Ambulâncias do INEM

Abrandar o trânsito a cada acidente, basculhar revistas à procura de detalhes sobre falecimentos, investigar a vida alheia, são apenas algumas provas, circunstanciais, de uma intromissão sórdida dos indivíduos na desgraça alheia. Começamos na bisbilhotice, natural diga-se, mas por vezes quebramos essa barreira e assomasse a perversidade.

A curiosidade é algo que considero indispensável, numa visão romântica é o motor da evolução. Sem curiosidade não poderíamos investigar, sem investigar não poderíamos evoluir. Porém, na curiosidade como em qualquer norma, existem as luctíferas excepções. A curiosidade desmedida. São triviais as críticas do atores, das figuras do social, às revistas cor-de-rosa, no entanto não censuram as pessoas. São as pessoas que lhes garantem o sucesso, era descabido esse caminho. Agora, pergunto-me se os jornalistas do social terão um prazer tão grande a invadir a vida das figuras conhecidas, como as pessoas que compram os seus trabalhos. A crítica não devia ser feita a esse jornalismo, por muitos considerado mau, mas sim ao mercantilismo. Eles fazem, obviamente, porque vende!

O ónus da perversidade não se fica por aqui, é mais amplo. E quando, para além de toda esta alcovitice, se acresce actos de conduta dúbia? Não estou a falar de crimes, de assassinatos, estou a falar de simples parvoíce. Quem é que ligaria para o INEM, uma entidade de fins intocáveis, unicamente para gozar? Só em Portugal, mais de 21.000 pessoas. Isto é alarmante, é de uma desumanidade tórrida. Eu não sou santo, quem me lê vai alcançando isso, assim deduzirão facilmente que eu fazia algo do género. Do género não é igual, contudo.

– Estou?

– Fala o Sr. Coelho?

– Não, não.

– Ah, então enganei-me na toca.

Parvo, certamente, mas não danoso. Não colocava em causa outras pessoas. Algo que parece-me que é esquecido, por quem faz essas chamadas, é que pode estar a matar outros. São assassinos, ainda que de forma inconsciente. E essa inconsciência é que assusta. A eliminação da barreira da curiosidade para a perversidade, da brincadeira para a inconsciência.

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