Porto, o belo e fascinante Porto: a zona com mais falências

Seguindo uma lógica, uma triste lógica, o aumento das falências em Portugal este ano em comparação com o transacto, em igual período, é relevante. Juntando a esta, pesarosa, notícia acumula-se outra: Porto, a região do país com mais falências.

Fiquei contrafeito. Pela proximidade geográfica à minha residência, assim como ao meu emprego, e não deixando de lado o encanto que nutro por esta, bela, urbe. O meu clubismo em nada influencia esta paixão.

Assim, não consigo deixar de me perguntar: Mas é mesmo o Porto onde há mais falências? Aquele Porto onde num instante passamos da Trindade para os Aliados, descendo, enquanto absorvemos uma nostalgia, que só os que por lá passaram podem decifrar? Aquele Porto que na histórica estação São de Bento acolhe, diariamente, milhares de pessoas que se dirigem para as aulas, para os empregos, para as compras, para passear ou simplesmente para mais um dia? Aquele Porto de onde podemos observar o Douro da Sé? Aquele Porto que permite palmilhar uma Ribeira que nos deixa embeber as energias do rio ao mesmo tempo que prezamos as marcas do, consagrado, Vinho do Porto, que caprichosamente se colocam do lado de Gaia? Aquele Porto onde nos deixamos levar pela imponência da arquitectura do Gustavo Eiffel? Aquele Porto onde podemos passear, de mão dada ou num grupo de amigos, numa Foz, que não sendo uma praia formidável é atraente por tudo o que simboliza? Aquele Porto onde existe um “Queimódromo” para os jovens estudantes, e não estudantes, exaltarem a felicidade de viver os melhores anos da sua vida? Aquele Porto onde existe uma Boavista, com casas que pertencem ao imaginário de todos os que por lá passaram, onde se respira glamour e onde se vai poder encontrar uma, bela, Casa da Música? Aquele Porto em que podemos entrar no mundo de Serralves? Aquele Porto onde existe um mítico mercado do Bolhão? Aquele Porto do emblemático Piolho, que simboliza a irreverência da juventude e da cidade? Aquele Porto que numa praça tem os leões a defende-lo? Aquele Porto que tem uma das zonas industriais mais alegradas do país? Aquele Porto que na baixa, à noite, se dissolve num misto de estilos, que vai do metaleiro ao cliente do Twin’s? Aquele Porto onde se encontra um Coliseu com concertos memoráveis na sua biografia? Aquele Porto que possui um Campus Universitário, que dia após dia, fornece ferramentas a jovens que carregam em si o sonho de conquistar o mundo? Aquele Porto que tem uma parque da cidade, qual Central Park português? Aquele Porto que mistura as cores sombrias das casas com a alegria de um rio que o mergulha? Aquele Porto que me conquistou? Aquele Porto que tem tantas mais coisas que eu aqui podia narrar?

Não consigo deixar de me questionar sobre tudo isto! Oh, belo, Porto!

Finalizando, e sem ligação aparente, apresento-vos o meu inicio de dia:

Na busca de uma energia que nem sempre é fácil de descobrir, em dias como os que vivemos!

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2 thoughts on “Porto, o belo e fascinante Porto: a zona com mais falências

  1. Caro Ricardo,

    Este post foi mesmo a puxar por mim.. o meu Porto, o nosso Porto..
    Como dizes, o Porto de quem por lá passou e de quem anseia lá ir parar de novo.

    Fabulosa a forma como descreveste a cidade do Porto, que nostalgia, que saudades… E mais.. O Porto da circunvalação, que nos leva a comer as tripas à moda do Porto ou as saborosas francesinhas. O Porto do Palácio da Bolsa e do Palácio de Cristal. Esse mesmo, o da Igreja dos Clérigos, da Lapa e da Batalha. O que tem as 7 pontes, o Forte de São João e o Castelo do Queijo. Aquele Porto que até tem a Livraria Lello que tem uma escadaria imponente e que foi considerada a 3ª melhor livraria do mundo em 2011.

    O Porto do Rui Veloso e do seu “Porto Sentido”…

    Não querendo falar de crise económica, o que potencia o teu tema de hoje, prefiro lembrar-me e evidenciar, como já o fizeste, as recordações que trago comigo desse Porto, (que nos dias de hoje se envolve de despedimentos…) Penso que só assim é que o conseguimos trazer de volta.

    Sim… o Porto, a Cidade Invicta!..

    • E por muito que continuemos a escrever, a descrever, a relembrar ou a transpor, ficará sempre aquém! Mais ainda para ti!

      É uma cidade de encantos, viciante!

      É verdade que o mote foi a crise, mas é mais verdade ainda que o que me moveu a escrevê-lo foi quanto gosto – mais a cada vez que lá volto – daquela cidade. Não é ampla, nem é fechada, não é totalmente feliz, nem é triste, não é enorme, nem é pequena… é sugestiva, enigmática e encantadora!

      Não vivi lá, conforme tu o fizeste, mas a amizade que me une a pessoas como tu, que são amigas e lá viveram, fazem-me ter aprendido a gostar dessa Invicta com que terminas o comentário!

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