Livre de acreditar

A vida, no seu sentido mais lato, é feita de vivências, de acontecimentos e sensações. Todos os seus outros outorgantes são meros intervenientes, impulsionadores, deste ciclo.

Recordo-me dos receios, das inseguranças, que blindavam o meu anseio da passagem para o ciclo, para a escola dos grandes; lembro-me da adrenalina, do frio no estomago, com que joguei a minha primeira final; tenho presente o entusiasmo da primeira vez que fui de férias sem os meus pais, da minha primeira ida a uma discoteca, da primeira festa em que vangloriei a minha juventude. Tudo isto são acontecimentos que me expuseram a vivências, que se traduziram em sensações. O ciclo mantém-se, a vida prossegue.

Sou capaz de apontar com uma exactidão dilacerante o meu grande ponto de viragem: entrada para a escola profissional. Os caminhos começavam a estreitar-se, as más opções dominavam o meu quotidiano, o mau era bom e o bom era fatigante, o certo era previsível e o errado era vertiginoso, o futuro era longínquo e o presente era real, para ser vivido. Não tinha dezasseis anos, o BI era um mero adereço, tinha a mesma idade que tenho hoje, com os meus princípios, apenas virados para sentidos opostos.

O meu ponto de viragem, a entrada na escola que me projectou para o dia de hoje, não mudou a pessoa que eu sou, canalizou foi o que eu tenho. Não farei uso do pretensiosismo arrogante para dizer que traduziu os meus defeitos em virtudes, mesmo tendo vontade de o fazer. Gosto de quem sou.

Os pontos de viragem são isso mesmo: desassossegos; inquietações; receios; abertura de opções; exposição de caminhos desconhecidos;

Hoje vivemos um ponto de viragem, uma mudança de direcção, tal como o carro da foto. Estamos situados nos desassossegos, inquietações e receios, só para alguns se abriram opções. Mas eu acredito, tenho que acreditar, que o amanhã, que vai chegar daqui a um dia, um mês ou um ano, irá trazer essa direcção até agora desconhecida. Até la testaremos os nossos limites, criaremos defesas difíceis de imaginar em anos transactos, construiremos uma armadura que em anos proveitosos será difícil de destruir.

Ninguém me obriga a acreditar em tudo o que aqui disse. Vocês não são obrigados a acreditar num miúdo que gosta de falar como se vivesse há longuíssimos anos, como se tivesse uma experiência centenária.

Ninguém me obriga a acreditar, ninguém vos obriga a acreditar… por isso eu quero acreditar! Por isso eu sou livre de acreditar!

2 thoughts on “Livre de acreditar

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