Condução do veículo da vida

Existem homens e mulheres, brancos e negros, cultos e incultos, ricos e pobres, inteligentes e menos capacitados, felizes e infelizes, esperançosos e pessimistas, desenrascados e atados, mas no fim todos sabemos que acabará. Existem dois pontos comuns na diversidade que é a vida de cada um: a certeza de um fim e a escolha.

É sobre essa escolha que se define a nossa vida. Como dizia Miguel Sousa Tavares no início de Equador, humanizando a personagem de Luís Bernardo Valença: «Se soubesse o que o futuro mais próximo me reservava (…)».

O “se” é um dos grandes definidores da vida que temos em permuta da que poderíamos ter. Esse “se” é a substituição de uma borracha na escrita da nossa vida. A simples escolha da roupa para um, banal, dia pode definir a fortuna do meu futuro. Não raras vezes, pessoas foram escolhidas pelo seu estilo para hoje fazerem sucesso nas passerelles de Milão, Paris, NY, etc. E se naquele dia tivessem escolhido umas calças de fato de treino, uma t-shirt velha e uns chinelos para sair de casa? Estariam onde hoje estão?

Se, se, se, se e se. Tudo se envolve no “se” e se desvanece nos “enfim”.

Se eu tivesse escolhido aquilo e não isto? Enfim, foi o que o destino quis!

Poderei eu crucificar-me pelo dia em que guiava o meu velhinho Renault 5, vermelho, e com uma bifurcação em frente optei pela direita em detrimento da esquerda? Não, não seria justo para a pessoa que hoje sou cogitar que poderia ser outra distinta. Digo isto para me apear de culpas, de uma consciência, que poderia ser ainda melhor do que o que hoje sou. Não esquecendo, em momento algum, de culpabilizar o destino por essa escolha. Temos o dom, a capacidade, de a qualquer momento culpabilizarmos o intangível pelo que é a nossa vida. Quem é o destino? Se não o conheço como pode ele controlar a minha vida? Posso ligar-lhe? Ele fez escolhas que eu não queria para a minha vida, gostava de dar-lhe um ralhete.

Todo este peso, esta sensação de carregar às costas uma vida que nunca vivemos, só pode ser dominado por uma certeza absoluta que a escolha que fizemos foi a acertada. Foi a acertada porque naquele momento não sabíamos, nem conhecíamos tudo o que hoje sabemos e conhecemos. Pela certeza que por pior que possa parecer o caminho que hoje trilhamos, não temos como saber se o alternativo poderia ser melhor.

Talvez pelo bafejo de sorte, não esquecendo o que foi esforço meu e excluindo determinados detalhes que também me definem, eu não serei a melhor pessoa para escrever este texto. Não serei porque para desgosto dos pessimistas, dos excessivos pensadores, eu sou feliz com as escolhas que fiz. Não posso garantir que tenham sido as melhores, mas se com elas não for bem-aventurado não estarei mais do que a afirmar que não aprecio quem sou. E eu aprecio, gosto de ser o Ricardo ou o Ral, o filho ou o neto, o namorado ou o amigo, o simpático ou o desconfiado que sou. Gosto!

Certo ou errado, melhor ou pior, apreciem quem são, que os outros também apreciarão!

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