As partidas… para o novo mundo!

Levam sonhos e esperanças mil, guardadas numa bagagem ligeiramente superior à das viagens de recreio. São ambições grandes que os movem. Uma fúria e força, fundidas a calor, que os levam a deixarem o seu berço. Heróis, sem dúvida, heróis!

São, na maioria, jovens que colocam a mochila às costas e levam a certeza que o melhor está para vir. Que pior seria abraçar estes tempos conglutinosos, que nos enleiam em austeridades que bloqueiam o país, o seu povo, e qualquer sorriso de um futuro melhor. Aquela exacerbante esperança que os caracteriza, que os faz acenar ao longe, do avião, ainda no aeroporto, para os que cá deixam, esconde uma tristeza dura. A tristeza de saber que isto não é uma aventura, que é, fatidicamente, a única saída.

Os meus pais, que vivem ali na casa dos 50 anos, sabem do que falo. A minha mãe nasceu pela Venezuela, veio cedo para cá, mas ainda tem dois irmãos por lá. O meu pai, ainda catraio, aventurou-se com os meus avós para o Brasil, na busca do tesouro que cá escapulia. Na minha família há este registo da busca dura por uma vida melhor, certamente não esperariam era ver o tempo voltar-se para trás e trazer igual fenómeno, tantos anos depois.

Já comecei a ver amigos partir, desfasados no tempo e com a certeza que por aqui não podiam continuar. Todos dizem o mesmo: se pudesse ficava. Pois, a verdade é essa, não podem. Não dá, é chover no molhado, bater no ceguinho. Mas dói como a porra, para quem vai e deixa outros; para quem fica e os vê partir. Felicito-me por vê-los no melhor, que nesta fase podiam ambicionar, por ver que as expectativas se construíram em bases que os respeitam. Ao contrario de cá, afinal.

Hoje partiu-me mais um, este é sangue do meu sangue, é família. Durante muitos anos andamos apartados pelas vísceras do dia-a-dia, no entanto há algum tempo, com o aumento da idade, começamos a partilhar mais experiências e percebi que o miúdo é de aço. Vai longe, não duvido. Fosse cá, ou no fresquinho chuvoso onde agora se vai meter. É, no fim de contas, mais um esboço da raça portuguesa. Destes jovens meio aturdidos, que não são mais que a personificação da crença e irreverência da nossa juventude.

Eu por cá me mantenho, movido pelos projectos que alimento, por muito que eles não me alimentem a mim. Estou preso a paixões, contudo receio que um dia as dores de estômago as superem e eu seja mais um a partir. Admito, não queria. No entanto, se sou filho desse sangue das viagens para um futuro melhor, vai-se lá saber se me mantenho!

Por agora, boa viagem e toda a sorte do mundo, primo! Que sejas tão bem-sucedido e feliz como mereces. Como sei que vais ser. Quanto aos que já lá estão, não desistam de melhorar, o vosso amigo Ral mantém-se orgulhoso de se ter feito homem no meio de pessoas grandes, como vocês!! Adoro-vos, com toda a lamechice que isto leva!

PS – Não se esqueçam, caso tenham curiosidade de saber mais detalhes sobre o livro que lançarei, lá para meados de Novembro, basta clicarem neste destacado: Livro – Ricardo Alves Lopes (Ral)

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2 thoughts on “As partidas… para o novo mundo!

  1. hmm não sei que te dizer, deixou-me com uma lágrima no canto do olho…”se pudesse ficava” descreve bem o sentimento que tenho sempre que aí vou por uns curtíssimos dias…!nunca e fácil, nunca mesmo!se há alternativas?!quero acreditar que sim!apesar de toda a experiência até agora ter sido boa, não desejo esta vida de novo emigrante a ninguém!partir e deixar família, amigos, rotinas, a língua, tudo para trás apenas por estabilidade financeira não é destino de felicidade! “ça peut change” dizem muitas pessoas com quem falo, e sim é verdade! fazem-se novos amigos, quem sabe alguns amores, e tudo pode mudar e começar-mo-nos a sentir em casa… mas ao mesmo tempo vejo pelos emigrantes de velha guarda (que voltam a esse cantinho à beira mar sempre que possível) o nosso país, a nossa raiz está aí!e, contra todo este novo panorama económico-político, este nosso portugal é sempre muito muito apetecido!

    • Nós alimentamos o hábito de falar mal do que é nosso, está na nossa natureza. Todavia, sempre que ficamos privados disso, tudo ganha outra vida, criamos uma necessidade grande de vir recuperar esse sítio, pois sentimos que não o aproveitamos no seu esplendor, na sua força absoluta. Somos assim! Quanto a ti, és um batalhador, um lutador, mais um dos amigos de que tanto me orgulha… por isso, serás sempre o que desejares ser! E eu estarei por aqui para te dar os parabéns 🙂

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