Mário Ovarense Leite

Enquanto indagava pela net iam-se multiplicando as notícias em sites vareiros, em feeds, da triste novidade: o afastamento do Mário Leite da liderança da contenda vareira. Triste pelo símbolo que ele é, triste pelos motivos que são.

Não me dou o direito de avaliar o certo e o errado dos causadores associados ao seu afastamento, não posso é deixar de reforçar o sentimento de injustiça, que domina quem tem ligações afectivas a este clube e a esta terra. O Mário Leite é um símbolo do que de mais glorioso o desporto vareiro tem vindo a alicerçar.

Nos últimos anos tenho mantido uma relação mais distante, fisicamente, com o basquetebol da Ovarense. Não conseguindo apontar com exactidão as origens desse afastamento, posso asseverar-vos que as lembranças, as memórias, me manterão sempre próximo a ele no coração – ao basquetebol, ao clube. Foi dentro dos balneários do velhinho Raimundo Rodrigues que senti os primeiros instintos de competição, que criei as primeiras amizades para a vida, que tive os meus primeiros segredos, que bem me aventurei no desporto, que me formei, em parte, como homem. A Ovarense não me deu apenas o basket, deu-me formação. Existiram treinadores excelentes, outros bons, outros menos bons, mas todos me marcaram. Mais ou menos, melhor ou pior, todos marcaram. Tal qual as pessoas que lá conheci. Nem todas se tornaram amigas para a vida, mas todas foram companheiras, conhecidas, colegas, naqueles anos que guardo com enorme nostalgia.

A Ovarense vê ano após anos milhares de jovens entregarem-se ao desporto, ao basquetebol. Como eu, a maioria não dará desportista profissional, mas isso em nada diminui o trabalho de formação que esta instituição leva a cabo. Existe hoje um projecto que acompanha os atletas inclusivamente no seu percurso académico. Criando assim sinergias em que os mais vitoriosos serão os jovens, conforme se pretende num trabalho vocacionado para os atletas, mas também adeptos e cidadãos, do dia de amanhã. Não podendo deixar de referir aqui o trabalho meritório e complacente da Câmara Municipal de Ovar e das instituições de ensino que acompanham e apoiam este projecto.

Tudo isto para dizer o quê?

Na minha meninice cresci nos balneários da Ovarense a ouvir histórias do Mário Leite nas grandes conquistas do fim da década de 80, inicio da de 90, vi-me entrar no novo milénio com ele sentado no banco, a secundar outros, nas grandes conquistas nacionais e elevação internacional da Ovarense – presença na Euroleague – e cheguei à minha idade adulta a acompanhar a Ovarense, menos vezes no pavilhão, mas nem por isso desligado, com o Mário Leite ao leme de um projecto que para muitos se iria desvanecer pela falta de apoios, mas que ele heroicamente manteve à tona, puxando dos jogadores o lustre, orgulho, de vestir uma camisola com um símbolo histórico.

Por isso, deixo aqui a minha palavra de apreço a todos os que têm defendido a Ovarense – personificada no Mário Leite.

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