Mulheres violadas

Hoje, logo pela manhã, lia de forma escorreita as notícias, quando me deparo com uma que anunciava uma rapariga que apresentou queixa, no Porto, por violação. Contas feitas, não passava de uma encenação teatral e, na verdade, era tudo mentira. Qual o intuito? O que a moveu neste fingimento, que consta-se já não é o primeiro? Não sei a resposta a nada disso.

Contudo, isto fez-me pensar em todas as mulheres que verdadeiramente sofrem violação, que são vítimas de maus-tratos, ou até que acabavam estateladas e despojadas de vida. É triste e revoltante; é angustiante e atroz. Sei que hoje também já se fala de violência doméstica contra os homens, mas é uma minoria, que deve ser vista também, porém uma minoria. Confesso que ainda me aperta mais as aortas imaginar uma mulher frágil a ser sodomizada a tenazes, em forma de braço, por homens de índole grutesca e feia. Feia não é por terem rostos deslizantes de desengraço, é por verem na dor, na violência e violação, um prazer sórdido e macabro. Dá-me angústias viscerais, esses macacos da idade da pedra. Como podem ter prazer físico, manterem-se hirtos, quando destroem o futuro de uma mulher, quando a fazem derramar lágrimas de sangue? Como ousam tocar em crianças, tão puras, tão belas, tão doces e inocentes? Como podem ser capazes de disparar armas de fogo, armas de despautérios, para cima de mulheres que os amam, ou, pelo menos, já amaram?

A mulher é doce, pela sua meiguice de contornos, pelo seu sopro de voz, pela sua delícia de postura. Elas não são más, são é diferentes, por isso é que nos deixamos seduzir, por isso é que nos deixamos levar em amores sem fim. Elas jogam com a nossa devoção e riem-se da nossa entrega, para depois barafustarem do nosso desprendimento e a seguir nos ameaçarem com as fragilidades do nosso ego. Elas percebem-nos melhor, do que alguma vez perceberemos a elas. Nós somos bichos simples, elas camaleões de cores mil. Com vozes finas, meigas até quando berram, desbaratam pelos nossos corações, apregoam pelas nossas entranhas carnais, e tudo com gestos tão simples, com toques tão sensuais. Nós somos grutescos e pouco capazes de exprimir desejo e sedução com o corpo, sem nos apegarmos a frivolidades. As mulheres são o nosso viridário, são as plantas perfeitas para avivarem o nosso céu na terra. São doces, meigas, frágeis e astutas; resmungonas, inseguras, matreiras e atrevidas. São mulheres, afinal. São tudo o que criticamos, para a seguir sorver em desejos escondidos, em amores de balão em fim de festa, em vespertinos apetites de partilha. Mulheres não são para violar, são para admirar. Mulheres não são para bater, são para acolher. Mulheres pequenas não são para sodomizar, são para fazer crescer.

Chega-me desses scaries da nossa praça, desses diabos em corpos de gente, que conseguem sentir prazer no desespero de uma mulher. A natureza humana é para ser respeitada e acariciada, é a natureza de todos nós. Contrariar essa ordem, da divina existência, já me atraiçoa os nervos, quanto mais usando a força em cima da fragilidade. O aproveitamento das pedras, no sítio dos músculo,s para esmagar as folhas de papel rosa. Eu não acho as mulheres mais fracas ou frágeis, ou de outra forma também as estaria a dilatar a uma superioridade masculina, o que eu acho é que a delicadeza dos seus corpos, a textura das suas peles, o brilho dos seus movimentos, não lhes permitem defender-se, de igual modo. Por isso, crimes contra mulheres, com ou sem cariz sexual, são a prova máxima da fragilidade desses homens. Amedrontam-se com os seus iguais e procuram aceitação interna junto das princesas, que nos deviam apenas alegrar a vida, com a forma como desfilam pelas suas.

Enojam-me, seus desprezos de homem.

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2 thoughts on “Mulheres violadas

    • Olá, Regina

      Infelizmente é de concordar, mas daria tudo para estar errado. Enerva-me e enoja-me, este tipo de atitudes. Há pessoas que não merecem o chão que pisam, quanto mais o ar que respiram!!

      Independentemente desta revolta, obrigado pela participação 🙂

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