“Quando acordas e estás mortinho por te voltar a deitar!”

Foi-me lançado este desafio. Alguém desesperado pela sobrecarga de trabalho, pelo pouco descanso. Não esperava escreve-lo hoje, mas escrevo. Para vos contar a história de um rapaz que conheço.

Falo de um rapaz com cerca de 1,80m, com os seus vinte e qualquer coisa anos, cabelo escuro, já com alguns tons de grisalho, olhos castanhos arregalados, bem delineados por uma olheira de quem desvaloriza as horas de sono, rosto ligeiramente pigmentado, mascarado por uma barba sem desfazer, talvez de uns 4 ou 5 dias, que dá uma imagem de modernidade, aliada ao desleixo propositado. Lindo de morrer… diz ele!

Bem, decidi aceitar o desafio lançado, ajustado a este rapaz. Isto porque ele hoje acordou, cerca das 8h, com um despertador que lançava, ruidosamente, Marcelo D2. Por curiosidade, a música era «Á procura da batida perfeita», que bem se encaixa no dia dele. Seguiu num passo ligeiramente acelerado, respondendo à velocidade com que os segundos de manhã se movem, para a sua higiene matinal. Daqui nada mais a acrescentar, por motivos óbvios. Seguiu-se uma apressada, mas controlada, viagem de carro, sensivelmente 10 minutos para percorrer uns 25 kms, e aqui começou o desejo de voltar à cama. Enquanto o carro seguia a velocidade, nem exagerada, nem correcta, digamos que considerável, o seu pensamento teimava em ficar para trás. Não existia forma de arrastá-lo para uma secretária, ele teimava em puxar, com a mão direita, o lençol até à zona do pescoço, rodopiar ligeiramente o seu corpo para a esquerda, ficando completamente de lado, com toda a sua zona lateral esquerda a suportar de forma, estupidamente, comoda o seu corpo na cama. Tudo isto enquanto as pernas se moviam ligeiramente para cima, criando o que habitualmente se chama de conchinha ou cadeirinha, mas desta feita sozinho. Esta posição, o lençol e mantas até ao pescoço devolviam-lhe o conforto, o quentinho da cama, que aquele maldito despertador queria tirar.

– Tás a dormir ou quê? Vira, palhaço!!

Eis que um indivíduo de identidade desconhecida – sobre ele sabe-se apenas que conduzia um Seat Ibiza branco, que tinha cabelo escuro e usava óculos de sol – o acorda para a consternadora realidade que estava a chegar ao emprego.

– Desculpa lá, oh artista! – Exclamou ele, como uma necessidade de lhe responder e até desculpar-se. Mas mantendo sempre um tom, ligeiramente, depreciativo para não se amedrontar e mostrar soberania. «Eu é que sou!» – vangloriava-se ele!

Após dirigir-se ao escritório, cumprir religiosamente a sua rotina: ligar o computador; organizar a papelada para o dia; tomar um cafezinho;  Ainda pairava aquele arrepio, aquela lembrança bem presente: «A esta hora eu estou bem é na caminha!». Como em outras paragens já tinha exclamado um dos nossos atletas olímpicos.

Entretanto começaram a chegar os e-mails, a desdobrar-se para mais uma chamada e a sua cama foi-se diluindo nos seus pensamentos, agora virados para o trabalho. Porém, na hora de almoço, depois de “tachar” e sentar-se a tomar um cafezinho, esta história poderá ter mais capítulos. No entanto, isso já não vos contarei.

Boa sexta-feira para todos.

2 thoughts on ““Quando acordas e estás mortinho por te voltar a deitar!”

  1. muito gráfico!imaginei os momentos! hmm sabe sempre tão bem ficar sempre mais na cama quando temos que acordar…e aquele calorzinho tipicamente corporal deixado nos lençóis, sabe pela vida de manha!

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