Quero luxos

Nesta altura, por estes dias de contestação social, de união poucas vezes vista, apraz-me reflectir. Viajar por, um pouco à imagem da conferência em Lisboa, onde estarei daqui a 30 anos. Afinal, por onde estarei daqui a um ou dois anos, o sufoco é tal que a amplitude de pensamento não é capaz de se estender tanto.

Penso no que era há uns anos e vejo, embebecido, a minha evolução. Não sou mais aquele menino sem rumo, que vagueava por corredores de escola sem grandes planos. Tenho feito alguns coisas que me orgulho, outras que certamente poderei melhorar doravante. Tenho subido a pináculos a que não estava habituado, ainda que o reconhecimento financeiro tarde. Não é tudo, para mim, esse dinheiro, vivo muito mais da sensação de realização de uns projectos que me enobrecem o ego e me sapateiam as palmadas nas costas, conforme atestam as minhas diversas participações em projectos alheios por experiência, que me enriquece em outros âmbitos, que não a carteira. Lá, à minha maneira, sou feliz com estas coisinhas, regozijo com a sensação de ser útil, com o interesse que têm em procurar-me.

Todavia, ninguém é tão belo; ninguém é tão feio. Gosto de um bom jantar fora, gosto de pequenos luxos como tomar um café, beber um copo, sair com uns amigos, ir com a namorada ao cinema, alojar em casa pequenas coisas que me apelem ao conforto, vestir o que me apetece.

Sei o que pensam, é natural o que pensam, que eu não sou mais que um materialista oco, sem sensibilidade ao momento que vivemos. Mas não, não me peçam para compreender uma dívida que não é minha, umas estradas que eu nunca usei, uns grandes carros que só ministros usam. Eu ambiciono pequenos luxos porque me trazem felicidade, o sentido da remuneração do nosso trabalho é esse. Pagar o essencial e permitir os luxos que despontam a felicidade. Eu não sou oco, não permito é que um bando de engravatados me faça sentir que o simples facto de receber o suficiente para pagar despesas, à justa, e ter ar para respirar faz de mim um feliz contemplado. Não faz. Eu tenho paixão no que faço, vivo muito de reconhecimento, mas não me digam que é uma benesse ter dinheiro para pagar as contas. É uma ova. Benesse é fazer-se o que se gosta e receber-se como lordes, como aliás vocês recebem. Se eu que sou licenciado e me pedem para ganhar um ordenado mínimo, quase, porque raio vocês continuam a auferir grandes salários? Para os luxos, claro. Pois então é isso mesmo que eu quero. Luxos.

PS – Não se esqueçam, caso tenham curiosidade de saber mais detalhes sobre o livro que lançarei, lá para meados de Novembro, basta clicarem neste destacado: Livro – Ricardo Alves Lopes (Ral)

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