Manifesto de orgulho ao povo que sou

Tenho um orgulho imenso no meu povo, no povo a que pertenço. Somos feitos de uma raça que deveria enobrecer quem nos guia; que deveria orgulhar os que seriam o expoente das nossas virtudes. Todavia não é assim, a nossa raça é dissipada no leme da nossa proa, no baixar de calças da nossa liderança.

Poucos se divertem como nós, poucos contestam com a classe que contestamos. Cheguei tarde à manifestação dos Aliados, mas fui a tempo de ver o bom ambiente de respeito, que se fazia sentir nos cabisbaixos e melancolias de quem se vê privado da vida, não do ar que respira, mas da magnitude de uma vida digna. As pessoas manifestavam-se com cartazes divertidos, a expressar as angústias, multiplicavam-se em trocas de experiências e na tentativa de um uníssono que cale de vez estes tecnocratas que se tentam disfarçar de defensores dos nossos direitos. Ninguém quer ser devedor, mas também ninguém quer deixar de viver, à conta de uma despesa de outrem. É por isso que lutamos e gritamos, queremos ajudar, sim, mas não estamos dispostos a ser os únicos sacrificados. Pediram-nos, primeiro, uma mão e demos logo um braço, agora tentam engolir-nos o corpo todo. Como se não fossemos ninguém, como se só aquele grupo restrito de Moet Chandon tivesse direito ao sorriso e aos camarões, nesta época de tremoços e amendoins.

Mostram, vezes e vezes, a tentativa de invasão do Parlamento, os parcos petardos que rebentaram pela capital, como se isso fosse o resumo da manifestação que fez a voz portuguesa se ouvir no mundo, sem tradução, sem legendas em alemão. Só em Lisboa, se cada um enviasse um petardo seriam 500 mil a eclodir-se no chão, nos polícias. Mas não, foram uns 4 ou 5. No restante país não há relatos de violência, como ousam rotular uma manifestação com um caso isolado? Nós não somos isso. Somos civilizados, ultrapassamos a euforia e união do Euro 2004, com um grito de revolta. Um grito de veludo e pacífico, com demonstração de desagrado, contudo sem inóspitas cenas de pugilato, de calamidade. Somos honrados, charmosos e respeitosos. Só precisamos de quem nos deixe mostrar quem somos. Não nos coloquem no saco das cidades avassaladas por carros em chamas, por contentores como bombas atómicas ou confrontos dignos de alguns jogos de consola violentos, que tanto já se viram desde o inicio desta famigerada crise. Não somos esses povos, somos os produtores de vinho do Porto, os proprietários da chaves do mundo, das caravelas que abrem caminhos, da cozinha de luxo, dos rendilhados tradicionais, dos jornalistas e desportistas de topo. Os pequenos grandes portugueses. Nós somos esses, não os outros. Pena não ter sido um desses exemplares a chegar ao trono do país, aos píncaros do nosso destino.

Tenho um orgulho imenso em ser português. Assim que a manifestação se deu por concluída a cidade do Porto encheu-se de transeuntes a celebrar a música de forma gratuita, a expelir sorrisos com a certeza que, passo ante passo, voltaremos a ter a nossa vida de volta. Tiram-nos o dinheiro, até os sonhos, mas a nossa capacidade de adaptação, a força do nosso coração, nunca conseguirão tirar. Somos um povo feliz e sorridente, mesmo nas entranhas da tristeza. Deviam orgulhar-se disso, em vez de tentarem aproveitar-se. Se é isso que nos querem roubar, esse sorriso, eu próprio vos pago um low-cost para seguirem para o frio germânico. Para levarem a canja do RAP, à gorda alemã.

Este é o meu manifesto de orgulho ao meu povo, ao povo que sou.

PS – Não se esqueçam, caso tenham curiosidade de saber mais detalhes sobre o livro que lançarei, lá para meados de Novembro, basta clicarem neste destacado: Livro – Ricardo Alves Lopes (Ral)

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2 thoughts on “Manifesto de orgulho ao povo que sou

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