Lloret del Mar – mais uma morte a lamentar!

Eu sou apenas mais um dos milhares de jovens que um dia passaram por aquela localidade catalã, para celebrar o final de uma fase das suas vidas. Festejando, talvez, similarmente o início de outra. Logicamente, que a festividade da adolescência, da pseudo-independência, também esteve presente em cada copo de vodka, de whisky ou shot.

Não vou abordar a, lamentável, morte do jovem português. Não o farei pelo respeito que tenho à dor dos que cá ficam, pelo desconhecimento do que levou à queda daquela varanda. Irei calcorrear outros caminhos, os caminhos de educações com as quais não concordo. Deixem-me reforçar, uma vez mais, que em momento algum estarei a falar do jovem que fatidicamente perdeu a vida.

Esta viagem, feita por milhares de jovens portugueses anualmente, para Lloret ou Benalmadena, marca o final do secundário, torna-se um “grito” de libertação para os adolescentes que meses depois entrarão numa fase adulta. Estarão a viver sozinhos a quilómetros de casa, mesmo que não vivendo fora de casa, passarão mais horas fora do seu habitual círculo, do que nele. Tudo isto é o mesmo que dizer que estarão fora da alçada dos progenitores, daqui para a frente mantém-se apenas o que foram 18 anos de educação, a expectativa que as bases legadas sejam as certas. Esta viagem é o primeiro teste a essa instrução.

Diverti-me imenso nessa viagem de finalistas, mas contrariamente a muitos, dos que por lá passaram, não é das lembranças que guardo como mais relevantes. Não o é, como já referi inúmeras vezes, porque não guardo grandes expectativas do que são os ditos colossais acontecimentos. Sempre tive uma educação liberal, na base de escolhas minhas. O divertimento, os exageros, as loucuras, não eram uma novidade, já o tinha experimentado ou já o tinha observado. Já tinha mergulhado na tenção de algumas insensatezes, já tinha criado autodefesas para outras. É neste campo que eu penso que existem educações que pecam. Imagino a dificuldade que será educar um ser para o qual desejamos o melhor, no qual depositamos sonhos que um dia foram nossos, uma pessoa que amaremos até ao fim das nossas vidas. Educação será certamente das ciências menos exactas, mais pérfidas.

Não concordo com educações castradoras, que escondem o errado, que limitam os lapsos típicos da idade. Não concordo porque um dia os meninos perfeitos sairão da asa dos pais, encararão de frente as tentações, estarão disponíveis para o erro e não terão autodefesas, estarão mais vulneráveis. Já fiz loucas viagens, já estudei fora duas vezes, já fui a milhares de jantares, invariavelmente os que escolheram os piores caminhos foram os que um dia tinham sido perfeitos. Os que atingiram a idade adulta sem nunca ter errado, sem nunca ter saído à noite.

Isto é uma mera opinião, de um jovem que esconde os seus erros por baixo do tapete do que é hoje, do que conquistou. Eu não me envergonho das asneiras que fiz, elas fazem parte de quem sou. Quem hoje me elogiar, estará a louvar, igualmente, devaneios dignos de um idiota, divertido mas idiota. Se não acreditam, perguntem aos meus amigos.

Pais, obrigado por sempre terem confiado em mim, por mesmo quando eu não merecia me terem voltado a dar um voto de confiança. Eu sou 80% de vocês, 10 % de mim e 10% de alguma coisa que um dia descobrirei, um dia distante. Adoro-vos!

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2 thoughts on “Lloret del Mar – mais uma morte a lamentar!

  1. Assunto da ordem do dia, com o qual me identifico e tenho algo a dizer, por ter sido um dos milhares de jovens que outrora por lá passou, como tu.
    Em relação ao sucedido, ainda não se apuraram os motivos (creio), somente se confirma que não se trata de ‘balconing’.
    Ora portanto, começo por aí. De facto, já vi vídeos no YT com este fenómeno precisamente em Lloret… Por diversão, por loucura, por falta de consciência ou mesmo derivado ao consumo de álcool ou seja o que for, saltar da varanda para uma piscina não é um acto muito racional, a menos que seja realizado por alguém experiente, e assim deverá ser ladeado de um rótulo “Manobra realizada por profissionais. Não faça isto em casa!”. Infelizmente, este tipo de ‘manobras’ são realizadas por muitos jovens em Lloret e provavelmente em muitos outros destinos turísticos desta época, o que os coloca numa situação de risco elevada, que poderá ser facilmente evitada. Não tenho certezas que foi uma qualquer perícia deste género que gerou este trágico fim, mas suspeito que não andará muito longe.
    Naturalmente que Lloret não se faz de estar somente na piscina do Hotel… E o problema é precisamente que uma fatia dos jovens que anualmente se dirigem para este local para festejar o final do ensino secundário carece de ‘pré-experiências’. Com este termo refiro-me precisamente ao facto de, como apontaste, de teres tido vivências fora do controlo dos pais, onde pudeste conhecer o que de bom tem o mundo ‘independente’, tal como o menos bom. O grande perigo está precisamente na parte dos adolescentes que nunca tiveram esta vivência… Estão nus e expostos a todo um novo mundo, com coisas boas e muitas coisas más (ou perigos, digamos).
    Por outro lado, acho que a viagem de finalistas, pelos pontos positivos e menos positivos, é uma experiência rica para o desenvolvimento social de qualquer pessoa. No entanto, é preciso ter juízo e saber definir o certo do errado. Se estes valores estiverem bem definidos, o proveito será enorme.
    Por fim, e como deve ser expectável pelos pontos apontados anteriormente, concordo integralmente com a visão aduzida.
    Abraço!

    • O teu comentário vai exactamente ao encontro da mensagem que quis passar. O que pode ser algo de bom, de enriquecedor, pode igualmente ser trágico se não existir uma antecipação dos perigos. Quando digo antecipação não digo avisos, digo vivências. Podes dizer a um bebé mil vezes que se ele bater na mesa vai-se aleijar, até ele bater nela nunca vai ter cuidado, precisa de sentir a dor por ele se não não a percebe. No resto da nossa vida não somos muito diferentes.

      Abraço

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