Os comentadores dos comentadores

Da mesma forma que gosto de escrever, gosto de ler. Admito que é um hábito recente, mas como qualquer bom vício, no seu início cria uma ferocidade que não nos permite parar. Alimentado esse feroz apetite lia algumas crónicas do Ricardo Araújo Pereira, aka RAP, que admiro não pelo seu humor, mas sim, pelo seu inteligente humor.

Fui lendo algumas, várias, muitas, crónicas dele, no seu espaço na Visão Online, da mesma forma que por curiosidade ia lendo os comentários de fórum. Pessoalmente, não participo nesses fóruns pela simples razão que o único interesse que poderia ter de participar era receber respostas de quem escreveu a crónica, algo que normalmente não acontece, de outra forma estaria apenas a esgrimir argumentos com pessoas que não estavam dentro da cabeça do RAP, ou qualquer outro cronista, quando as escreveu. Digo isto porque um indivíduo, não em uma, nem em duas, mas sim em todas as crónicas, insistia em criticar o RAP. Não criticava de qualquer forma, criticava com pompa, com estilo. Usando um vasto e rico vocabulário, por vezes até imperceptível para um inculto como eu. Era notório o prazer dele em cada crítica que fazia. Pergunto-me eu, procurando o quê? Atingir o RAP? Parece-me difícil, pela dificuldade que tenho de acreditar que ele neste momento, como eu estava, estivesse a ler quem comentou a suas crónicas.

O que, para mim, foi mais interessante de todo aquele declame poético de críticas, de alguém que só poderá ser inteligente e culto, pelo seu vocabulário, nunca conseguiu ler além das piadas que lá estavam. Redutoramente criticou – realço, novamente, a forma poética de o fazer – as frases, nunca as ideias. Como alguém tão inteligente deixa escapar as mensagens que se passam além das frases escritas? Com o ódio.

Aquele senhor deixou o seu ódio domá-lo, obrigou-se a não ver além do que só ele vê. Se o amor nos tira a capacidade de ver os defeitos, o ódio tira-nos a capacidade de ver as virtudes. Não é ao acaso que se diz que o ódio e o amor estão separados por uma linha muito ténue. Assim, aquele culto senhor, ridicularizou-se a ele próprio, tirou a capacidade a quem lê os seus poéticos declames de ver a beleza da sua escrita. Acredito que o fez por etapas.

1 – Pareceu-lhe um excelente espaço, aquele fórum do RAP para ele expor a sua bela escrita, pela  visibilidade e reconhecimento do cronista.

2 – Se ele comentasse a favor do cronista, seria apenas mais um. Inteligentemente, optou pela crítica.

3 – Sucediam-se as críticas e a atenção e o apoio mantinham-se no cronista. Começou a formular-se uma inveja, que rapidamente saltou para o ódio.

4 – Cego por esse ódio perdeu a capacidade de ler atentamente o que lá estava, passou a ler apenas palavras, frases e textos. Deixou de lado as ideias.

5 – Ridicularizou-se com um ódio sem resposta.

Por isso digo que não devemos alimentar ódios, ou quezílias, com quem não conhecemos. O desprezo por parte de quem amamos é doloroso, imaginem o desconhecimento de quem odiamos.

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