Parem de insultar o meu homem!

Que homem!

Como sabem, eu não falo de política, mas que me lembre nunca disse que não falaria de políticos. Por isso, não consigo deixar de confessar a paixão assolapada que tenho por esta bonita personagem que está do meu lado esquerdo (foto).

Suspiro quando o vejo. Ou será que respiro fundo para me acalmar?

Comecei a nutrir uma paixão, por ele, ainda as eleições estavam por começar – elas ainda não se tinham iniciado e ele já as tinha ganho – mas o desejo, aquele completamente extasiante, surgiu quando ele sem precisar de falar para ganhar se decidiu, heroicamente, a falar. Resultado: perdeu margem para um esgotado Sócrates. Que charme, que classe!

Este desejo/amor foi-se alimentando na lua-de-mel, quando ele em palavras meigas e doces me ia sussurrando ao ouvido: Não estava programado eu ter que fazer isto, mas vai valer a pena quando os Senhores do FMI disserem que somos um exemplo. Eu ainda lhe perguntei se eles se querem reparavam em nós. É que quando era para negociar alguma coisa expediam os assessores dos escriturários. Novamente derreteu-me, com um longo: SSShhhiiiuuuu, quem manda aqui sou eu – Que arrepio a descer pelo corpo!

De rotina em rotina ele conseguiu voltar a fazer-me sentir borboletas na barriga. A força daquela personalidade, aquele estilo de homenzarrão, a dizer: Isto não é altura de tradições, é para quem quer trabalhar. Ui, como ele me encanta com aquele requinte de mauzão, não querendo saber de  pessoas tristes e desmotivadas, não lhes dando um segundo que seja de sorrisos e esperança, só interessado nele, na imagem dele para as pessoas que o ignoram. Não lhe interessando perceber que sem os outros ele não é ninguém, apenas focado no seu sucesso pessoal. Tudo isto não esquecendo os amigos (mais uma qualidade que admiro), numa altura que diariamente o desemprego aumenta ele consegue sempre fazer mais uma nomeação. Só um grande homem consegue fazer estas coisas!

Agora vem o momento que eu percebi que não consigo viver sem ele. Encheu de patriotismo a sua voz, mesmo cansado pelo quanto se tem esforçado nestes tempos de crise, e disse: Não sejam piegas! O meu mundo tremeu, conquistou-me para sempre! Que tirano, que autocrata, que opressor… que homem!

Como nota final: Deixo uma vénia ao Saramago. Em vida disse diversas vezes que o que mais indignava era existir 1% da população mundial que criava problemas e vergava os outros 99% a isso.

PS – Não empreguei as aspas durante o texto porque nunca terei, sequer, a classe de citar com exactidão o meu (nosso) homem.

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9 thoughts on “Parem de insultar o meu homem!

  1. Não posso deixar de comentar este texto porque também suspiro quando vejo este senhor. Aliás, às vezes até gosto de julgar que foi SÓ pelo seu charme que o PSD recebeu tantos votos, até mesmo de determinados indivíduos que nem simpatizantes do partido eram(!). Não simpatizavam, mas foram rapidamente rotulados de desvairados por acreditarem que as políticas de direita (incluindo o seu charme, e os excessos) e as trapalhadas deste senhor podiam ‘salvar o país’… ainda que muitos tentem frisar que estes votos foram uma forma de exaltar o castigo ao José Sócrates.
    Na verdade, e aproveitando o que este senhor disse recentemente – ‘Não sejam piegas!’ – só tenho a dizer que no dia em que os portugueses deixarem realmente de serem piegas, néscios(1) como ele não serão elegidos para o governo! Chega até a ter piada, a forma como a pieguice leva a tomar atitudes ridiculamente sentimentais, em que um homem com um perfil charmoso é capaz de se impor a tudo aquilo em que um individuo acredita(!!!).

    Bem, mas resta-me concluir que os desvairados receberam em troca a recompensa com estes ‘insultos’. Aliás, ele não só falta ao respeito aos indivíduos a quem quer chupar tudo, como também nos deixa na descompostura: consentindo a fraude fiscal, soterrando milhões no BPN, estabelecendo recessões sociais, e dando lugar à escravatura (mas só para quem quer, porque eu: amanhã já cá não estou!)(!!!!)

    (1) (mas, vá lá … ao menos desta vez foi um imbecil com voz sedutora.)

    – suspiro –

    • Joana, permite-me dar-te os parabéns pelo comentário e agradecer a participação.

      Com muita pena não consigo recordar-me do nome, ou sequer do seu cargo, sei apenas que era alguém sem peso partidário. Alguém que possivelmente seria um mero afiliado, mas da JSD. Sim, do sítio em que este senhor veio em crescendo. Que aquando das primeiras análises ao perfil de Passos Coelho – juventude irreverência e o, supracitado, charme – dizia que os portugueses se estavam a deixar levar num jogo de sedução, não pouco comum, num homem que tinha apenas sede e ânsia de poder. Que seria uma questão de tempo até soltar as suas garras e demonstrar toda a sua arrogância. Infelizmente para mim, para ti, para tantos outros, ele estava coberto de razão. Uma voz do povo, com ligação partidária ao citado, o que devia enaltecer a imparcialidade, que nos avisava, mas por contingências (interesses) não se fez ouvir. Tirando meros blogs, nos quais pude ler.

      Digo-o resignado: É o que temos!

  2. Ainda não encontrei a reprodução da tsf, mas duas pessoas que ouviram em directo na tsf a mensagem desse homem, disseram-me que para além de dizer para não sermos piegas, terá dito igualmente nem que mordam a língua.
    Excelente exemplar de comunicação este senhor sem dúvida, ainda consegue ser pior que eu, é caso para dizer que quando estamos os dois calados somos poetas 😉

    Uma coisa que realço do teu comentário é a de ele querer agradar a quem o ignora, e isso é uma verdade, problema que também atravessa a nosso sociedade, porque admitimos perfeitamente que gostem ou não de nós, mas sermos ignorados por quem conhecemos é coisa que ninguém gosta, o que nos leva a fazer esforços para sermos notados que não faríamos por pessoas que os merecem muito mais do que essas pessoas, mas o ser humano é complexo e por vezes irracional.

    Ao querer impressionar a Alemanha está a prejudicar os Portugueses, que estão a pagar a factura sem levantar grandes ondas como vimos na Grécia e na França, por ex:, e pensa que terá que aguentar os 4 anos pq o Presidente da República é da mesma cor e está no último mandato, daí não ter benefícios em dar-lhe um pontapé no traseiro.

    Mas não se pode estar sempre a bater no ceguinho que o ceguinho de tantas que leva acaba por topar onde está o agressor e dá-lhe com a bengala na cara.

    Quanto às nomeações ele não só não se esquece dos amigos como dos familiares dos amigos, quase que dá para fazer uma árvore genealógica entre as pessoas nomeadas por este governo e todas com vencimentos módicos de 3.400,00 € para cima, fora as regalias.

    Mas para que é que serve ter-se poder se não for para ajudar os nossos amigos que são pobres e necessitados que estavam todos ou desempregados ou a receber vencimentos bem mais baixos?

    E convém uma pessoa falar baixo que passam já todos os meses do calendário a ter 31 dias, incluindo o mês de fevereiro porque esta crise vai servir ainda como desculpa para muito mais medidas destas.

    • Desde que o seu lugar se tornou seguro que tem sido uma enxurrada de discursos altivos e pouco patrióticos. Com uma soberania de quem, claramente, apenas pretendia poder. Eu pergunto-me inclusive se não existisse a Troika se ele teria um plano de governação. Algo que tantas vezes lhe foi solicitado e ele, como uma cassete riscada, repetia que no momento oportuno surgiria. Não vislumbro momento mais oportuno que este, poderá ele mostrar-me esse plano? Não quero ver o que os senhores que vendem dinheiro fazem, quero ver o dele e de todos esses nomeados de alto gabarito.

      Em forma de conclusão, deixo-te mais uma preciosidade dele, que denota bem a relevância que ele dá a quem lhe permite ocupar esse cargo de poder que tanto ambicionou:

      “Nas eleições as pessoas que façam o que entenderem!” Serei só eu que noto um: «quero lá saber.» no meio destas declarações?

  3. politiquisses à parte, só mesmo para comentar que o “teu (nosso) homem” viveu os últimos anos em espanha e que de lá, dava entrevistas tão patrióicas como “Saramago afirmou que a integração entre Espanha e Portugal é uma forte probabilidade e que os portugueses só teriam a ganhar se Portugal fosse integrado na Espanha, país no qual se auto-exilou (na seca e lunar ilha de Lanzarote) e que viu como seu a atribuição do Nobel da Literatura”
    Por muito que seja um nobel e português, não se deve usar este exemplo para justificar a política portuguesa..ou estou errado?

  4. Ah, eu tb admito que não sou nenhum exemplo para comentar política, visto que, fiz o mesmo, sai do país..mas claro que ninguém disse ao sr saramago para o fazer, a mim, foi o meu primeiro, pessoa que mereceu o meu tão desejado voto, que me incentivou a sair..ahah (a pior saida dele, apesar de ser aquilo que todos pensam..)

    • Merêncio, quando me refiro ao meu/nosso homem, refiro-me ao Pedro Passos Coelho, não ao Saramago.

      Quando faço a vénia é a essa constatação de facto que ele fez, não obrigatoriamente à obra ou vida. Ainda assim te digo, que se bem te recordas, ele de certa forma também foi convidado a sair. O seu livro ” O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, lançado em 1991 (muitos anos após o fim da ditadura), foi censurado pelo governo português! Se agora partes por não teres a hipótese de cá trabalhar, não será algo semelhante? Imagina tantos anos após o 25 de Abril, veres uma obra tua ser censurada pelo teu próprio governo, como aceitarias?

      Por isso te digo que ele é mais um exemplo de quem sofreu na pele a negligência das políticas portuguesas. Um autor que cá é censurado torna-se Nobel e ai queriam a atenção dele? Queriam a palavra amiga e elogiosa? Não me pareciam merecedores. Como ele mais que uma vez referiu: Eu não virei as costas ao meus país, virei as costas a quem toma conta dele!

      • Certo, pensava q qd t referias ao nosso homem, estavas a referir-te ao Saramago..e sim, nesse ponto de visto, ele saiu porque de alguma forma o censuraram..ou então alguma isenção fiscal..mas sim, tens a tua razão no que dizes no texto, apesar de também achar que realmente é necessário dar uns quantos “Passos” atrás para dar um só a frente..e como sempre, todas as mudanças custam..e obviamente está a custar aos nossos bolsos e à nossa paciência. É mais um mandato que não sabemos ao certo a quantas andamos, espero bem que tanto esforço possa vir a dar um ou dois frutos que seja, há sempre “primaveras” assim, apesar de este nosso “inverno” estar a ser bastante rigoroso e custoso..

  5. Não consigo deixar de elogiar a tua analogia 😉

    No que se refere às isenções fiscais, muito sinceramente não tenho a certeza, por isso não me pronuncio. Referi apenas o que é um facto inegável e que para mim (realço o para mim) justifica plenamente a sua saída do país.

    Concordo também quando dizes que por vezes é necessário dar dois passos atrás para dar um em frente. Não concordo é que quem nos obriga a dar esses “passos” atrás, não só não agradeça como julgue quem o ajuda nessa matéria. Eu não discuti aqui política, apesar de ele não ter tido o meu voto, porque todos sabemos que os nossos problemas não vêem da governação dele. Sinto apenas uma revolta enorme de com ele estarmos a chegar a sacrifícios nunca antes vistos e ainda assim ele acusar o povo, a nação, que ele governa e deveria defender, e não o contrário, de pieguice! Eu aqui mais que a política critico a tirania e mau carácter desta pessoa que nos governa.

    Como eu sempre disse, aqui não falo de política, falo de pessoas… e esta pessoa revolta-me pelo mau carácter que demonstra, sem receio de juízos de valor, pela soberania que o (infeliz) voto do povo lhe deu!

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