O bichinho da Seda

Não tive uma infância feliz por causa do bichinho da seda, mas também  tive uma infância feliz por causa do bichinho da seda.

Longínquos anos. Dizer que há uns 18 anos, se passou isto ou aquilo, remete por uma distância típica de quem tem uma longa história de vida sobre os ombros, para uma maturidade característica dos nossos exemplos de velhice e de existência. Mas a verdade é que já passaram mesmo 18 anos, desde que recebi o meu primeiro bichinho da seda. Uma caixa de ténis da Nike, com furinhos em toda a volta e lá dentro um casulo, um bichinho que iria crescer e se tornar outro bichinho que em nada tinha quer ver com aquele. Fascinante.

Aquele pequeno invólucro, branquinho, que um dia os asiáticos domesticaram para melhor aproveitarem a linha de seda – interesses comerciais – viria a tornar-se uma pequenina lagartinha. Não sendo uma animal propriamente belo ou deslumbrante, era a nossa primeira ligação com a responsabilidade, com a aproximação do desenvolvimento de um ser. Fazia parte do nosso aprendizado. Saudosos, mas guardados, tempos.

Hoje senti essa evolução passar-me em frente aos olhos, ao coração. Incrível, o meu pequenino afilhado não pára de crescer. Lembro-me de o ver na sala da maternidade, hoje exige-me: padrinho, padrinho, vem já jogar comigo! Baixinho, cabelo despenteado, depois todo espetado, olhar traquina, birras de quem sabe bem o que quer. Um castiço. Nem irei falar de como o irmão dele cresceu, da forma, como a ponto de mudar o tipo de ensino escolar, está um autêntico homem.

Divirto-me com as comparações, transposições, que fazemos de uns para outros: como ele é parecido contigo na vaidade; é igualzinho a ti nas birras que faz; é mais parecido com a tia na dedicação aos estudos;

Hoje, 18 anos volvidos, voltei a ter aquela doce sensação que tive aquando da abertura do casulo: orgulho. Como é deleitoso vermos pessoas, afinidades, crescerem. Faz-nos sentir pequeninos, felizes. No fundo, tudo o que pretendemos ser e ter na nossa vida.

Adoro-te afilhado, adoro-te crescimento… adoro-te vida!

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