Paraíso na terra

Desde miúdo que sou anormalmente normal. Nunca fui o melhor a jogar futebol, mas sempre soube jogar futebol; nunca fui o melhor a jogar basket, mas sempre soube jogar basket; nunca fui o melhor aluno, mas sempre percebi umas coisas; nunca fui o mais bonito, mas nunca fui o mais feio, contudo; um meio-termo.

O paraíso é o éden, são cascatas de água límpida, são flores a brotar em torno de um lago construído pela queda de água, é um céu azul, é uma paz proeminente, uns sorrisos encorajadores, uma harmonia da beleza natural com a paz de espírito. O paraíso é… o paraíso!

Durante a minha descontraída normalidade, fui desenvolvendo uma capacidade de ver além, do que muitos dos melhores jogadores de futebol, basket, alunos ou mesmo bonitos, viam. Além quer dizer o minúsculo, o despercebido. O vento que nos bate de frente a um rio é diferente do vento que nos bate no meio de uma cidade, apilhada de carros, prédios altos e pessoas com uma urgência que marca os seus dias. Na primeira hipótese, ele é uma contemplação, um adorno de paz, na segunda ele é um estorvo. Eu não sou um génio por o ver, por o sentir, mas sou mais feliz. Garanto-vos.

Se o paraíso é o expoente da perfeição, o que de mais consensual existe, o caminho da felicidade, o que me impede de procurá-lo na terra?

Muitos guiam a sua vida pela certeza que devem ser exímios na disseminação do correcto, numa existência arrolada de religiosidade e numa biografia repleta de feitos altruístas, para um dia almejarem o paraíso. Eu não. Eu sou diferente. Eu peco, nem sempre faço o correcto, por várias vezes penso primeiro em mim e depois nos outros, principalmente quando não os conheço. Faço isso, primeiramente por ser um mau exemplo, em segundo por saber que aqui, na terra, eu tenho uma vida para viver, depois dela não tenho como saber. Assim, perdoem-me, eu quero o paraíso como todos, contudo quero-o na terra. Sou impaciente, claro.

Quero nadar nessa cascata, andar a saltar entre essas flores, estender-me a olhar para o céu azul, a ver as estrelas que mais tarde aparecerão, quero passar os meus dias a sorrir, a sentir-me em paz, até nos momentos mais alucinantes. Quero ser feliz, caramba. Como me podem pedir para esperar até morrer? Isso, para mim, será o fim, não o princípio.

Da terra ao paraíso, está a distância do nosso querer. Eu quero…

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2 thoughts on “Paraíso na terra

  1. Fantástico texto. Pensava ser a única a pensar assim, exceto pela parte de que você precisa esperar morrer para alcancar o paraíso. Não precisa. Vai acontecer aqui na Terra. Não é utopia.

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