Nem só de palavras vive o amor…

 Nem só de palavras vive o amor, nem só de actos vive a paixão, nem só de ideias vive a escrita. Hoje começo a escrever para vocês, somente para vocês, sem saber sobre o que escrevo.

Podem acusar-me de fazer da escrita uma obrigação, de isso realçar em mim um pretensiosismo típico de quem se quer impor, aparecer. Feliz ou infelizmente terei que vos dar alguma razão. Sinto necessidade de aparecer, sinto necessidade de ser acarinhado, sinto necessidade de ser mimado. Poderia esconder-me atrás de uma capa de heróicas forças, de personalidade assertiva, dura, mas não consigo. Sou tão frágil quanto as pequenas folhas de papel em que tomo notas para diariamente vos escrever.

Não sei se tudo isto faz de mim pequenino, coitadinho, ou simplesmente humano. Tenho vivido fases diferentes da minha vida: já fui uma criança inocente; já fui um adolescente rebelde; já fui um pré-adulto egoísta, egocêntrico; já fui o que sou hoje; em todas elas precisei, mais ou menos, de palavras reconfortantes, de gestos ternurentos, de ombros amigos, de beijos apaixonados e/ou sedutores.

Por vezes questiono-me que tipo de pessoa serei eu ao certo: serei eu independente? Serei eu carente? Sinceramente, não sei o que fui, não sei o que sou e tenho dificuldade de imaginar o que serei. Mas porque raio deveria eu definir-me? Em que ponto isso me deixaria?

Acrescentaria:

Nem só de palavras vive o amor, nem só de actos vive a paixão, nem só de ideias vive a escrita, nem só de rótulos vivem as pessoas.

Existe uma forte necessidade de nos definirmos, de podermos dizer aos outros quem somos, qual o nosso padrão de comportamento, o nosso guião de acção, mas raras vezes acertamos. Quando nos definimos a alguém, quando dizemos que em X fazemos Y, parece que um condão faz aparecer, horas depois, aquele e X e nós iremos fazer o Z. «Porra, nunca foi assim que eu reagi a isto!». E não, não mesmo, mas nós vivemos em constante mutação. Metamorfose, essa sim, pode ser uma palavra que nos descreve.

Rebuscando nas minhas teorias mais recônditas, poderia dizer que quanto mais nos apercebemos dos nossos padrões de comportamento mais tendência natural temos para os alterar. Talvez não seja uma teoria que possa apresentar ao mundo, mas certamente é uma teoria que se aplica a mim.

Pude dar-me ao luxo de fazer uma dissertação sobre quem sou, sobre o que penso, porque sei que quando o lerem não será mais que uma história ficcionada. Já eu serei outra pessoa, já serão outras coisas a circundar o meu pensamento, já tudo o vento terá levado.

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2 thoughts on “Nem só de palavras vive o amor…

  1. Diferente!…um bom diferente do meu ponto de vista ;P
    Não pude deixar de reparar que falas em padrões de comportamento…muitas vezes ouvi isso la em casa quando a minha mãe se debatia em artigos em inglês para fazer a sua tese de mestrado!…bem se alguma coisa ficou das imensas traduções que lhe fiz por alto, foi que eles existem!e bem vincados, ao ponto de se conseguirem prever! mas como é óbvio à sempre excepções, e sim, quando conhecemos bem os nossos padrões temos tendência para os adequar a novas realidades!!
    abraço

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