Descansa em paz, amigo!

A morte tem o condão de nos despontar uma angústia, um sentimento de injustiça, mais ainda em casos como o que me move neste texto. Ela não deveria ter o direito de ceifar existências tão jovens, tão cheias de vida.

O Barnabé era um menino em corpo de adulto, acusem-no de ser falador de mais, de ser expressivo em forma excessiva, mas nunca o acusem de não se fazer notar, de não viver a sua vida no esplendor máximo. Conheci-o a falar com uma veemência magnetizante da sua ida ao Rio de Janeiro, percebia-se a realização do seu sonho, que naquela viagem tinha ido ao céu na terra. Sem temer exagerar, poderei dizer que vi para cima de cinquenta vezes aquele álbum, em que aparecia o Cristo Rei, o Barnabé em plena Copacabana, no Pão de Açúcar. Ficam as saudades.

Depois vinha ele e as suas conversas do Benfica, a forma como sabia que eu sou benfiquista, como gostava de contar em palavras e gestos o jogo que viu com o seu falecido pai, contra o Porto. Tenho tão presente o seu jeito a fazer o passe do Quaresma, o remate do Lucho. “Era uma pressão!”, como ele gostava  de dizer esta frase. A última frase que ouvi dele foi há coisa de uma semana e tal, talvez duas, em que ele me dizia que tinha cometido um erro grave, que tinha feito asneiras. Eu perguntava o quê e ele só me dizia que tinha comprado um cachecol do Porto, que estava exposto na óptica. Dizia que era um erro, sem nunca esconder o sorriso feliz de tentar agradar a todos. Era um menino, sem dúvida um menino, que valia pela sua inocência.

Maldade não morava naquele ciclista, de equipamento do Boavista. Era extasiante a forma como ele descrevia as novas aquisições para aquela bicicleta; para aquele equipamento. Ele não permitia que ninguém caísse em amorfos momentos, a forma empolgante como se mexia, como usava o brasileiro para açucarar as palavras, o jeito doce como passeava a sua mãe pelas noites, como a levou para a passagem de ano. Não eram certamente os melhores sítios para a senhora andar, mas com toda a certeza ele a levá-la era como prova de amor e entrega. “Esta é a minha namorada”, como ele dizia.

Barnabé, descansa em paz. Por aqui, o teu brasileiro, de botequim, não será esquecido. Será guardado com saudade, amigo.

PS – Não se esqueçam, caso tenham curiosidade de saber mais detalhes sobre o livro que lançarei, lá para meados de Novembro, basta clicarem neste destacado: Livro – Ricardo Alves Lopes (Ral)

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19 thoughts on “Descansa em paz, amigo!

    • Olá, Isabel.

      Não tinha no Barnabé, ou Vitor, Ou Vitinha, conforme qualquer um dos seus muitos conhecidos e amigos queira chamar, um amigo de sempre, no entanto ele conquistou um lugar para sempre. É normal ouvirmos que não existem duas pessoas iguais, mas ele expressava isso a cada segundo, em palavras, gestos e acima de tudo acções. Mais velho que eu, mas acredito que o posso chamar de menino de ouro. Que descanse em paz, tal como merece!

  1. Vitor,
    Um amigo como ja nao existe hoje em dia, conhecio em 1995 ano k entramos para a Yazaki eu para de dia ele para a noite desde entao ficamos amigos,pois era um rapaz humilde mas muito educado, brincalhão, andava sempre bem disposto, lembro me do dia em que chegou junto a mim e me disse que ia ao Brasil tal como muitos de nos seus amigos ouvimos dele vezes sem conta falar nesse assunto. a chegada de uns belos dias passados no país do carnaval que ele tanto desejara vinha deslumbrado com tudo o que vira seus olhos brilhavam pois via se k tinha realizado um sonho. Teria muito mais para partilhar mas este espaço seria pequeno assim vos digo se todos os homens na terra foseem como este homem menino que ele era tinhamos um mundo mais feliz.
    Acredito que era um rapaz feliz, pessoas como o vitor ficam sempre nos nossos corações.
    Descansa em paz Deus levou alguem muito especial para junto de si.

    • Olá Fátima,

      Obrigado pela partilha. Eu conhecia o Barnabé (era assim que o tratavamos) há menos tempo, muito menos tempo, mas foi fácil ele deixar marca. Dessem-lhe uma noite na companhia de alguém e essa pessoa ficaria com ele perpetuado. Não existem pessoas iguais ao Barnabé, isto posso garantir de boca cheia. Ele era talvez a pessoa mais espontânea que conhecia, mais feliz também. O sorriso, o jeito acelerado, a adrenalina, tudo o definia tão bem. Não há como não sentirmos a sua perda, valha-nos tê-lo conhecido. Era especial.

  2. Quando soube da noticia atraves de amigos no facebook nao tinha ideia de quem falavam,pois sempre o conheci por vitor,so vos posso dizer k ri muito na sua companhia….posso dizer k sim ele sempre foi um anjinho na terra….saudades vou ter muitas…mas sera sempre recordado com um sorriso na cara…..deixo aqui os meus sinceros sentimentos……..estando longe e-me dificil da-los pessoalmente…

  3. é verdade…a ultima imagem que fico do Vitinha é um rapaz sempre a rir…sempre com uma história a contar….sempre feliz…..enfim….a vida tem destas coisas…..k descanse em paz

      • qVvitinha um amigo como já não há estou de rasto sabendo que ele parteu a ultima vez que estive com ele foi no ano passado por esta altura não falhava o dia
        que não viesse ter á nossa linha com o seu café nessa altura estava apaixonado por uma colega da linha parece que o estou a ver a cantar e a gente a pedir-lhe que baixa-se a voz e sempre pronto ajudar muitas das vezes se esquecia da hora e lá ia ele a correr falamos muitas vezes no autocarro o ultimo dia foi quando me vim embora ele estava uetriste mas me dava força para ir aguentando até ficou com o meu n. de tel: e me mandou uma saudação no dia de Natal foi a ultima vez que falei com ele ai amigo que saudade que tenhas um eterno descanso agora estás com os anjos não tens que te preocupar com as estradas esboracadas vais na tua bicicleta nessas paragens verdejantes com os anjos como companhia descansa em Paz

  4. As primeiras imagens que me vieram à cabeça, quando recebi esta triste noticia, foram de um tabuleiro em madeira (estádio de futebol), com as caricas da seleção Portuguesa e Brasileira, em que a bola era um botão… Isto tudo, feito por ele quando eu tinha os meus 10, 11 anos. Ele vinha para ao pé da porta da casa da minha avó, desafiar-me a mim e ao meu irmão para um joguinho… E foi também, os maravilhosos penalties em que a baliza, era a garagem do Malicia, e que cada vez que ele marcava golo, ele dizia que tinha sido à moda de um jogador qualquer naquela época… Queria tanto te pedir desculpas, por ser tão massacrante contigo ultimamente em relação ao ciclismo Vitor… Tu contavas-me que fazias Ovar – S. Jacinto e eu acreditei num sonho em que podias participar numa volta a Portugal… Pedi-te sempre mais e mais, que treinasses muito porque acreditei meu amigo. Tu sabes bem que na minha estupides de inocência, eu acreditei de verdade.

  5. Infelizmente a sua passagem pela terra foi curta,mas a sua alegria e humildade foi um exemplo para todos que o conheciam descansa em paz AMIGO BARNABÉ….

  6. O Vitor foi meu colega e amigo na primária e sempre gostei da maneira de ele ser. Humilde, honesto e cheio de bondade. Seguimos rumos diferentes e poucas vezes voltamos a falar depois dessa altura mas fiquei sempre com ele presente, de alguma forma tocado pela sua inocência. Fiquei desolado com a notícia que acabei de receber… Um bem haja a todos os amigos do Vitor, a todos que realmente foram amigos dele e partilharam com ele momentos de alegria e companheirismo. Um abraço, Nuno.

  7. Nem sei o que pensar…. a vida é injusta….trabalhei com o Vitinha e guardo dele um bom colega, amigo do seu amigo. Mais precisamente guardo a sua inocência, a sua alegria quando falava do benfica, do carnaval, do brazil, do ciclismo… era como dizem uma criança num corpo de adulto…
    E acima de tudo FELIZ…. Descansa em paz!!!!

  8. Como a vida é complicada, ao ponto de pensar que os que estão ao nosso redor , aqueles que cumprimentamos, conversamos e rimos estão salvaguardados pelos caminhos das nossas vidas.
    Barnabé, aquele “cara” que falava sempre comigo com um sorriso no rosto e de uma certa humildade que não consigo demonstrar por meras palavras.
    Lembro perfeitamente o afecto que mostrava por todos , sua maneira de se expressar levando a vida de uma forma humilde, fazia com que todas as pessoas ao seu redor esboçassem um grande sorriso.
    Muitas vezes chegava perto de mim a sambar , puxando conversa, e me mostrando o amor gigantesco que tinha pelo meu País, Brasil.
    Tenho a certeza absoluta que essa alma iluminada está num lugar maravilhosa a olhar por todos nós, ele estará presente nos nossos corações.

    Daniel Issufoali

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