Tu queres é fama!

Todos temos um desejo interior de fama, de reconhecimento. Porém o reconhecimento e a fama são caminhos diferentes, distintos, díspares, longínquos, mas estupidamente confundidos.

Reconhecer alguém pelo seu trabalho é: admirar; idolatrar; respeitar; servir de exemplo.

Alguém famoso é: quem não tem privacidade; quem é bonito; alguém que se imagina com uma vida perfeita; alguém que ora se admira, ora se detesta; alguém que é solitário;

Esta definição é no mínimo discutível, mas não resisti a exibi-la. Eu desde a minha adolescência sonhei com a fama, ora pela música, ora pela televisão, ora pelo cinema, no fundo não interessava por onde. Interessava era aparecer em discotecas, em shoppings, em bares e restaurantes e toda gente me conhecer. Toda gente saber quem sou e olhar-me com a distância de, eu, nem real parecer. Sempre, mas sempre, me fascinou.

No entanto, eu fui crescendo e outros foram morrendo, e isso fez-me ter vontade de ser reconhecido e não famoso. Porque reparem, Ronaldo, Bono, Steven Spielberg, e por ai fora, são reconhecidos. Dentro de uma área famosa, o que mais deles sobressai são a sua dedicação, dom e qualidade para os seus respectivos âmbitos de trabalho. Balotelli, Macaulay Culkin, Amy Winehouse, entre outros, desperdiçaram a parte do dom, esqueceram a entrega e tornaram-se apenas famosos. Pelo que é sua a vida e não o seu trabalho. É exactamente neste ponto que eu distancio a fama do reconhecimento.

O que mais vos faz ter medo? Eu excluindo o falecimento, que significa o fim, escolheria a solidão, que pode mesmo levar á morte. Quando falo em solidão, não falo de estar sozinho em casa, ou ir ao cinema sem companhia, falo de estar no meio de dezenas, centenas, milhares, milhões de pessoas que sabem quem somos e mesmo assim sentirmo-nos isolados, desprotegidos, sozinhos. Conseguem imaginar o quão angustiante se pode tornar uma vida assim?

Todas as pessoas que desvirtuaram o seu dom e trabalho, tornando-os apenas reconhecidos por um dia terem existido, ficam desconfiadas, solitárias, levando-as novamente a aumentar os índices de fama: mortes mal explicadas, suicídios, overdoses…

Como nota final…

Quando me virem, digam:

– Eu reconheço-te, Ral!

Nunca me digam:

– Olha o famoso, Ral!

Ainda quero viver muitos e bons anos.

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