao Porto. Assentar arraias pela baixa e palmilhar caminho, por entre obras, para chegar ao destino. Ver pessoas com estilos diversos, desde os que mais me sodomizam a chacota, aos que mais invejo pela postura, vi pessoas giríssimas, outras corriqueiras e até feias, não deixei de ouvir um trolha a oferecer o colo a uma ‘princesa’, pude tomar um café e uma água num daqueles cafezinhos que mostra pataniscas e panados, espalhados pela montra, e que a dona fala alto e com palavrões, sem deixar de ter um toque genialmente simpático. Vivenciei uma experiência, dentro de paredes, em estilo reunião/formação e voltei a sair. Mais pausado, mais deliciado na observação. Fazia algum tempo que não podia passear pela Invicta durante o dia, as minhas visitas têm sido mais nocturnas. Naquela galante move nortenha, não menos aprazível. Mas ontem não, deixei-me levar com vagareza a ver os estudantes a alçar as capas, os outros com o caderno na mão e mais práticos, as pessoas com alguma idade que se passeiam com um alarme de horas que não voltarão a ter, as pequeninas mesas de esplanada a acolher conversas de amigos que se cruzaram na rua, que se combinaram de fugida, que já tinham marcado, ou simplesmente os sozinhos empilhados em revistas, jornais ou livros. São Bento sempre a funcionar, sempre a empolar pessoas pela cidade, em agitações constantes entre os caminhos para os Aliados, Ribeira e táxis para distâncias mais longas. O moderno metro não se aflige, para ele há sempre pessoas, correrias escada abaixo para não esperar 3 minutos pelo seguinte. Até o Abel Salazar estava a sorrir lá na sua pracinha, atrás da sua homenagem em forma de Universidade. E as obras continuavam, sempre seguidas, sempre a prometer uma “zona antiga como nova”.

Depois segui para um café sem luxo, mas com voluptuo. Sentei-me com o pc desligado, com o telemóvel em azáfama de e-mails e a escrever à mão. À minha volta muitos jovens, muitas pessoas de meia-idade e idosos, numa conformidade única, de cidade que fascina. Assim é aquele Porto.

PS – Não se esqueçam, caso tenham curiosidade de saber mais detalhes sobre o livro que lançarei, lá para meados de Novembro, basta clicarem neste destacado: Livro – Ricardo Alves Lopes (Ral)

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