O dia a seguir… ao Pingo Doce!

Filas de trânsito, pessoas apiadas à porta, encontrões, empurrões, carrinhos de compras a abarrotar, estantes vazias, filas de espera intermináveis, estabelecimentos a encerrar mais cedo, intervenção policial… foi assim que decorreu o 1 de maio nos Pingos Doces do país!

Escoamento de stock? Necessidade de fluxo de caixa? Fazer esquecer a polémica, da possível pressão aos funcionários, para não aderirem a greves e manifestações? Ganhar espaço em horário nobre televisivo? Difusão de publicidade a mais baixo custo que com campanhas televisivas? Sinceramente, não sei qual será, ou se será um pouquinho de todas. Sei apenas uma coisa, uma vez mais o grupo Jerónimo Martins, consegue centrar toda a atenção em si. A famosa campanha do “de Janeiro a Janeiro”, criticada por muitos, mas conhecida por todos; a polémica passagem da sede fiscal para a Holanda, criticada por uns tantos, defendida por outros tantos, mas igualmente conhecida por todos; e agora a loucura de 1 de maio nos Pingos Doces.

Empurrões, agressões, roubos de produtos ao carro dos ‘vizinhos’, facadas, sim até facadas houve, são o reflexo do estado em que se encontra o país. Uma qualquer promoção que possa garantir um vantajoso proveito financeiro torna-se uma prioridade, leva a actos selváticos. Não entrei em nenhum estabelecimento, mas passei à porta, declaradamente só um desespero exacerbante me poderia levar a entrar naquele espaço. Esse desespero existiu para milhares, quem sabe milhões, de pessoas no país. Assustador, apraz-me dizer. Não pondo em causa o granjeio desta campanha, ela foi sem dúvida uma óptima réplica dos dias que correm.

A pressão sobre o Pingo Doce vem agora de todo lado, excepto dos seus clientes. Qual o cliente que ousaria acusar o Sr. Alexandre Soares dos Santos, por esta verdadeira pedrada no charco? Ele fez milhares de despensas pelo país ganharem nova vida. Por outro lado, a sua concorrência não olha a meios para provar o Dumping do grupo Jerónimo Martins. Para eles é impossível, que num cabaz de 100€ que sai a 50€, não haja produtos a ser comercializados a preço de custo. Isso é o que se chama Dumping, ou numa terminologia mais corriqueira, concorrência desleal. Que, mesmo que venha a ser provada, em que é que mudará a opinião dos consumidores em relação ao Pingo Doce, ao grupo Jerónimo Martins e ao Alexandre Soares dos Santos? Em nada, alias a mudar será ainda para lhe dar mais congratulações. A tessitura do país não é de entendidos, é de leigos nessa matéria, dessa forma o Grupo Jerónimo Martins, definitivamente colocou os consumidores do seu lado.

Facadas, empurrões e polícia à parte, a campanha foi um sucesso: clientes estonteados com os preços daqueles cabazes; cobertura nos telejornais; difusão nas redes sociais; casas a alimentar-se ‘à Pingo Doce’ durante meses; volume de negócio em altas;

Chamem-me o que quiserem, eu admiro o Sr. Alexandre Soares dos Santos e toda a sua equipa de gestão. Por caminhos certos ou errados, nos últimos anos está sempre um passo à frente.

PS – Manteve-se coerente com a sua mensagem, no Pingo Doce, não há cartões-cliente, há preços baixos todos os dias. Nunca referiu que não podia haver dias com preços ainda mais baixos.

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13 thoughts on “O dia a seguir… ao Pingo Doce!

  1. Jogada de marketting perfeita, atitude moral na escolha do dia imperdoável. Sem duvida um expert em negócios, a fazer lembrar o Donald Trump: Insaciável e demolidor na busca por lucro ou cobertura mediática. No entanto, a escolha do dia da campanha é um “cagar na cabeça” ao significado do dia. Mas é o País que temos, é o País em que nos tornámos. Desprovido de valores éticos, cívicos e morais, aproveitando tudo o que podemos para uma melhor sobrevivência. Dão-nos migalhas e é como se recebêssemos sêmeas.

    P.S.: 80% de tempo de antena para o Pingo Doce, 5% de tempo de antena para a luta de classes e aspectos relevantes da sociedade no Dia do Trabalhador. Manifestações a nível mundial, e cobertura dos media portugueses nem vê-la. Coincidência? Estou muito atento para acreditar em coincidências.

      • A critica é à sociedade portuguesa, e principalmente a essa coisa chamada capitalismo selvagem, a procura do lucro, não olhando a meios.

        O Pingo Doce como marca, pela campanha em si, deve ser louvado.

        A escolha do dia para a campanha, por parte dos responsáveis (não sei se a ordem passou pelo Alexandre Soares dos Santos) é de ser reprovada, dada a simbologia do dia em questão e o facto de, embora compensados com um dia de férias e outras tretas que tais, ter existido pessoas que recebem pouco mais que o salário mínimo a trabalhar mais de 12 horas seguidas num dia que simboliza a conquista das 8+8+8. 8 horas de trabalho, 8 horas para dormir, e 8 horas para fazeres o que bem entenderes.

        E é bom lembrar, o salário mínimo em Portugal são 485 € se não me falha a memória. Fazendo as contas, uma pessoa que receba o salário mínimo em Portugal, para beneficiar da “promoção” teria de deixar numa caixa do Pingo Doce, no mínimo, pouco mais que 10% do seu salário. São contas que assustam, quando grande parte dos Portugueses não tem nem 100 euros por mês para alimentação.

        A imprensa portuguesa, se fores a analisar, é controlada pelos grandes grupos económicos, detidos, entre outros, pelo senhor Alexandre Soares dos Santos.
        O grupo que dirige é um dos maiores empregadores de Portugal. Num feriado simbólico como este, usualmente marcado por manifestações por parte dos trabalhadores, numa época tão conturbada como a actual, é “agradável” para as entidades patronais haver algo que “distraia” as pessoas das questões mais importantes que se costumam levantar neste dia. Salários baixos, exploração patronal, impostos exageradamente altos, precariedade da situação de emprego, (a lista é vasta).
        Aliás, convém até ter uma noticia destas para abrir telejornais, para não se referir as manifestações à volta do globo, onde milhões de pessoas se uniram contra os grandes interesses económicos, ou contra a actual situação económica, e contra as politicas que têm vindo a ser tomadas para solucionar o imbróglio.
        A imprensa portuguesa está toda minada, e para o jornalista que se preocupa é muito complicado fazer jornalismo.

        O que me leva à critica à sociedade. Vende mais a revista Maria que um jornal generalista. Aliás, a percentagem de pessoas que lê um jornal de noticias (sem ser desportivas) é assustadoramente baixa, especialmente quando comparada com países nórdicos ou com a recentemente idolatrada Islândia.
        Chegámos a um ponto em que levar uns rolos de papel higiénico para casa a 50% de desconto é justificação para esfaquear alguém. Junta-lhe umas cervejolas para ver a bola e estamos na “zona”.
        E o que é que querem ver quando chegam a casa? Não é se milhares se juntaram e manifestaram pacificamente no Canadá em protesto pelas condições de trabalho de cada um. Nem é saber que nos Estados Unidos, mais propriamente em Oakland, a policia carregou em cima de manifestantes pacíficos, novamente com brutalidade policial. Ou que em França, Moscovo, Berlim, Chile, etc, etc, o Povo se uniu para mostrar indignação pela situação actual.
        Querem ver é quanto tempo é que a dona Franclina passou à espera para sair do Pingo Doce, ou em quantos estabelecimentos é que houve confusão, ou quem é que vai ser enxovalhado a seguir pelo Júri dos Ídolos, enquanto come uns belos iogurtes com 50% de desconto.
        E no dia a seguir vai chegar ao trabalho, todo orgulho, “Epah, ontem espetei uma facada a um gajo que não me queria deixar trazer uns desodorizantes” isto enquanto cheira à cebola que dói 😉 Foi assim que foi educado, foi assim que foi levado a ser. São anos e anos em que as escolas deixaram de despertar espírito critico, para incutir a cópia, ou o “decoranço”. As pessoas já não pensam por si, são levadas a acreditar no que lhes dizem. E os que pensam por si, são desencorajados a fazê-lo, com medo de represálias, pois têm de se fazer à vida, dadas as condições difíceis em que se vive hoje em dia. É a censura vinda de dentro, onde és tu próprio a censurar o teu pensamento critico (não no teu caso, e certamente não no meu, mas dá para perceber onde quero chegar).
        Enquanto isso, o resto vai-se debatendo sobre o valor da campanha, dividindo-se em grupos pró ou contra o Pingo Doce. Eu por mim atiro para cima, para o topo da pirâmide. O podre está lá no topo, no tipo de poder que faz com que estas situações ocorram. Caso não houvesse crise, caso toda a gente estivesse bem, não havia necessidade de promoções. Como existe crise, há aproveitamento da mesma. Independentemente de ser ou não moralmente correcto 😉 Mas moral, ética, e civismo são as primeiras coisas a cair em alturas de crise. Estamos a assistir à “animalização” do ser humano. Cada vez somos mais animais e menos humanos.

        Porra Ral, o que me fizeste escrever ! 😀 Distraí-me 😀 Abraço, e bom almoço 😉

  2. Nunes, gostava de começar este comentário por um desafio… visto que tens raízes em Estarreja, desafio-te a comprar a última edição do jornal, vem lá uma cronica minha, que a julgar por um destes teus paragrafos, ias gostar de ler. A cronica entitula-se “O mundo cor-de-rosa” e fala da falta de informação, alias da errónea escolha de informação, das pessoas. Fica o desafio e a publicidade 😉

    Vamos agora ao que interessa, gostava de começar por uma citação, que não conseguindo precisar de quem é, me marcou: Em tempos de crise vão sempre haver empresas de lenços a lucrar!

    Tudo o que tu disseste se baseia em verdades, mas o certo começa que desde sempre existiram pessoas a trabalhar no 1 de maio, este ano não foi exceção. Alias, todos os outros hipermercados estavam a trabalhar, por razões óbvias apenas não tiveram a mesma afluencia. Se em vez de 8h trabalharam 12h, aposto que foram pagas para isso. Quantas pessoas dariam tudo para estar a trabalhar, quanto mais para ganharem horas extraordinárias? Eu não sou contra o trabalhar mais de 8h, desde que se receba condignamente. Ou seja, como horas extraordinárias.

    Quanto ao topo da pirâmide, eu concordo plenamente contigo. Simplesmente, penso que tu, como tantos outros, estão a usar (uma vez mais) o Pingo Doce para criticar coisas bem mais abrangentes, amplas. Repara como a campanha deles serve para criticar legislações. Por muita influencia que ele tenha, ambos sabemos que há quem tenha mais, ainda assim nos últimos tempos é nele – Alexandre Soares dos Santos – que recaiem unanimemente as criticas. sabes como eu explico isso? Influencias superiores, superiores à dele, que tentam fazer dele o lobbie.

    Quando tu te agarras ao aproveitamento deles da fragilidade das pessoas, eu não discordo de ti. Vejo simplesmente uma estratégia de “Ganhar-ganhar” se é verdade que ele ganha, não deixa de ser verdade que quem traz um cabaz de 500 € também ganha 250 €. Agressões, atitudes selváticas? Plenamente de acordo. Infligidas por ele? De forma nenhuma, infligidas por pessoas que por diversas vezes têm feito uso do seu sucesso para lhe apontar o dedo. Não será isso um sinal que possívelmente ele não coaduna com algumas das pessoas que mais criticas com a campanha dele?

    Escolha do dia? Completamente feita pelo impacto que teria, sem dúvida. Roubo de visibilidade das manifestações? Sim, mas não por influencia dele. Por influencia de um país sensacionalista, como referes, como eu referi na cronica que te aconselhei, mas ai uma vez mais ele aproveitou uma lacuna em que ele não tem culpa nenhuma. Ele não é primeiro-ministro é director de um grupo que lhe pertence, por mais voltas que des, ele terá sempre que defender os interesses dele, como tu defendes os teus. Concordo contigo, mas por vezes chegas ao utópico, infelizmente. Porque gostava tanto como tu que a realidade fosse outra.

    Para finalizar digo, eu não escrevi sobre os problemas do país e da sociedade, escrevi sobre a iniciativa do Pingo Doce e essa foi brutal, a meu ver. Mesmo já tendo visto pessoas muito mais entendidas que eu a criticar esta acção, eu achei-a de um excelente nivel de gestão.

    Obrigado pela participação, Nunes 🙂

    • O meu pai, se não me engano, é assinante do jornal 🙂 Quando lá for dou uma vista de olhos 😀

      Li mais umas coisas sobre o assunto. Quem dirige a marca Pingo Doce aparentemente é um filho do Alexandre Soares dos Santos. Espera-se respostas dos outros grupos da área retalhista, o que pode levar a uma diminuição das margens de lucro das empresas, logo, uma diminuição do preço final para o consumidor (o que deveria acontecer num mercado livre, mas raramente se verifica, procedendo-se frequentemente ao aumento combinado dos preços, como no caso dos combustíveis), o que acaba por ser bom. Competir pelo preço mais baixo para captar o consumidor.
      Fala-se até que poderão vir a repetir a iniciativa noutros meses, sempre no inicio/fim do mês, para captar os clientes que vão fazer as compras do mês, cuja maioria faz nas marcas da SONAE. É uma guerra pelo consumidor, uma que pode vir a ser proveitosa para o mesmo.

      Atenção, eu admiro a jogada sobre um ponto de vista de marketing e gestão. Mas repudio em completo a escolha do dia, na altura em que vivemos. Pode-se argumentar que, se não estivéssemos em crise, a promoção não tinha o impacto que tem. Verdade, mas também se pode argumentar que se poderia ter escolhido uma imensidão de outras datas. A escolha da data foi… maliciosa, a meu ver.

      Quanto a essa separação que fazes do poder politico, e dos grupos económicos, não creio que exista. Se não estou 100% convencido que os dois são mais promiscuos que duas lésbicas num mundo homens, estou 99%. Um lava a mão do outro. E um não chega ao topo sem a ajuda do outro. Conheço um exemplo que também conheces que não me deixa ser ingénuo 😉

      Já agora, uma curiosidade: em toda a sua história, esta é a segunda vez que o Pingo Doce abre no 1º de Maio.

      Será utópico querer viver num mundo onde o lucro de uns não advém necessariamente do sofrimento e miséria de outros? Onde todos sejam justamente recompensados pela sua produtividade? Onde todos trabalham para o bem de todos, ao invés de muitos trabalharem para a riqueza de poucos? Difícil sim, utópico, não me parece.
      Há 100 anos atrás era utópico visitar a lua. Há 500 anos atrás era utópico chegar ao Brasil em 4 horas. Há 30 anos atrás era utópico falar com alguém do outro lado do oceano, vendo a pessoa. Hoje, qualquer uma dessas coisas parece natural. Há uma força muito grande chamada tecnologia, que poucas pessoas falam, porque poucas pessoas entendem. E poucas pessoas querem que se fale, para que as muitas pessoas não entendam.
      Mas isto é outro assunto e não convém divagar 🙂 No entanto acho que é completamente possível um mundo mais altruísta e menos egoísta. Mas para isso é preciso uma completa reeducação do ser humano. E isso sim, é a tarefa que nós, como raça humana, temos pela frente e é realmente avassaladora.

      É sempre um prazer perder uns minutos para debater sobre assuntos relevantes meu caro Ral 😉 “Apraz-me” bastante ehehehe
      Para desenjoar do gozo e da vida cor de rosa de Ovar 😉
      Abraço.

      P.S.: Se o Gama vê que vim aqui comentar, prepara-te para um debate bem mais longo, que pelo meio terá referências a submarinos… Just saying,…

      • Como te disse, eles ganham, mas nós (consumidores) também ganhamos.

        Eu acredito na malicia da escolha do dia, mas não por toda a carga política que querem colocar, acho sim que foi pelo percursor que seria. Como tem sido, alias. Pelas informações que tenho, eles são obrigados a pagar a triplicar no feriado e para além disso ele irá oferecer um dia de férias aos que trabalharam. O Continente também abriu, suponho que pagara a triplicar, mas dará o dia de férias? Não sei, assumo que neste ponto estou a especular.

        Eu não separei os grupos económicos da classe política, insinuei foi que dentro dos grupos económicos (no caso retalhista) existirá quem tenha muito mais peso junto da governação do que ele. Em plena assembleia foi apelado ao boicote das compras no Pingo Doce, quando, mais uma vez por exmplo, nunca foi feito à Sonae, nomeadamente, Continente, mesmo tendo a sede fiscal lá fora faz muito tempo. Percebes o que quero dizer?

        Faz bem debater a actualidade, ajuda-nos a estar informado sobre ela 🙂

        PS – As portas estão abertas a todos 😀

  3. Mais que o dia em si, penso que atitude se sobrepõe ao facto de tal campanha ter sido feita num feriado. Aliás, pouco ou muito, todos aqueles que trabalharam receberam um suplemento por ser feriado, mesmo que seja insignificante.. No entanto, tanta gente criticou tal iniciativa mas a verdade é só uma..o mesmo se passa em países que lideram os tops da economia, desde os EUA no dia a seguir ao Natal até à China num dos poucos feriados que eles têm, a situação é a mesma e ainda mais apoiada em massa pelas grandes empresas, pois não é só uma, como no nosso caso, que faz este tipo de descontos. Sempre nos rimos quando viamos no telejornal aqueles “tolos” todos acampar às portas dos estabelecimentos, atitude essa que para muitos dava para poupar muito no fim do ano e quando nos calhou a nós tal iniciativa o que grande parte fez? (sobretudo aqueles que não têm necessidade de se sujeitar a este tipo de coisas) Criticar a empresa em causa, chamar “tolos” aos que lá foram e poucos foram aqueles que deram um louvor ao acto. Quanto às facadas, às confusões e a tudo o resto que de mau se passou, explica-se facilmente pela ansiedade e constante stresse que as famílias portuguesas vivem no mês após mês, pela novidade da coisa no nosso país e também pelas características intrínsecas de um português.
    Por fim, mesmo percebendo pouco da arte do nosso Ricardo, consigo ver facilmente que no que diz respeito à publicidade da empresa, foi realmente um golpe de mestre e claro, também acredito que um dos objectivos foi fazer esquecer a tal mudança de sede fiscal para outro país.. qualquer coisa como um “falem bem ou falem mal, mas falem de nós”..

    • Precisamente, mas sendo nós aversos à mudança por natureza, somos mais ainda quando com isso toca nos intocáveis. Como eu disse, foi uma pedra no charco, alguns salpicados não gostaram.

      Quando se fala de uma esmola, fala-se de o pagamento de um dia de trabalho a receber 3 vezes mais e ainda a oferta de um outro dia de férias. Não tenho certeza absoluta desta afirmação, mas se dizem que foi oferecido um dia de férias, isso é a oferta, porque a lei obriga a pagar a triplicar. Assim sendo, o que muitos chamam de mal-feitor, ainda deu algo a que não era obrigado.

      Essa situação da sede fiscal, só tem que ser feita esquecer pelos jogos de interesse que aqui se criam. Como é possível no próprio parlamento ser feito um apelo ao boicote do consumo quando todas as outras grandes empresas já tinham sedes fiscais em outros países? Alguma vez foi pedido um boicote, por exemplo, ao Continente?

      Deixo como nota que não trabalho no grupo, não sou accionista, nem tão pouco lá fui, ou os meus pais foram. Apenas me indigna que este grupo venha sendo continuamente criticado, quando na verdade é dos poucos que cresce no nosso país nos dias que correm, empregando assim milhares de pessoas.

    • Merêncio, só uma achega ao teu comentário. Os dois países que mencionaste, a nível social, são 0. Serviços de saúde, reformas, assistência aos mais necessitados, zero.
      Segundo, emitem a sua própria moeda.
      Terceiro, as suas sociedades são bastante mais estratificadas que a nossa.
      Quarto, as situações de trabalho são bem mais precárias que as nossas, e estou ciente que estou a falar com alguém que teve de sair do País para ter um trabalho “estável e bem remunerado”.
      Quinto, Beijin e Nova Iorque têm várias vezes mais população que Portugal inteiro 🙂

      Isto para dizer que não nos podemos comparar aos outros. Só nos podemos comparar a nós próprios. E dentro daquilo que podemos fazer, fazemos muito pouco, ou fazemos muito mal 🙂

  4. Essa coisa da sede na Holanda já está mais que provada que é concorrência desleal da Holanda. E se nós somos consumidores de Pingo Doces e Continentes, também a Jerónimo Martins e a SONAE são consumidores de Estados. E como nós, compram onde têm mais vantagem. Nada contra a acção em si. Faz parte das regras do jogo onde se joga diariamente a vida de biliões. Faz-me lembrar o filme “O Cubo”. O Cubo era um jogo, tinha regras. Pelo meio morreram pessoas. Mas as regras estavam lá. Se era moral? Não, mas as regras existiam, e quem as soubesse/percebesse conseguia jogar o jogo… Eu não estou contra os actos em si, mas contra a moralidade do sistema que leva a estes acontecimentos, mas acho que já me fiz entender 🙂

    • Eu já percebi onde queres chegar e logicamente que concordo contigo, mas isso para mim não explica a perseguição que é feita a este grupo. A única explicação que encontro é eles não estarem tão embrenhados em alguns joguinhos, que “deveriam” estar. Suposições, é apenas isso 🙂

      • É bem possível. Nem toda a gente com dinheiro tem necessariamente de ser sem escrúpulos… Aliás, dentro daquela teoria do grupo Bilderberg e o governo mundial, diz-se que há pessoas que tentam, como podem, fazer o “bem” ao invés de procurar riqueza a todo o custo. Se não acreditasse que há pessoas que querem genuinamente o bem dos outros, então teria perdido a esperança no futuro da raça humana. Mas que é bem mais difícil ser-se rico e altruísta que rico e egoísta, no mundo onde vivemos… Isso é.

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