11 anos de 11 de Setembro

Fez ontem 11 anos que um dia 11 mudou o mundo. Que as grandes cidades, que os países poderosos, se tornaram amedrontados por uma malévola ameaça.

Lembro-me tão bem desse dia, de estar em casa da minha avó a recriar-me em lançamentos e afundanços na tabela de basket, que ainda hoje existe. Recordo-me do pânico da minha avó a chamar-me como se uma qualquer panela de sopa tivesse derramado no chão da cozinha, como se a loiça lhe tivesse escapado por entre os dedos. O pânico foi genuíno e puro, como se tudo se estivesse a passar ali, dentro daquela pequenina cozinha, onde tudo acontecia nas minhas férias de verão.

– Ricardo, olha, olha, um avião foi contra uma torre, em Nova Iorque. Meu deus do céu, que loucura!

Não demorou muito até ser eu a retorquir os avisos.

– Avó, avó, foi outro contra as torres.

Não podíamos crer. Já o meu avô se tinha juntado a nós e lá apareceu o Pentágono em chamas, a notícia do que se tinha despenhado outro na Pensilvânia e a certeza que nada disto ficaria por aqui. Iriam matar o Bush? Quantos mais aviões iriam cair? Não se confirmou nenhuma destas, mas a verdade é que o mundo não mais foi o mesmo.

Com os meus tenros 13 anos, dividido entre escola, basket e amigos na praia, não me sobrava tempo para estudar consequências políticas ou socias, todavia já tinha alguma noção de que o que eu estava a assistir seria matéria das aulas de história, como as batalhas do Napoleão foram para mim. Isso, para um miúdo, era arrepiante. Contudo, o que absorvia todo o meu pensamento, límpido de criança, era a imagem do que seria a adrenalina, a força do sangue a bombear-se a si próprio, para quem estava acima da zona de embate. Como seria que lidavam com aquilo? O que lhes passaria pela cabeça? Os que saltavam tinham ainda possibilidade pensar em algo, enquanto caiam? Os que estavam abaixo dessa zona conseguiriam salvar-se? Qual seria a sensação de andar por aquelas ruas? No que pensariam aquelas pessoas quando acordaram, no que era mais um dia normal?

Passaram-se onze anos e fiz-me homenzinho, mas a verdade é que mantenho as mesmas perguntas.

O meu sentido pesar a todos os que lá ficaram imortalizados e a todos os que perpetuam as suas memórias.

PS – Não se esqueçam, caso tenham curiosidade de saber mais detalhes sobre o livro que lançarei, lá para meados de Novembro, basta clicarem neste sublinhado: Livro – Ricardo Alves Lopes (Ral)

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