Sr Professor, Sr Professor… PUMBA!!

Primeiro, deixem-me dizer-vos que sou um bom rebelde. Sou rebelde porque já fui um, dos muitos, que infernizava a vida de professores, de coleguinhas mais aplicados ou de outros mais afastados de uma vida social activa (digamos assim). E sou bom porque encontrei um rumo, porque melhorei. Mantenho uma saudável rebeldia.

Voltando atrás e sem vergonha de o dizer, até porque me encaminhou até onde hoje estou, fui um caso perdido. Ora não ia às aulas, ora ia e prontamente era convidado a sair. Vivi nisto alguns anos, desrespeitando colegas, professores e principalmente os meus pais, a minha família. Porém, um dia, um saudoso dia, comecei a ver que iria existir um futuro. Comecei a deparar-me com amigos de sempre a seguirem para um caminho que eu jamais poderia seguir, mantendo-me no que era o meu registo até ali. Percebi isto porque no meu lar, não era uma casa era um lar, os meus pais apontavam um desabitado olhar sobre mim, uma resignação assustadora, que até ali eu nunca tinha visto. O desespero latejava em todos os seus poros, multiplicavam-se as conversas entre eles de como conseguiriam dar-me um sentido, comentavam que eu já não era o ‘filhinho’ deles. Sempre me confrontaram, a mudança tinha que partir de mim, mas nunca me apoiaram numa loucura, desajustada a quem quer ter um futuro. Felizmente, segui o meu rumo.

Trouxe o texto até aqui não para vos contar um bocadinho da minha vida, mas por uma notícia com que ontem me deparei. Não é uma realidade nova, começa é a ir até um extremo de desnorteio. «Professor, de 62 anos, agredido à porta da escola por familiares de uma estudante». Com o desenrolar da notícia percebe-se que a estudante não era aluna do professor, que irrompeu pela aula dele pelo simples prazer de partilhar parvoíces, de perturbar. Colegas do professor garantem que não existiu contacto físico, apenas troca de palavras mais acesas (naturais da ocasião) e convite a sair. Não podemos ter a certeza do que se passou realmente. Continuando a notícia, a estudante era do 6º ano, suponho eu que pelo padrão do comportamento não deveria ter a idade respectiva, talvez uns 14 ou 15 anos. Uma criança. De seguida vem o que me assusta, o que me desperta uma curiosidade mórbida. Como eu contei, os meus pais não me apoiavam em loucuras. Nunca me bateram, admito, mas seguramente estiveram mais perto de me bater a mim do que a qualquer professor. Diga-se que eu até merecia uns valentes ‘tabefes’. No entanto, nesta notícia os familiares da estudante não só agrediram, como a frase de fecho de agressão, a ameaça final, foi: «Ela não é minha irmã, se não estavas morto!». Isto atemoriza-me em dois sentidos: primeiro, nem eram familiares directos; segundo, a criança pode fazer asneiras, nunca pode é ser chamada à razão. Professores não podem ter contacto físico, a alta velocidade, mas vêm-se obrigados a educar. Lembrou-me porque que o ensino nunca foi uma vocação para mim. São umas espécies de polícias: têm que manter a segurança, defender os valores, porem-se em frente às balas, mas nunca disparar, se não estão em maus lençóis. Arre, deixa lá o ensino, que para além de desemprego, garante um ringue de batalha.

Lembro-me de num dos posts anteriores estar a debater com o meu amigo Rui Valente, fiel comentador deste espaço, sobre a geração que ai vem. Eu defendia essa geração, julgando por esta aluna, podia ser um erro. Ele defendia a nossa geração, considerando a mais preparada de todas, julgando por os familiares desta aluna, ainda mais erradamente. Penso que ambos nos esquecemos que somos nós que fazemos e educamos a geração que ai vem. Continuo a achar que a informação deve ser livre, precisamos é nos, quem a cria, ter cuidado como a transmitimos. Palavras são o que são, actos são piores.

Nunca fui um santo, por isso nunca ouvi o ámen dos meus pais.

Hoje, aposto em nova nota final: a notícia seguinte foi um jovem brasileiro assassinado por espancamento à porta de uma discoteca, em Lisboa. Calma, ainda não acabou. De seguida veio a notícia que mais de 70 pessoas tinham morrido em confrontos, após invasão de campo, no Egipto. Deixo um bem-haja a todos os Hulk Hogans que nos preenchem os noticiários, sem vocês isto seria muito mais chato.

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13 thoughts on “Sr Professor, Sr Professor… PUMBA!!

  1. Neste não podia deixar de comentar..

    Foi um bom olhar sobre a actualidade, mas estes actos de violência não são de agora, nem serão os últimos. Secalhar inverteram-se os papéis com o passar do tempo! Não ouvimos os nossos pais falarem das réguadas da altura? ou das canas que serviam para quando iam ao quadro? nem precisamos de ir tão longe .. na minha escola primária isso acontecia, só não era comigo!

    A violência não é algo que acontece só nas escolas, ou só no desporto. Mas como tutores achamos imoral que se use a força para educar! Eu gosto de ensinar, e foram os melhores momentos da minha vida quando o pude fazer. Será q tive vontade de mandar uns tabefes? ah pois claro.. cada caso é um caso, e não vamos generalizar!

    Agora não podia deixar tb de comentar a fase inicial deste post, dizendo que sinto um orgulho estranho e enorme por te ter encontrado no patamar em que estás agora, pois tal como tão bem te descreves, e te abres para toda a gente que não partilhou esses momentos de rebeldia contigo como eu partilhei, eras um género de um caso perdido! Fico muito feliz por te ler assim, por te ver cheio de vida e de interesses. Nunca ngm duvidou que terias potencial, só não duvidou é que o irias atirar para o lixo! E agora aqui estás, a dar a volta por cima!

    Parabéns pelo trabalho do blog, um beijinho grande, e que tudo te continue a correr assim tão sorridentemente*

    • Primeiro, fico feliz por não conseguires deixar de comentar, saltando logo para o segundo, porque demonstra que nem todos vêm as coisas como eu. Eu quando me refiro à vida de professor, logo esclareço que não vejo qualquer vocação em mim para isso. Posso admitir agora, em comentário, não em texto, que talvez tenha curiosidade, até interesse, de dar formações. Por se tratar de uma faixa etária distinta. Professor de idades mais jovens não me sinto com vocação, de todo, talvez até pela experiência traumática que eu fui. No entanto, realço o prazer que é ver pessoas dedicadas, confiantes e crentes nessa área tão fundamental que é o ensino.

      Quanto ás reguadas dos antigos professores também não posso estar de acordo, até porque cheguei a senti-las na pele. Eu nesta área, como eu quase todas, não defendo extremos. Como chego a referir de forma indirecta no texto. Não defendo porque eles acabam por beneficiar uma única parte. Na altura das reguadas servia para professores libertarem o seu stress, exporem a sua autoridade, o que se vê hoje, serve para intimidar ao ponto de encaminhar muitos, injustamente, até doutores. Chega a existir coacção clara. “Nem tanto ao mar, nem tanto à serra!”, como dizia o outro!

      Quanto à violência, que concordo que não é de agora, espalhada por todas as áreas, simplesmente tenho a dizer que comprova o grau de ignorância não só português, como mundial. Os tais Hulk Hogans, que podem ou não ser loiros, mas garantidamente não são personagens da ficção.

      Quanto ao restante, bem verdade que o viste de perto. Tu, como mais 4 ou 5 que ainda hoje são amigos, tantas vezes me disseram que assim eu ia para lado nenhum e eu não ouvi-a. De repente ouvi e olha, não foi por vocês que mudei, mas também foi por vocês, por quem me ajudou.

      Beijinho e faço dos teus desejos os meus desejos.

  2. Talvez tenha sido mal interpretada ..Sou tudo menos a favor de qualquer tipo de violência e coacção .. Acontece que se acha que a geração anterior à nossa não era hiperactiva, não era autista, não tinha problemas de desenvolvimento nem psíquico nem motor! “No meu tempo levava uma palmada e acentava”. Afinal qual é o “tempo” mais coerente? Não consigo ser extremista em quase nada, e mais uma vez, cada caso é um caso! Não discordei, vi as coisas por outro lado 🙂

    É bom voltar à terra e ver desenvolvimentos como estes!
    Beijinhos meu amigo*

    • Não, não foste mesmo. Eu é que tive receio de ter sido, daí ter exposto as coisas de uma forma mais próxima à tua. Tentando demonstrar que mesmo tendo abordado as coisas por um prisma, ele é mais amplo que o que descrevi.

      Ainda agora disse que não sou de extremos, mas 2 minutos depois já não resisto a ser…
      Enquanto o mundo for habitado por pessoas dificilmente haverá coerência!

      Obrigado 🙂

      Beijinhos

  3. Depois de ler isto tudo, só tenho agora tempo para falar das reguadas.
    Tudo depende de quando e porquê são aplicadas a única que levei na minha vida foi dada pela tia do Merêncio (D. Zélia) que foi minha professora da 2.º à 4.º classe.

    O motivo é fácil de explicar: os meninos decidiram por livre recriação ficar mais 5 minutos a jogar futebol em vez de voltarem para a sala no final do recreio.

    Quem me conhece sabe que se depender somente de mim chego sempre a horas às coisas combinadas, mesmo sabendo que vão começar 1 hora ou 2 depois, tipo as jantaradas.
    Terá sido a reguada da qual nunca mais me esqueci? Ou será próprio da minha personalidade cumprir com o estabelecido e acordado previamente com terceiros?

    Nunca ninguém saberá porque levei com uma reguada a primeira vez que não cumpri com os meus compromissos horários e sempre faço tudo para os cumprir desde aí.
    Prefiro ter levado a reguada e ser como sou a nível de cumprimentos de horários do que não ter levado e arriscar-me a ser um Richard ou um Hugo por exemplo (LOL)

    Se forem aplicadas com fundamento, explicado o motivo das mesmas e com fins educativos não vejo mal nenhum nas mesmas, primeiro porque para além da dor momentânea e do vermelho vivo que fica a tua mão, que passado uns minutos desaparece, não deixa mais qualquer marcas, a não ser no teu pensamento que fica a ideia não voltes a fazer que senão levas outra.

    Ainda hoje me dou extremamente bem com a D. Zélia, como todos os meus restantes colegas, na altura havia respeito e muito mais educação em casa, porque se nesse dia eu chegasse a casa e dissesse aos meus pais: “A D. Zélia bateu-me só porque cheguei com 5 minutos de atraso.” Acham que eles iam a correr bater na D. Zélia ou eu é que levava um tabefe do meu pai que é para aprender a não me queixar dos outros quando a culpa foi minha?

    Nunca a vi a aliviar stress em nenhum aluno, apenas a castigar comportamentos que na altura eram considerados má educação, hoje em dia quem não chega atrasado é considerado parvo porque já sabe que a maior parte vai chegar atrasado e o objectivo não é cumprir com o horário combinado, mas simplesmente não ser o último.

    O professor antigamente era uma pessoa com autoridade e respeitada quer por educandos quer pelos pais, era visto como um educador em que muitos pais que não tinha possibilidades de dar educação em casa depositavam as suas esperanças neles, para que os seus filhos tivessem uma boa educação.
    Hoje em dia como já não existe esse respeito nem admiração pelo professor e as gerações vão sendo cada vez menos bem educadas, cada vez mais vais ver notícias destas espalhadas pelos meios de comunicação social

    Rui Valente a vossa geração a mais bem preparada de todas?? Ganha juízo :P!
    Eu tive o prazer de nascendo em 80 estudar desde a 2.ª classe com o pessoal de 79 e sem a mínima margem para dúvidas que as turmas onde estive tinham muita gente brilhante, muito superior ao pessoal da vossa geração (dos que eu conheço pelo menos).
    No 5.º ano da Universidade os professores universitários queixavam-se que a malta dos 1.ºs anos não sabia sequer escrever.
    Qualquer dia faço umas chamadas e fazemos um concurso entre a minha turma do 12.º ano e a tua turma para ver quem ganha LOL! E a minha já perdeu 1 médica!
    E qualquer dia levo o Álvaro ao MG para jogar no IPAD do Paredes o jogo das capitais, países e monumentos (bandeiras não sei se ele será tão bom) e vocês vão ver o novo recorde com que aquilo vai ficar! É que esse homem desde o 7.º ano corrigia os mapas dos livros de Geografia e detectava todos os erros que existiam nos livros de Geografia e História.

    RAL deves-me 50,00 € que queria só demorar 5 minutos a responder a isto e perdi 30. LOL

    • Concordo com algumas coisas que dizes, mas não teria piada mencioná-las. Acho muito mais interessante avançar logo para as que não concordo, ou concordo menos.

      Primeiro, sendo o mais sincero possível, detesto a forma como tornas tudo competitivo, como tudo se resume a um despique, que se me permites é típico de ‘puto’ e isso não se coaduna nada com essa pessoa responsável e irrepreensível que te apresentaste.

      Como medes a qualidade de uma geração? Simplesmente pela cultural geral? Como podes comparar pessoas que vivendo no mesmo mundo, nasceram em mundos diferentes? Que se guiaram por padrões diferentes? Como me explicas que a geração que achas tão perfeita crie e eduque crianças que te parecem tão fraquinhas?

      Segundo, afirmaste com segurança que a D. Zélia não aliviou o stress em ninguém e eu não ponho isso em causa. Pergunto apenas se estiveste em todas as salas de aula do país? Dou-te um exemplo, a minha professora do 1º ao 3º ano tinha problemas com alcool, conhecidos por todos, achas que os valores que ela tinha a transmitir eram os melhores? Usando as palavras da Lia, cada caso é um caso, ou usando mesmo as minhas para ela, “Nem tanto ao mar, nem tanto à serra!”. Para tudo existe um meio termo. Nem tu és o melhor, nem eu sou o pior, ou vice-versa. Nem tudo se resume ao melhor ou ao pior.

      Deixo para o fim a reafirmação que em algumas coisas concordo contigo.

      Quanto aos 50€ se os tivesse…. este blog não dizia wordpress, eu pagava o domínio! Investir é sempre em cultura, seja ela de que tipo for 😉

  4. Claro que o que interessa debater são os pontos em que estamos em desacordo, senão isto parecia a bancada de um qualquer partido político em que todos aplaudem as ideias comuns.
    Vamos a isso portanto:

    Primeiro, eu não digo que seja irrepreensível, até porque não o sou e sei bem que não o sou.
    Eu somente referi que no que concerne a horários faço o meu melhor para os cumprir, porque sempre me ensinaram que era má educação não os cumprir e que tal não era bem visto na sociedade. (A única vez que não cheguei a horas a um julgamento, 5 minutos a seguir já estava a receber uma chamada do tribunal a perguntarem onde estava, e nós temos 15 minutos de tolerância, isto para verificares que as pessoas reparam e muito neste aspecto, e que se fossem outros não ligariam logo porque era normal estarem atrasados).

    E hoje em dia é meu entendimento que já não existe esse sentimento, mas eu continuo a obedecer à educação que recebi, porque acredito que para quem fica a apanhar a seca à minha espera não deve ser nada agradável, porque eu também não as gosto de apanhar e se posso evitar isso porque é que não chego a horas?

    Quanto à responsabilidade, tento ser o mais responsável possível, nunca me viste em cenas lamentáveis ou impróprias. A minha própria profissão a isso obriga, já viste o que era por ex: se eu entrasse no tribunal com uma bebedeira descomunal, ia ser de partir o coco a rir. LOL

    Segundo, não fui eu que comecei com a teoria da minha geração é a mais bem preparada de todas, mas posso-te dizer que a nível de ensino e de respeito pela autoridade que é o que aqui se estava a debater, e é nesses pontos que na minha opinião a geração onde estive é melhor que as seguintes, e é minha convicção que todos os anos vai ter tendência a piorar, porque as pessoas na minha altura e na tua pensavam: “Eu vou tirar um curso superior para arranjar um bom emprego e poder levar a minha vida com tranquilidade e constituir família.”
    Agora vão começar a pensar: “Estudar para quê? Para perder 4 ou 5 anos numa universidade e ainda gastar dinheiro para depois não arranjar emprego, mais vale começar a trabalhar a ganhar o ordenado mínimo do que andar a gastar os neurónios para ir para o desemprego.”
    Para já não falar no respeito pelas polícias que hoje em dia nem te digo nem te conto como isto anda…

    É claro que como já disse no teu blogue na minha altura não havia telemóveis e a internet era só na escola e em casa à noite, senão saía um balúrdio ao final do mês.
    Como é óbvio aí e em outros pontos comparei dois mundos completamente diferentes como muito bem referiste, se a minha geração na altura tivesse net 24 horas e telemóveis se calhar os estudos ficavam para outro plano.

    Outra coisa que te equivocas eu não disse que era melhor que ninguém (menos no que respeita a horários :P), disse que tive a felicidade de estar na mesma geração que várias pessoas que sabiam muito sobre os mais variados assuntos.
    Eu pessoalmente não me gosto de comparar com ninguém, nem nunca me comparo, tirando naquelas coisas normais como: aquele mulheraço anda com aquele caramelo o que é que ele tem mais que eu”.

    Voltando ao ensino e às minhas turmas e ao sentimento de respeito mútuo que havia na altura.
    Não é por acaso que quando acabei a primária a D. Zélia escreveu-nos um poema e ofereceu-os aos alunos da minha turma, poema esse que ainda hoje está no meu quarto encaixilhado.
    Para além disso pediu-nos parte dos trabalhos que tínhamos para guardar e depois vieram a aparecer numa exposição organizada por ela.
    Já no secundário foi o Prof. Rui Basto que no final do 12.º ano nos dedicou uns versos e também ofereceu a cada um uma cópia disso.
    Não são todas as turmas que vão tirar uma fotografia no final do ano, foto essa que usei durante muito tempo no facebook e são os próprios professores a pedir cópias para nunca mais se esquecerem de nós e que nos pedem para os convidarmos para ir aos jantares de reunião de turma quer nesse ano, quer nos seguintes.
    É isto que eu digo que na vossa geração e nas seguintes se foi perdendo e não digo também que não seja com razão como aconteceu com a Lia na situação que eu e ela falámos ontem, na minha geração havia um enorme respeito pelos professores, incutido pelos próprios pais em casa e os profes faziam por merecer esse respeito.
    Agora como andam constantemente a ser “atacados” pelos sucessivos governos e obrigados a burocracias estúpidas que em nada melhoram o ensino, é claro que se calhar também não vão para as aulas com a mesma disposição que iam na minha altura.
    Podes procurar em todos os jornais sobre agressões nas escolas a professores que na tua altura, na minha e nas anteriores não havia nada disso. Digo-te sinceramente no meu tempo era inimaginável alguém bater num prof., os próprios amigos o impediriam não se punham a filmar e a gozar com a situação, como se vê hoje em dia.
    Agora quase todos os meses vês casos de agressões a professores e espancamentos a alunos, dá para ver para onde vai este país…

    Voltando agora à minha turma:
    Os profes gostavam da turma porque estava lá muita gente com vontade de aprender e quem não estava também não incomodava os outros, mas para te ser sincero a minha turma não era escolhida ao acaso, era pré-definida e não entrava lá ninguém problemático, porque estavam lá muitos filhos de profes e de funcionários do liceu e aquilo era escolhido a dedo.

    A minha geração não é perfeita porque a perfeição é inatingível e não digo por exemplo que seja melhor que as anteriores, acho sim que isto está é a baixar de nível e não a subir.
    E enganas-te só tenho mais 7 e eles 8 anos que tu, duvido que tenha sido a minha geração a educar a tua geração e não digo que a vossa seja má, digo que na minha opinião a nível de cultura geral e de respeito pela autoridade a que eu cresci é superior.

    Pergunta ao teu amigo China pelos meninos do SEF que estudaram por cima do João Gomes e pergunta se aquilo tem ponta por onde se lhe pegue.
    Podes colocar o melhor professor do mundo a educar um mau aluno que não queira aprender e vais ver que quem vence é o mau aluno e não vai aprender na mesma.
    Quem mudou foste tu, não foi a qualidade dos teus professores, se tu quisesses continuar a faltar às aulas e a não ligar nenhuma à escola, e a querer ser um caso perdido, não existiria professor nenhum capaz de te abrir os olhos.
    Para tua sorte tiveste uns pais que tiveram a coragem de te confrontar e te fazerem sentir mal com o teu comportamento até à altura, porque se eles te apoiassem na tua “rebeldia total” não serias a pessoa que és hoje e isso também não poderias culpar na tua geração, porque o único responsável serias tu porque tinhas escolhido esse caminho.

    Quanto ao problema da tua professora, só num país destes é que ela não era despedida e mal fosse notório que ia dar aulas embriagada era imediatamente suspensa até terminar o processo disciplinar.
    É uma vergonha que neste país se deixam menores ao cuidado de pessoas como essas e ainda piores, conforme se constata por casos como o Casa Pia entre outros.

    Eu também referi que as reguadas teriam que ser dadas com fundamento e bom senso porque se levares por tudo e por nada também não aprendes nada, eu só levei por chegar atrasado do recreio e nunca mais cheguei. Penso que se não fosse a reguada e fosse um simples aviso oral a para aí 15 alunos arriscava-se a no dia seguinte voltarem todos a chegar atrasados, daí pensar que a reguada foi bem dada, não foi um castigo excessivo.
    Mas também só me lembro de a ver dar reguadas em 2 situações diferentes, porque se fosse algo semanal ou coisa que lhe valha, o pessoal também lhe perdia o respeito.

    Quanto à competitividade se achas que é coisa de “puto”, aí é uma coisa que discordo completamente a competitividade desde que seja sã é sempre de salutar, porque é isso que te faz superar a ti próprio, porque senão toda a gente estagna, deixando de progredir.
    Por exemplo se estás a fazer um trabalho em que és o melhor e mais ninguém evolui, tu próprio se não fores competitivo e tiveres espírito de evolução deixas-te andar e só voltas a usar as tuas capacidades ao máximo quando aparecer alguém que faça o teu trabalho melhor que tu e aí já tens que te preocupar. (entretanto por não seres competitivo deixaste de evoluir e nesta altura podias estar vários patamares acima deste novo concorrente que te acabou de ultrapassar).

    Achas que se o Mourinho e o Ronaldo por ex: não fossem competitivos estariam onde estão hoje, a competitividade é uma qualidade no meu entender, tem é que ser uma rivalidade sã, não é “vale tudo até arrancar olhos”.

    Acho que respondi a tudo o melhor que consegui.

    Ps: Não penses que te julgue a ti ou a quem quer que seja inferior a mim, até porque se o fizesse não vinha cá todos os dias ler as tuas opiniões atentamente, porque acho sinceramente que te exprimes muito bem e justificas as tuas opiniões com senso, não é um aglomerado de barbaridades sem sentido nenhum.

    Abraço

    • Primeiro, deixa-me dar uma palavra que espero não leves a mal. Neste segundo comentário não foste a mesma pessoa do primeiro, adoptaste um discurso mais claro, fundamentaste opiniões e mantendo o espírito competitivo, não usaste do tom arrogante. Porque quando falas e bem do Ronaldo e do Mourinho pela sua competitividade, também estarás de acordo que nunca os ouviste dizer que são melhores que o Messi ou o Guardiola. Quando adjudiquei competitividade a criancice foi num sentido de confrontação. O Mourinho diz-se constantemente melhor que os outros e sem problemas, mas colocando os outros num patamar abstracto. Não dizendo Guardiola, Fergunson, ou quem for. Foi nesse sentido que não gostei do teu comentário. Espero que não tenhas levado a mal esta nota, foi apenas de quem prefere ser sincero. Sendo que me senti obrigado a defender a minha geração, porque apesar de tudo a considero de valor.

      Quando te disse que os da tua geração podiam ser pais de pessoas que consideras fraquinhas foi porque pela tua lógica cada vez piorará mais. Atendendo a esta notícia especifica, a aluna frequentava o 6º ano. Podia perfeitamente ser filha de alguém da tua geração. Foi nesse sentido que falei.

      Quanto à parte do complemento de educação, como admiti no texto e nos comentários à Lia, não sinto que tenha o mínimo de vocação. Existem padrões, sem dúvida, mas lidar com eles é de uma complexidade que não me sinto capaz. Cada caso é um caso, mas em crianças penso que ainda se torna mais vincado. Por isso no próprio texto quando me referi a professores foi deixando claro que não gostava de estar no lugar deles. Felizmente existe este espaço de comentários que nos trouxe até aqui, onde novamente digo que tenho dificuldade de apontar o melhor ou pior. Porque sinceramente acredito nas pessoas, vejo toda gente a baixar os braços à geração que ai vem, eu não gosto de o fazer. Por isso me desiludi tanto na notícia com quem agrediu, que pertence às nossas gerações, porque ai desde logo está a prejudicar as seguintes. “Olha para o que eu digo, não olhes para o que faço!”, não resulta!

      No que se refere à tua turma, se ela passava por esse filtro, que tu próprio admites, desde logo o concurso no Ipad do Gustavo estava viciado, percebes o que eu quero dizer?

      Muito obrigado pelo elogio, Vítor!

      Abraço

  5. (ainda falavas tu do tamanho dos meus comentários…)
    hmm =) não vamos reviver conversas passadas pois não?! mas continuo a desacreditar um pouco na “nova geração”, sem por em causa nada nem ninguém, só não aposto grande coisa, mas tenho o profundo desejo de estar enganado! =)

    é ridículo de facto essa situação, mas infelizmente não é a 1ª vez que algo semelhante acontece…enfim..!
    sou totalmente de desacordo no que toca à violência de qualquer parte, professor para com o aluno ou aluno/família com o professor, mas o que é facto é que quando levávamos uns tabefes de vez em quando tínhamos um respeito religioso ao professor!, mas como já referi, não estou de acordo com isso, e há maneiras muito mais eficazes e pacíficas de criar respeito e atenção a alunos, do que através do medo! mas…isto é o que me põe tonto: se basta uma troca de palavras mais agressiva (como foi o caso) para familiares intervirem de forma mais violenta, qual é a ideia com que os adolescentes vão ficar?!que podem fazer o que lhes apetece?! medo…é uma questão de valores que não se está a fazer passar nessa família, e em muitas outras pelo que se ouve…de quem é a culpa?! pais?educadores?sociedade?! acho que é um pouco de tudo…mas isso também não é para aqui chamado =P

    gostei do texto!como a pequena parte do comentário da lia diz, é actual, e também dá aquele “bichinho” para opinar! mais uma vez bom trabalho! abraço

    • Não, não vamos 🙂 Achei justo mencionar-te pela tua assiduidade de comentários e por o tema em questão estar propício, apenas isso.

      Neste tipo de temas haverá sempre opiniões diversas, porque serão muito influenciadas pelo tipo de educação que tivemos. A minha foi liberalista, sem dúvida, muito na base: Tudo é que decides, és tu que vais viver o resto da tua vida com as tuas escolhas. Por linhas travessas acabou por resultar, em outros casos não resultou e em outros ainda resultou melhor. Não é uma ciência exacta e isso abre discussão.

      Obrigado e espero que mais sintam esse bichinho que sentes!

      Grande abraço

  6. Quando se fala na nossa geração é claro que existe um preconceito sempre para dizer que a nossa é melhor do que as outras, é natural para um ser humano ter orgulho das pessoas com quem cultiva amizades e vive os melhores momentos da sua vida.

    Se reparares bem no meu 1.º comentário eu só ia falar das reguadas e ia demorar 5 minutos a responder, depois não resisti a comentar a comparação entre a preparação de gerações e perdi bem mais tempo, logo, é normal não ter sido tão claro e explicativo como no 2.º onde tinha mais tempo para escrever e não estava ao mesmo tempo a tentar ler jurisprudência sobre um determinado assunto.

    Mas garanto que foi a mesma pessoa a responder, não contratei nenhum assessor para me ajudar na respostas politicamente correctas eheh!

    Efectivamente tens razão não devia ter mencionados nomes nas comparações dos atrasos, mas não foi com má intenção nem eles levam a mal de certeza.

    Desculpa ser tão curto, ter demorado a responder e não ter respondido a tudo, mas tou com uma “CABEÇA” que nem te digo nem te conto.
    E só agora pude aqui vir pq este fds durante o dia estou a tomar conta de um puto de 4 anos que é meu afilhado e vamos a ver como é que vai ser quando for grande.

    Abraço

  7. Agora apetece-me falar sobre a “viciação de resultados”.
    É claro que os resultados estão mais que viciados, quando acabei o 12.º ano só nos diziam para não escolher história e português via ensino, porque estavam lotados e não havia saída.
    Hoje em dia tirando medicina o que é que não está lotado?
    Qual é o espírito com que os alunos médios vão para as aulas hoje em dia?
    No meu tempo tinhas perspectivas que se estudasses terias um futuro risonho à tua frente e um bom ordenado à tua espera.
    Hoje em dia tens a geração dos 500,00 € que para sobreviver precisa da ajuda dos pais, como é que esta gente há de ter motivação para estudar, qual é o benefício que eles tiram do estudo?

    Mais um exemplo, que espero que não leves a mal: O nosso amigo Merêncio teve que ir para França para obter rendimentos do seu estudo, na minha turma tive 4 amigas que foram para enfermagem, todas tiveram saída no país em que nasceram e serão todas melhores que o Merêncio?
    Não me parece! O motivo é que na altura existia muita procura e a oferta não era tão grande como é agora, o que permitia a uma delas por ex: estar no CS do Fura e sair às 17h, ir de vez em quando comigo lanchar ao lukal X e entrar no CS de Ovar às 17h (fantástico não é), para além de ainda ao fds trabalhar no Hospital da Feira.
    É claro que hoje em dia não trabalha em tantos locais e não ganha o que ganhava, fruto da lei da procura e da oferta.

    Vamos agora pensar nos da geração que está agora no 6.º ano, os lugares em Portugal estão quase todos ocupados, e os que são mais velhos que eles e estão à espera de vaga são aos milhares, as vagas no estrangeiro não vão durar para sempre e provavelmente quando eles terminarem os cursos estarão ocupadas ou pelos locais, ou pelos portugueses e de outras nacionalidades que decidiram emigrar, que futuro é que terão estas pessoas????

    Eu só digo uma coisa ainda bem que não tenho a idade deles, porque na minha perspectiva o país está a regredir a passos largos e nós não vamos conseguir dar aos nossos filhos as mesmas coisas e condições que os nossos pais nos deram a nós.

    Conclusão se a minha geração estivesse agora no 6.º ano provavelmente não seria muito diferente da que agora está efectivamente no 6.º ano, olharíamos para o futuro e pensaríamos vou estudar para ir para o desemprego ou para ganhar 500 a 800 euros mês, ou vou mas é divertir-me com os meus amigos e gozar a vida e depois arranjo um emprego numa fábrica a ganhar a mesma coisa, sem precisar de andar a gastar o dinheiro dos meus cotas na faculdade?

    É frustrante ver gerações investirem na formação, sem que o país que as formou lhes consiga dar um futuro na área para a qual estudaram.

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