Velhinho, na juventude

Os velhinhos sentados nos degraus das casas, nas esplanadas, nos jardins das vilas, aldeias e cidades. As cartas a alongarem a existência dos homens, as conversas corriqueiras a acalorarem os ónus de vida das senhoras.  É assim a velhice, estereotipada.

Eu tenho medo dela, desse estereótipo que concebemos. Quando uns vêm a velhice como o merecido descanso, eu vejo uma letargia assustadora. Posso estar errado, claro, mas isso não me tira o receio. Gosto de vivacidade, de espontaneidade, de não parar quieto e por isso tenho receio que o meu corpo me limite, que me arraste numa quietude que me ampara o corpo, mas que me atraiçoa o pensamento.

É um pouco estapafúrdio estar com estes pensamentos tão relativos, numa fase tão jovem da minha vida, porém o pensamento é tal-qual um carro sem travões: impossível de controlar. Li e vi umas coisas que retractavam a terceira idade e fiquei com estes pensamentos a dominarem-me.

Poderia ter terminado o meu texto no anterior parágrafo, todavia não seria justo para todos os senhores e senhoras, de idade avançada, que com uma bravura herculana desfazem os meus mitos, em dois ou três tempos. São uns heróis esquecidos, muitas vezes até pelas famílias. Não merecem, de todo. Na verdade, eu não tenho tanto receio assim da velhice. Temo as doenças de um corpo cansado, obviamente, no entanto sinto que grande parte da felicidade dela depende de nós. Da forma como encaramos essa idade. Contudo, na maioria das vezes, não a encaramos da forma mais correcta, com medos como descrevi nos primeiros parágrafos, acabamos a cometer o erro de esquecer os que já tanto deram a este mundo em que agora vivemos.

Assim, tudo o que queria dizer era: o que verdadeiramente temo, na velhice, é a solidão. Mas essa não é culpa de quem já viveu uma vida inteira, é de quem a está a começar e não vê o valor dos que lha proporcionaram.

Uma saudação às mentes jovens, em corpos calcados por uma idade que avança.

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2 thoughts on “Velhinho, na juventude

  1. Hoje um Senhor “velhinho” partiu para um mundo por nós desconhecido…José Hermano Saraiva, um exemplo em que o físico se cansou, mas a memória e a capacidade de encantar com as suas histórias emocionava qualquer um…

    • Perfeitamente de acordo contigo! Fiz, insclusive, um post de encontro ao que disseste.
      Já vi algumas publicações a menosprezarem a sua partida, pelas relações que teve com o Estado Novo, mas não posso concordar com elas. Ele faz parte da história de Portugal e contou-nos grande parte da história de Portugal. Alguém que merece ser lembrado, sem dúvida.

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