Gestão dos sonhos

 Por vezes, é difícil, até sonharmos. Os dias, em alguns momentos, parecem demasiado longos, com uma margem que nos permite ir adiando tudo, penetrados numa dormência calamitosa. Em outros momentos, parecem demasiado escassos, parecemos atolados numa pilha de algo que nunca terá fim.

Eu, de uma forma que considero saudável, vou vivendo num misto de dias extremamente ocupados e de outros razoavelmente livres. Não me deixo cair em stresses, muito menos em inércias. Posso asseverar que assim sou feliz. Mas tenho momentos sufocantes, contudo. Quando a soma de tarefas, de pequenas aventuras ou compromissos, me retira de outros, me dá menos tempo com quem amo, fico triste. Gostava de encontrar outras formas de aliar tudo e todos. A isso eu chamo ânsia… ânsia de viver!

Durante muito tempo fui egoísta, não por pensar apenas em mim, ou gostar mais de mim do que qualquer outra pessoa, mas por querer estar em todo o lado. Não estando em lado nenhum, claro. Não sei se por caprichos da existência, vicissitudes minhas, apelos de pessoas importantes, ou pela soma de todos, fui controlando isso. Não dou graças a deus, mas genuinamente dou a todos os que se ocuparam de, por palavras ou gestos, me alertarem para isso. Obrigado.

O meu maior sonho é, e sempre será, amanhã estar no degrau acima do de hoje. Parece-me a melhor filosofia, mesmo padecendo de um guião. Eu não gosto de definir que quero ser isto, aquilo ou aqueloutro, até porque no decorrer do dia eu mudo o que desejo ser. Eu começo a dia a pensar que dava tudo para trabalhar por turnos e chego à noite, na minha cama, a pensar na sorte que tenho em não trabalhar por turnos.

Hoje, agora mesmo, vou criando um rascunho de um monte de coisas que gostava de ser e ter. Escrevo sonhos num pedaço de papel que rasguei de um caderno, procuro viagens no computador, envio e-mails e recebo e-mails, faço telefonemas e recebo mensagens, tudo para me mover, para não cair em entorpecimentos. Não exagero. Não dispenso um cafézinho numa esplanada, sendo que é mais comum ao fim de semana, não dispenso a companhia da menina que faz o meu coração palpitar, dos amigos, de fazer uns jogos de basket e futebol, de ler todos os dias, de escrever todos os dias, de trabalhar 8h30 por dia, de tirar 30 minutos diariamente para investir no futuro, na procura. Não vivo 30 ou 40h por dia, aproveito apenas as que tenho.

Quanto menos fazemos, menos queremos fazer; quanto mais fazemos, mais queremos fazer. A primeira leva à depressão, a segunda ao esgotamento.

Ontem, eu falava de ser um típico meio-termo, por vezes é bom sê-lo.

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