Consumismo à mesa

Não sou, de todo, a melhor pessoa para explanar este assunto. Sou consumista, confesso. Não o deveria ser, até pela quantidade de vezes que reclamo da escassez do dinheiro, todavia, em pequenas coisas vou gastando fortunas. Não me arrependo, fico é pesaroso.

Este fim-de-semana, um tanto ou quanto, prolongado não me faltaram coisas a festejar, amizades a rever, jogos à hora de jantar, etc. Não conseguindo dizer que não a nada, fico feliz e mais leve. A leveza aqui é indissociável do peso da carteira. Raios para o dinheiro.

Não resisti a este pequeno desabafo, só me contrafaz que cada vez mais os programas de amigos sejam impossíveis de separar de gastos. Desde logo, pela fortuna de ter amigos em diversos sítios. Um prazer caro, mas impossível de me privar. Felizmente, tenho alguém que amo e consegue gerir-me. Gerir não por imposição, por um amor e carinho que tanto me orgulha, que tanto me derrete e me apaixona mais. Alguém que admiro pela capacidade de fazer uma medição, meritória, de que eu sou totalmente incapaz. A força da pessoa que somos não se deve somente a que quem somos, deve-se muito a quem nos circunda, a quem nos influencia. Nesse sentido sou mais que feliz, sou felizardo. Tenho amigos incríveis, uma namorada que não consigo sequer descrever de tão magnífica que é, uma mãe e pai galinhas, tenho tudo o que posso ambicionar ter. Claro que faltava mais dinheiro, mas neste momento fica difícil senti-lo como o mais importante.

Não escrevi este texto a vitimar-me, até porque sei bem que vocês não poderão fazer mais do que encolher os ombros, como quem diz: como eu te percebo. Isto não é um mal meu, é uma evolução da sociedade. Quer ao nível dos preços, quer ao nível das nossas próprias ânsias. Desenvolvemos sôfregas necessidades de divertimento social, tornam-se escassos os serões à mesa e na conversa. Somos peões num xadrez de consumismo, não raras vezes, sendo comidos pelos grandes reis do tabuleiro. Eles inventam necessidades, nós deixamo-nos possuir, nas entranhas, por elas.

No fundo, no fundo, não foi muito que gastei, fez-me foi pensar no muito que tenho por ganhar!

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