Domingo de dezembro

Chuva forte e contínua. Seguia num compasso afinado, aquando do seu encontro com o estore, aquele frágil componente plástico e difusor de ruídos.

Ele despertou.

Os breves instantes do acordar, ao descerrar de olhos, foram um caminho de contendas e reflexões. Lembrou-se, sem sentido aparente, do dia da adolescência que ficou marcado pelo seu primeiro beijo – 2 de junho de 1977; questionou-se o que seria feito da bela rapariga, menina à altura; estaria ela casada e mãe de filhos – perguntava-se; o que teria mudado nele para o seu ideal de mulher, desejo, partilha, se ter alterado tanto desde o longínquo dia de primavera em que materializou o seu anseio pelo sexo oposto;

Os olhos abriram-se.

Sentiu o fervor de um corpo que tocava o seu. Deslizava, indagava, o seu dedo pela textura suave de uma pele que emanava resquícios de paixão, de loucura. Um áspero dominou o seu toque, a sua sensibilidade. Um relevo no seu dedo.

– O que será?

Eram 13h07 de domingo, 15 de dezembro de 1997. Manuel solenizava a sua primeira noite de casado…

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