Traços de Cultura

Falar em cultura, associar a Portugal e juntar juventude só pode resultar em divertimento. Somos latinos, o sangue corre-nos com a veemência de quem sente que o amanhã ainda vem demasiado longe. Energia é uma palavra que nos caracteriza.

Não é obra do acaso termos diversas capitais da cultura, termos a capital europeia da juventude, a move da noite invicta a ser elogiada pelo New York Times, que já antes havia garantido que a diversidade do Bairro Alto definia a juventude portuguesa, com um tom sobejamente elogioso.

A cultura portuguesa não renega o seu tradicionalismo, conforme comprova a Bordallo Pinheiro com o relançamento dos desusados artigos de loiça (famosos na década de 90) em mercados externos, com principal incidência no brasileiro. Aponto apenas um exemplo, porque as diversas lojas de produtos portugueses, das célebres décadas de 60, 70 e 80, cada vez mais fazem furor nos elitistas mercados europeus, transpondo em alguns casos a fronteira oceânica. O vintage domina a cultura urbana, das grandes cidades, sendo nós um país de rendilhados e fortes tradições, de mão-de-obra cuidadosa e perfeccionista, de escassa produção, tornamo-nos exportadores de luxo e exclusividade. Apetecível para os mais endinheirados.

Cultura é também música, tendo o nosso fado sido reconhecido, recentemente, como património imaterial da humanidade, com toda a tradição criada por uma imortal Amália Rodrigues e hoje cimentada por uma jovial Mariza. Expondo apenas os casos mais flagrantes de internacionalização e salientando também que, nas mais diversas áreas da música, desde a alternativa, passando pela pop e culminando na dance, Portugal vai revelando nomes imergentes.

A forma como a literatura volta a estar em voga é algo que a todos nos regozija: a juventude e irreverência de José Luís Peixoto despertaram intrépidos leitores; a sobriedade de Lobo Antunes delicia os jovens, com forte interesse cultural, que vão partilhando textos seus nas redes sociais; a obra do controverso José Saramago há muito deixou de ser apenas uma obrigação académica.

Por tudo isso, falar em Portugal é falar em cultura. Seja ela feita, exposta e vivida na sobranceria de um teatro ou museu, ou alegria e diversão de um bar ou discoteca.

Vivemos cultura!

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