Critiquem-me, por favor!

Tenho escrito demasiadas vezes centrado em mim. Não por pretensiosismo, ou pelo menos assim espero.

Tenho receio de estar errado.

Têm-me acontecido coisas muito boas, têm-se aberto bastantes portas até agora difíceis de imaginar. Porém, não alcancei nada concreto. Sou apenas mais um, que saiu de um calabouço escuro e frio, de nome conforto. Diversas pessoas diziam-me que devia arriscar, que tinha armas para o fazer, mas recusava formas de o fazer. Estava preso às amarras de uma segurança, que confrangedoramente nos protege. Saí, como não sei. Aconteceu.

Hoje, que nada conquistei, para além de pequenos passos numa longa caminhada, tenho receio de mudar quem sou. Não a minha essência, apenas detalhes que também me definem. Tenho medo de exacerbar-me de entusiasmo e tornar-me monótono. Contraditório? Não, lógico. Eu, como tantos outros, já vi pessoas tornarem-se fastidiosas por abarcarem sempre os mesmos assuntos, na sua linha de conversa. Tenho medo, claro. Não pretendo ser uma dessas pessoas, tenho pavor de ser uma dessas pessoas. Por outro lado, não quero deixar morrer esta chama que tem-me trazido até aqui.

Uso, na maior parte das vezes, este blogue para descomplicar, hoje estou a complicar-vos, com a minha complicação. Uma vez mais falando do mesmo: eu, naturalmente. Criei aqui um mundo e agora estou a tentar apoderar-me do centro dele, contudo não quero. Quero que isto, o blogue e parte da minha vida, seja vosso, não meu. Eu quero escrever, ser quem sou, mas quero-vos presentes. Não quero centrar-me demasiado em mim, não quero altivar-me. Eu sou quem sou por resultado de outros. Sempre fui influenciável, gosto de o ser. Devo à minha mãe a facilidade de expressar sentimentos, ao meu pai a agilidade de relativizar, alguns, problemas, aos meus amigos a capacidade de me divertir, à minha namorada muito do gosto pela leitura, muita da chama de escrever paixões, a outros amigos a confiança que teria algo para dizer. Devo tanto a tanta gente, o que me leva a agora centrar-me tanto em mim?

Não tenho um guião, ou fim, pensado para este texto, fui apenas escrevendo. Posso até dizer-vos que o primeiro título para hoje seria “Afinal quem somos?”, no entanto acabou numa dissecação sobre a minha pessoa. Lá estou eu a centrar-me em mim. Avisem-me, por favor, quando eu exagerar. Posso ficar acanhado com as críticas, todavia é com elas que cresço, que evoluo. Façam-nas, critiquem-me, eu preciso para refrear este ímpeto que não define quem sou. Gosto de delinear as metas e partilhá-las quando já estão lá atrás, agora tenho feito de outra forma, e não sei se gosto. Estou a precisar de vocês, dos vossos puxões de orelhas, dos vossos avisos. Eu não sou dono do mundo, só estou a construir um pequenino no meu quintal.

4 thoughts on “Critiquem-me, por favor!

  1. Olá amigo….

    Só te deixo um pequeno conselho….de um burro mais velho !!

    Pés bem assentes no chão !! Sê humilde e tudo te acontecerá, de uma forma natural, bom ou mau abraça todos os momentos da tua vida.

    A nossa existência resume-se a isto mesmo, ao dia a dia, ás oportunidades, ás alegrias, ás tristezas, etc…

    Goza-as da melhor maneira que sabes e ninguém te pode acusar de as saboreares á TUA maneira, e nós cá estamos para as saborear contigo (desde que as coloques no blog).

    Abraço
    Sandro Rilho

  2. Grande Amigo,

    Melhor ou pior acho que tenho feitas as coisas da forma que aqui dizes, porém dou por mim demasiadas vezes a falar de uma única coisa. Sinceramente, não gosto muito de ser assim. Mas isto foi mais um desabafo… eu ando feliz como o caraças!! 🙂

    Obrigado pelos conselhos de “burro velho” 🙂

    Grande abraço

  3. Olá, Ricardo!
    Mais uma “burra velha”…
    Percebo o teu dilema, mas tens que ver a parte positiva- a evolução ( e falo apenas da escrita), ou seja, o tema base pode ser o mesmo , contudo vai adquirindo novos contornos e, na verdade, há momentos em que o “eu” é para ser exposto. Depois, com o passar do tempo, o resto nasce espontaneamente.
    Boa sorte e não páres!
    Bjs
    Ana

    • Olá 🙂

      Confesso que os meus pensamentos eram bem mais abrangentes que as palavras, enquanto escrevia. Contudo, o central da questão era o blogue, e ai agradeço a referência à evolução. Vou tentar dosear as coisas, seja na escrita ou não, de forma a não gastar o eu, mas sabendo aproveitá-lo como plataforma. Acredito que não será fácil, no entanto, se fosse não valeria a pena 🙂

      Muito obrigado pelo comentário 🙂
      Bjs

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