Aveiro, Aveiro, as saudades que te guardo!

Tantas e tão boas vezes o meu dia desembarcou na, renovada, estação de Aveiro. A azáfama matinal, alhada nos olhos ramelados, nas correrias de quem segue atardado, na calmaria de quem não tem urgência de principiar o seu dia, na juventude dos estudantes, na responsabilidade dos engravatados, no comprometimento dos homens e mulheres de meia-idade. E em mim, que simplesmente acordava, como por magia, assim que o comboio abicava numa das linhas da estação. Seguia nas minhas meditações, reflexões, naquela breve caminhada até Esgueira. Para assim que chegava, sem excepção, dizer:

– Posso, professor? Desculpe o atraso! – Era uma leviandade que hoje não me posso dar ao luxo.

Diversas vezes a estação acolheu-me de forma diferente, de forma mais calorosa. Era final de tarde, esperavam-me os jantares de curso, os jantares de amigos ou simplesmente os jantares. Na vida académica esta palavra – jantares – possui uma magnificência apenas percebida por quem por lá passa. Mudava o rumo, era a Lourenço Peixinho, a afamada Lourenço Peixinho, que me acolhia, me aceitava de braços abertos. Hotel Imperial, Afonso V, ‘Caracol’, Aquário, eram o menos o relevante, interessava somente a companhia. Os amigos. Os que lá ficaram, que foram companhia unicamente naqueles 3 anos e meio, os que já trazia de uma juventude alimentada de amizades e os que criei. Os que criei para a vida. Foram eles que fizeram a minha apaixonada visão de Aveiro.

O velhinho ‘Club 8’, hoje NB, o famigerado ‘BE’, a Praça do Peixe, o Golfinho, o Galeão, o Café da Praça, o Santos, o Muralhas, o Convívio, o Ramona, o parque de estacionamento do estádio com a Recepção ou Enterro, entre outros, foram a personificação da sede de viver, típica da idade, da época da vida. A escolha da palavra sede não é aleatória.

A ria, a sublime ria, a reflectir de forma cristalina o meu olhar. A trazer de volta a mim os sonhos que eu libertava pelos meus olhos castanhos. Será que enquanto caminhava, paralelo a ela, estaria a construir as bases para o mundo se tornar meu? Ainda hoje não sei, mas ainda hoje sonho com isso. Ainda hoje acredito nisso.

Aveiro, sei que me recordo mais de ti do que tu alguma vez te recordarás de mim, mas foram 3 anos e meio que não esquecerei. Não esquecerei pelo teu brilho, pela tua classe, pela forma como emanas glamour, pela forma carinhosa como, dia após dia, acolhes e recebes tantos jovens, pelo jeito como alimentas os nossos sonhos, como lhes dás vida. Não te esquecerei a ti, nem aos que me apresentaste. Os amigos, os que ficam para a vida!

As saudade que te guardos, que acalmo a cada visita, são meramente a prova da nossa cumplicidade!

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6 thoughts on “Aveiro, Aveiro, as saudades que te guardo!

  1. Em vesperas de partir e deixar a minha cidade,penso como seria ler isto daqui a um mês..a lágrima já estaria no olho. Essa ria de aveiro de que falas é um dos pilares do meu crescimento, ponto de força e referência para tanto da minha vida..A ria de Aveiro é o labirinto dos promenores escondidos,da beleza pura, que tão poucos conhecem.E é giro ver como apenas um pequeno braço que entra pela cidade, desperta algo diferente mesmo no meio de tanta agitação da cidade..é apenas um dos caminhos, um dos muitos que te leva a algo de maravilhoso.

  2. não tenho mt a dizer, pois tu disseste tudo! Infelizmente nunca estudei na UA, mas é gratificante saber que todos levam Aveiro no coração! e já agora, para quando uma visita?! abraço

    • Eu também não, estudei no Ipam 😀

      Estive ontem e hoje por Aveiro no AtUAliza-te e dei uma fugida à Barra para almoçar, mas pouquinho tempo, nem te avisei! Entretanto comunicamos 😉

      Grande abraço

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