Passeio da vida

Hoje preciso de escrever, sei que o dia se mostrou em mim com esse a fim. Estou é um pouco perdido, no rumo que devo dar à proa. Sinto o vento a caminhar com força, na frente deste barco que se fareja na balbúrdia, de um mar que não dá tréguas. O temporal caiu e eu estou enlameado no meio dele, prevejo uma saída de rompante pela areia fora, assim cuspido pela ondulação de rebelião.

Tenho tido os dias invernosos, os temporais enormes, a percorrer os meus rumos de escrita. Parece que a força da previsão é tão grande como a dos braços musculados, sufoca com pepitas de melão ao meio da garganta. Quero ver sol a raiar, em textos que escrevo, porém a opulência deste andor carregado de nuvens é mais forte. Eu até gosto, vou-me é acostumando aos poucos. Os pés já não se salpicam de mar, encharcam-se de poças e isso enclausura-me.

Sinto lareiras a acender-se em momentos mortos, para me acalmar, mas ao mesmo tempo vem uma vontade grande de viajar. O emprego não deixa, quanto mais o Vítor Gaspar. Ontem discutia valores do dinheiro e o peso dele, não sou aprisionado na certeza dele para a felicidade, prefiro que o reconhecimento e ego se vistam de orquestra e me compassem brilharetes de vida. Talvez ontem tenha acorrentado a mim mais um projecto, que me vai dar muitas forças, pois não o vejo nada fácil de conceber, com qualidade que me mereça aplauso ou enseje reconhecimento. Mas é bom, é tão bom assim. Garantido tenho, somente, a certeza da necessidade de me esmerar. E gosto. Gosto muito. É uma lamparina que se afogueia numa rua escura, fechada por casas abraçadas e janelas que quase se tocam.

Eu hoje sou esse peão que atravessa a rua, de paralelo calcinado, aturdido pelos estendais que se beijam em cima de mim, à altura do primeiro andar. Não passa mais que um carro aqui e os passeios são tão estreitos, quanto os corpos de modelos. As casas reluzem uns azulejos parcos nas suas portadas e as vidraças são feias e velhas, mas com pequenos adornos de madeira que lhes dão vida. E eu por aqui continuo, a caminhar, caminhar, caminhar. No meu passeio da vida.

PS – Não se esqueçam, caso tenham curiosidade de saber mais detalhes sobre o livro que lançarei, lá para meados de Novembro, basta clicarem neste destacado: Livro – Ricardo Alves Lopes (Ral)

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2 thoughts on “Passeio da vida

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