Temos que levar a mal porque é Carnaval

Desde o início deste blogue que afirmei que não iria falar de política. Mantenho a minha posição, por isso falo de direitos sociais. Se porventura disser algo relacionado com política, ignorem, foi uma vez sem exemplo.

Foram retirados subsídios de férias, foram encurtadas as férias, foi aumentado o Iva, foram eliminados feriados, aumentaram (e muito) os preços do sistema de saúde, passou a pagar-se em todo lado para circular de carro, aumentou-se os transportes públicos e agora foi retirada a tolerância de ponto do carnaval, que é o mesmo que dizer que se restringiram os sorrisos.

Neste momento eu apenas consigo ver o estado como uma empresa. Uma empresa obsoleta, arcaica e desajustada. Não existe preocupação com a motivação dos seus funcionários, não procura saber as necessidades dos seus consumidores, limita-se a fazer esforços para manter os fornecedores. Compra e depois espera que o mercado absorva, por falta de concorrência, por falta de opções, por uma resignação avassaladora. Não existem direitos sociais, não existem preocupações económicas, existe apenas uma máquina calculadora de subtrair. Subtrair: dinheiro, direitos e felicidade ao povo.

A última partida de carnaval, deste nosso governo, foi tirar o carnaval. Três semanas antes de se iniciar mais uma jornada de boa disposição os nossos governantes decidem-se a eliminar os sorrisos, preferem um obediente, pobre e resignado povo, do que um povo que por algumas horas se esqueceria do mundo de penúria que se tornou este país. Assim sendo, professores e auxiliares de educação estarão nas escolas, só não haverá alunos, médicos e enfermeiros estarão nos hospitais, só não haverá cirurgias ou consultas, juízes e técnicos de justiça estarão nos tribunais, só não haverá julgamentos… e por ai fora. Brilhante, Sô Doutor!

Eu não sou ninguém para debater política, pergunto-me apenas se quem nos governa não percebe que esta tolerância de ponto faz movimentar a economia. Não tendo a certeza absoluta, tenho uma desconfiança, que a Camara Municipal de Ovar é das poucas do país que tem as contas regularizadas ou próximo disso. Oh Coelho, já te ocorreu que isso pode ser por causa do movimento económico e financeiro que o Carnaval proporciona? Já te ocorreu que se a autarquia dá apoios, aos grupos, também é com dinheiro vosso? Ou seja, se fazem com que o Carnaval seja um fiasco, vocês também perdem? Já pensaram que num feriado religioso as pessoas descansam mas nesta tolerância de ponto gastam dinheiro, fazem movimentar a economia? Já pensaram até na quantidade de cerveja que é consumida pelo país na véspera desta tolerância de ponto? Sim, o Iva dela está a 25%! Já pensaram na quantidade bilhetes a 20 ou 25€ que vocês vão buscar 25%? Trocados não é? Então metam os professores, médicos e juízes, que ganham pouco, num dia sem nada para fazer, que é uma excelente medida. Otários!

Continuem essa cruzada por tapar um buraco financeiro, esquecendo as pessoas, esquecendo a economia e um dia serão vocês a viverem sozinhos neste desterro que se está a tornar Portugal. Sabem uma coisa, ao contrário do que eu disse anteriormente, a empresa do estado tem concorrência. Existe a França e Inglaterra para os jovens da área da saúde, existe o Brasil para os da gestão, existem as ex-colónias para os professores (como vocês já avisaram). Continuem, procurem elogios dos grandes da Europa e mandem f… quem faz o vosso país e verão o triste fim que terão.

Pelo menos sejam espertos e percebam que só se sai de uma crise movimentando dinheiro, fazendo circular a moeda. Não é a fazer inspecções às empresas privadas, numa busca incessante de as multar e marcar o final delas, não é impedindo as pessoas de gastar dinheiro, não é tirando direitos sociais às pessoas. Pode ajudar a pagar o que devem, mas também pára o país. E esses que vos vendem dinheiro, em breve, muito em breve estarão a rir-se de vocês e com o dinheiro no bolso. E nós estaremos de dívida controlada e… sem mão de obra especializada, sem empreendedores, sem dinheiro e quem sabe sem população activa. Já ninguém tem paciência para a vossa descontrolada obsessão por fazer de nós escravos de um, ou muitos, erros vossos.

Poderia ir até mais longe e perguntar a esses génios se numa conjuntura mundial destas, fazendo uma contramedida, criando um contraciclo, e baixando os impostos se não se traria investidores estrangeiros. Que andam sedentos de empreender, na hora que poderão fazer melhores negócios. Parvoíce minha. É muito melhor insultar alguém que, como todos os outros, passou o seu capital para o estrangeiro para não estagnar o seu crescimento. Alguém que cria milhares de postos de trabalho anualmente e neste país nem sequer tem capacidade de se financiar à medida do que pretende crescer.

Poderá parecer estúpido, mas eu não sou contra o aumento de poderes das entidades patronais. Querendo ou não, são elas que nos poderão dar a hipótese de trabalhar nesta, miserável, altura. Têm que estar salvaguardadas. Mas o nosso governo vai mais longe e dá com uma mão e tira com outras duas. Dá os direitos aos patrões e a seguir vai tirar-lhes o dinheiro. Assim conseguem um povo na miséria e uns patrões a fechar as empresas.

Como nota final: Quem me dera que o Passos Coelho brincasse ao Carnaval… não havia balão de água que eu falhasse!

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4 thoughts on “Temos que levar a mal porque é Carnaval

  1. Sobre a tua ideia de baixar os impostos para incentivar os investidores estrangeiros, lembras-te que no início desta crise europeia existiam dois países em pior situação que a nossa a Grécia e uma tal de Irlanda, que decidiu baixar os impostos sobre as pessoas colectivas para 15% e quase todas as grandes sociedades americanas transferiram as suas sedes para lá e tens ouvido falar da Irlanda estar em dificuldades económicas agora??

    O mal deste país é que quem governa faz contas de merceeiro e não as pensa logicamente, eles decidiram aumentar o iva em muitos produtos que estavam na taxa reduzida para os 23% da taxa média e calcularam as receitas da seguinte forma:

    Cada português gastou em média 1.000,00 € o ano passado nestes produtos e pagou 140,00 € de imposto.
    Assim sendo, este ano vão gastar o mesmo e vão pagar 230,00 € de imposto.

    Esquecem-se é do seguinte se o português está a ganhar menos e lhes retiram subsídios é evidente que não vai ter o mesmo dinheiro para gastar nesses bens, logo a receita não vão ser os 230,00 € por português, mas se calhar 150,00 € se chegar a isso.
    Logo, existirá um novo buraco nas contas públicas e toca a subir mais os impostos e a cortar das alegadas “regalias”, até que um dia isto estoura como se está a preparar para estourar a Grécia e depois quero ver como será quando os funcionários públicos nada receberem ao final do mês, quando os subsídio-dependentes perderem os seus subsídios, vai ser bonito vai.

    Quanto à perda da tolerância de ponto, até aceito em relação a determinadas zonas do país em que nem sequer sabem o que é o Carnaval e para eles é só mais um dia sem trabalho, agora nesta altura do campeonato a 3 semanas do início do Carnaval colocar em cheque a saúde financeira de várias câmaras por este país, é coisa que não se compreende, se ainda anunciassem:”Olhem para o ano não vamos conceder tolerância de ponto”, aí as pessoas e câmaras tinham que acautelar-se e fazer as contas à vida para o próximo carnaval, agora para este já estão as contas feitas e as despesas realizadas ao tempo, como é que se vai compensar a perda de receitas previstas??
    Cheira-me a que este ano se faltar dinheiro se vão fazer mais desfiles para compensar as perdas.

    Abraço

    • Estou plenamente de acordo contigo. É uma gestão feita a curto prazo, sem ambição de crescimento… existe apenas uma preocupação, desmedida, de sobreviver. Não existe sensibilidade aos números, tudo se resume a uma visão “empalada” deles. Não existe a capacidade, que deveria ser a principal, de um governo de perceber que atrás de números estão pessoas. Com vida e sentimentos.

      Quanto ao carnaval, como já foi repetido, o timming é ridiculamente despropositado e o fim da medida não me parece fantástico também. Se dizes que em alguns lados não ligam ao carnaval, é porque em outros se liga, logo existe movimento de dinheiro. E nos feriados religiosos, existirá movimento em algum lado? Só se for a esmola na igreja. Assim sendo, se é tão importante para eles eliminar feriados, que seguissem a lógica dos outros que tiraram, os religiosos… aos feriados de ócio!

  2. Não tenho como discordar contigo mesmo que quisesse (que não é de facto o caso)! o “feriado” do carnaval não é apenas mais um feriado como um dos feriados religiosos que foram abolidos!é um dia/época que envolve muito dinheiro e trabalho para muita gente…! sem falar na folia vivida pelo povo, que alivia um pouco o clima que se vive neste momento!…lá se foi muita da motivação de muito boa gente…!
    já tive uma ou outra conversa sobre este assunto, e opiniões foram lançadas, uma das quais que teria toda a lógica, visto todos os cortes, e visto que grande parte do país não vive o carnaval de forma tão intensa como o nosso ovar! agora (e também na altura) digo, então e por exemplo o porto, sem história nenhuma de carnaval?em que muitos jovens acham que é só mais uma noite, não é afectado?!é pois! basta abrir um qualquer site ou fb de umas das dezenas de discotecas e bares do porto e verificar que todos, todos têm festas programadas para esses dias, muitos deles(as) com dj’s convidados de grande renome, e por aí…simplesmente afirmo, é uma festa, mas não é uma festa qualquer! é nacional e movimenta muito dinheiro, muita economia…
    é um desânimo ver que nos conformamos e não se vè mais que conversas de café e pequenas entrevistas que criticam fortemente esta decisão do nosso amigo PM…

    boa publicação! 😉

    • A questão não é apenas essa Zão, é também uma questão de direitos sociais. Como o Miguel Sousa Tavares disse, ele falou em tirar-nos 4 dias, com este é o 5ª, começa a demonstrar que pouco se importa com as pessoas.

      Para além de tudo isto tem a capacidade de nos chamar piegas… parece-me que foi eleito um pequeno ditador! Com os princípios do avesso, ele não tem a capacidade de ver que uma nação é feita pelo povo e não por um engravatado que com o passar dos dias deixou de conseguir esconder a sua arrogância! Era giro os 10 milhões que cá estão irem embora para vê-lo ai sim a ficar todo piegas. Estou saturado deste homem, não só pela suas medidas, mas pela sua irritante arrogância e desprezo por quem faz o país que ele governa (a mando de outros)!

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