Grão a grão… já não chega

Sou novinho, mas não tão novinho. Ainda me lembro. Aliás, os meus avós ainda me recordam. Ditados populares, o fado da língua portuguesa. Ainda não foram e já tenho saudades deles.

Eles falecem, dia após dia, estrangeirismo após estrangeirismo. Adorna-se a língua de camões com os awesomes e os what this fuck, que acredito que para alguns até sejam indecifráveis, todavia modernos. Queremos exaltar a nossa cidadania mundial, e bem, contudo fazemo-lo, por vezes, da pior forma. Para alguns que ao lerem isto já estão a pensar “LOL”, eu só vos digo: muito riso, pouco siso.

Confesso, não me compraz o novo acordo ortográfico. Em parte, por reminiscências que sei que não largarei, noutra fracção porque se agita algo tão soberano como o nosso património. A língua é, quiçá, a maior fortuna que construímos, que as colónias já lá vão. E agora “vendemos” por interesses comerciais. Qual vinho do porto para os ingleses. Não está em causa o que move a alteração, está, para mim, a incapacidade de perceber que uma vez mais sairemos a perder. Não seremos fortes no mercado brasileiro por cortarmos c’s das palavras, não conseguiremos exportar mais por, quem sabe, usarmos o gerúndio até à exaustão. Livros? Agrada-me que haja mais na nossa língua, conquanto houver tradutores ao nível dos que temos. Gosto de ler, de sentir o autor, com traduções padronizadas, duvido que o consiga. O deleite de ler está na viagem que fazemos nas letras, nos sublimes jogos de palavras de cada autor. Isso, consegue transmitir-se pela delicadeza de quem traduz, de quem traz até nós o que estudou de um autor. Não estou com isto a duvidar da capacidade dos tradutores brasileiros, estou é a dizer que quanto menos livros traduzimos, mais minúcia podemos oferecer a cada um. Nas traduções como em qualquer outro trabalho, creio.

Contudo, muito se fala do acordo e nada se fala dos provérbios. Tenho pena, claro. Quem me conhece sabe que eu gosto de um bom ditado. Alguns dirão que sou agarrado a chavões, eu gosto de pensar que é sabedoria popular. Soa-me bem sabedoria, aliada a mim. Custa-me ver perder-se rastos de uma cultura, não tão longínqua, que tanto nos enobrece. Existe um movimento modernista, que eu sigo, não encontro é a necessidade de apagar o passado, ou esquecer, para segui-lo.

Como quem muito fala, pouco diz… por aqui me fico!

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