Pontos de Viragem, Pontos de Amor

Na excentricidade da busca de uma vida cheia, não raras vezes nos adornamos em floreados pouco concisos. Caímos em sinuosos zénites, sem rumo.

Apreciamos apelidar de curtição os caminhos vagos que percorremos, alicerçados numa dormência de paixão. Curtimos, claro que curtimos, porém não amamos. E o que é amar? É sofrer mais, claro, mas também é fazer uma viagem. É caminhar por uma vereda mais extensa, inclusive, que a nossa vida. Fazemos uma ampliação de nós em alguém, não num filho, mas numa pessoa que abraçamos. Abraçamos para o bem, para o mal, para nos completar. Ninguém é feliz só.

Sofrer, como eu disse, é parte integrante. É, aliás, o maior instigador de felicidade. Sem o experienciarmos, não nos abeiramos do éden do prazer. Numa visão mais sádica, quem procura a dor não é nela que tira o prazer, é no alívio que dela advém. Percebem até que ponto pode ser curvo esse caminho, em busca da realização? Aqui extremei, todavia na vida extremamos mais. Todos temos algo de sádico, da mesma forma que todos temos algo de muito belo. Não existe nenhum homem, por mais malévolo que aparente ser, que não guarde algo de sublime em si. Todos temos o nosso ponto bélico, o que nos faz conquistar o doce coração de alguém.

Felicidade? Encontra-se em ocasiões nossas, que instantaneamente tornam-se de outros. Assim que conquistam algo, a primeira pessoa a quem vos apetecer contar, ligar, não duvidem que é o fruto do vosso amor. Aí começa a aparecer o trilho a ser calcorreado. Delicado, sinuoso, cheio de altos e baixos, assim é o amor.

Amar é ser feliz, até na tristeza. É sentir em momentos difíceis que vale sempre a pena, que este não é o fim, é um recomeço.  Isto é amar, a visão bela de uma felicidade constante é o ornamento dos pouco felizes. É a ambição desmedida, pelo inalcançável. Devemos idealizar e ambicionar além, não perdendo o ónus do real. Esperar o que não se pode ter é escrever a doer. É tirar prazer ao que nos devia rejuvenescer.

Hoje, para mim, é um dia especial, que divido com alguém. Bem sei que não me é possível avistar o amanhã com a certeza do ontem, contudo nada nem ninguém me rouba o desejo de construir o depois, com base no agora. Termos uma verdade absoluta que poderá dissipar-se, não atesta incompetência, contempla pureza. Vivemos aquele instante unificados por uma graça que nos tira discernimento. Por alguma razão, vive-se com a cabeça e ama-se com o coração.

Vivo um dia feliz, que prefiro relatar através da certeza que nada será perfeito, mas que tudo valerá a pena.

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