Homossexual suicida-se

Um jovem de 18 anos, loiro, tímido e extraordinário violinista, vai estudar para a Universidade de Nova Iorque. Chama-se Tyler e vai ser acolhido por Ravi, igualmente jovem, mas nada tímido. Ravi é, aliás, arrogante e dominador das novas tecnologias. Fez uma pesquisa sobre quem era o seu novo companheiro de quarto e rapidamente descobriu que era de origens humildes e homossexual. Demonstrou todo o seu repúdio, a quem conhece.

Um dia, normal, Tyler pede o quarto livre para essa noite – prática comum nas universidades -, Ravi acede, mas com segundas intenções, naturalmente. Filma uma noite de sexo entre Tyler e o seu companheiro, não estando satisfeito volta a fazê-lo segunda vez. Dessa vez, avisando todos pelo Twitter, Facebook, etc. Resultado? O jovem Tyler saltou da ponte George Washington.

Já aqui escrevi alguns contos, desta vez não é o caso. Infelizmente.

Bullying é, lamentavelmente, uma prática cada vez mais comum, independentemente de orientações sexuais. Maltrata-se pelo simples prazer de maltratar, pela sádica satisfação de se crescer na dor dos outros. Normalmente, é nos mais jovens que se vê este tipo de actos, concedendo-lhes assim sucessivos créditos: «São crianças, não fazem por mal». É certo que podem não o fazer, mas é mais certo que as outras crianças não merecem uma dor infligida, apenas por serem mais pequenas, por usarem óculos ou, em alguns casos, por serem mais inteligentes. Felizmente, sempre fui um dos meninos bonitos da escola. Não pelos meus olhos, pelo meu cabelo ou rosto, simplesmente porque me relacionava bem e com todos. Sem preconceito.

Se, como dizem, os que praticam o bullying são jovens, com pouca autonomia intelectual e de personalidade, eu vejo um espelho para os pais. Se ainda não conseguem diferenciar com clareza o certo do errado, não farão mais que o reflexo dos seus exemplos: os pais. Assim, se vamos continuar a desacreditar as culpas, de quem imprime ritmos dolorosos à adolescência de outros, vamos além na questão. Vamos culpar os seus pais, obviamente. Se assumem, com avassaladora certeza, que os seus filhos não devem ser punidos por erros de juventude, que se assumam eles por erros de educação.

Não sei se poderei afirmar isto com a certeza de dados estatísticos ou com a opinião de vanguardistas estudiosos, mas com firmeza posso comprovar com a minha experiência, com a de filmes satirizados do High-School americano, que os que praticam o bullying, por norma, não vão além de trabalhos em fabriquetas, de futuros na droga ou emigrações para limpar a porcaria de outros. Não é com despeito que falo do trabalho em fábricas ou da emigração para quadros inferiores, é com repúdio pelos que infernizam a vida de outros. Eu, com 13 anos, não era adulto, longe disso, como comprovam muitos erros que cometi, mas sabia que todos éramos humanos. Isso não se prende apenas com o certo e o errado, porque eu errei muito, prende-se com o respeito pela espécie humana. Esse terá que ser sempre o valor mais alto. Errei e sofri consequências, de actos meus, que a mim diziam respeito. Não necessitei de ver os outros caírem para eu me ver lá em cima. Tive talvez uma brincadeira mais dolorosa, não física, mas que prontamente o visado me mostrou a forma simpática como a acolheu.

Se a este fenómeno juntarmos a homossexualidade está o caldo entornado, como comprova a notícia que aqui vos redigi, em poucas linhas. Começa finalmente a tomar-se cuidados com a preservação da integridade dos homossexuais, dos miúdos mais vulneráveis, contudo, a meu ver, continua a persistir um problema. Pais que não sejam educados para isso, não conseguirão educar filhos para tal. Acredito que as medidas que agora começam a ser tomadas possam ter um reflexo positivo nas próximas gerações. No entanto, e até lá? Continuarão jovens, talentosos, a por termo à vida pela incompreensão da sua orientação sexual? Continuarão miúdos inteligentes a perder o interesse pela escola, por medo?

Nunca me pauto pelos extremismos, porém, neste caso, ponho-me a pensar que, se as penas se alargassem dos miúdos violentos aos pais negligentes, a história poderia ser outra. Mas, acalmando-me, consigo também perceber que cada caso é um caso e que cometi erros que os meus pais nunca me induziram, por isso não sei. Sei apenas que daria tudo para não continuar a ver notícias destas.

Sei que um dia poderei ter filhos, que eles poderão ser uns parvos que maltratam, ou uns pequenotes que são vítimas, por isso escrevo com o impulso da repulsa, mas acima de tudo com o medo do amanhã.

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