Caneta do meu ser

Por vezes sinto-me uma caneta, daquelas de muitas cores. Tenho dias que escrevo linhas e linhas a preto, de repente pressiono o botão que o substitui pelo azul. Não é uma cor muito viva, mas já consegue pintar um pouco a minha história. Claro que existem momentos que sublinho a vermelho, os marcantes, os imortais. Não deixo de usar o verde, não sublinha como o vermelho, não é imponente como o preto, ou vulgar como azul, mas dá alegria, dá cor, ao meu caderno.

Não sou dos mais fortes crentes nos seres divinos, na religião, todavia posso acreditar que houve um criador. Um ser de sobrenaturalismos que nos dá a divindade de aqui estarmos. Eu gosto de contemplar que esse ente me concedeu uma folha de papel e fez de mim uma caneta, sem corrector. A folha é a bênção da vida, a caneta é a benesse de poder ser eu a preenche-la.

Não se iludam por eu ter um blogue, dou muitos erros. Uma marca dos meus cadernos, desde a meninice, são os longos rabiscos. Não me sinto um feroz criativo, sinto-me uma pessoa com ideias. Logo, sujeito a muitas alterações. Uma ideia não nasce concebida, nasce abstracta, nós é que a vamos formulando. Passo por passo, rabisco por rabisco. Vermelho, preto, azul, verde, vale tudo desde que a ideia seja boa. A ideia não é boa pela sua aplicabilidade, pela fortuna que nos pode criar, é boa pela paixão com que nos entregamos a ela. Não precisamos de viver da nossa ideia, quem não gosta de uma excentricidade?

Eu gosto de ter ideias paralelas ao que me pode dar fortuna monetária, gosto de alimentar hobbies. Nem sempre posso seguir o caminho do sonho na realidade, por isso alimento-me de devaneios paralelos, que não são mais que um nutrimento de êxtase.

Tudo passa pela paixão. Ela, no mercado, não supera um gráfico, mas faz-lhe frente. Agora imaginem se com ela conseguirem criar um gráfico. Tornaram-se imbatíveis.

Eu vou a meio, talvez um pouco menos, da folha que esse tal ser superior me concedeu. Tenho mais rabiscado que escrito, mas pelo que me falta, sei que escreverei muito mais do que quem não erra.

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2 thoughts on “Caneta do meu ser

  1. em primeiro lugar queria pedir desculpa pela minha tao grande ausencia..!dias mais preenchidos ora de hobbies, ora de festas, ora apenas de pensamentos..!

    tenho a dizer que o titulo me deixou curioso…pensei que fosse mais um desafio lançado! mas gostei da abordagem à “caneta do meu ser”…uii pelo décimo que conheco da tua historia ja deves ter rabiscado/escrito umas boas paginas sim! =)
    espero que continues a rabiscar muito, principalmente rabiscos que possas sublinhar veemente a vermelho!

    grande abraço

    • Grande, Zão!! Confesso que já estava com saudades, mas pela descrição da ocupação dos teus tempos, não tenho dúvidas que estás bem, e isso é o que mais interessa 🙂

      Irei continuar a rabiscar muito, talvez até mais que escrever, mas sempre com a certeza que vai valer a pena 🙂

      Grande abraço

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