E se as sms voltassem a ser pagas?

Aqui estou a tentar responder a mais um desafio que me foi lançado. Diga-se de passagem que já comecei a escrever e ainda não sei bem para onde estas linhas seguirão. Falha-me um guião de texto, um rumo para onde levá-lo. Dedo após dedo, tecla após tecla, pensamento após pensamento, espero levar o texto a bom porto.

Piii-piii, piiii-piii (poucas linhas e já me estou a desculpar por esta onomatopeia ridícula). Assim tocou o meu Nokia 3310, azul e de imagens estáticas. Ou terá sido o meu 3330, cinzento e de imagens em movimento? Agora fiquei confuso.

Ui, preciso de um testamento para responder a esta sms. Caramba, isto já passou para duas mensagens e eu não posso ficar sem dinheiro que a minha mãe, ou o meu pai, só carregam no fim do mês. Deixa lá reler isto.

Olha os ‘paras’ passam para ‘pa’, nem é tarde nem é cedo, os ‘contigo’ já vão para ‘ctg’, ainda não chega, não há ‘mesmos’, vai tudo para ‘mm’, não me parece que vá falar no ‘pessoal’, só se for no ‘ppl’. Ainda não chega? Ok, também não há ‘beijinhos’ para ninguém, vai um ‘bj’, já nem falo de ‘abraços’ que isso é logo um ‘ab’.

Conseguem imaginar-se, hoje, a fazer isto? A voltarmos a pontapear o português para nos conseguirmos fazer entender em apenas uma sms? Que trabalheira, não? Pois, mas se as sms voltassem a ser pagas, com a conjuntura que nos ‘conjunta’ a todos, não haveria muita  escolha. Repare-se que eu pondo a hipótese de as sms voltarem a ser pagas, dou como dado adquirido que com as chamadas se passasse o mesmo. Isto seria um boom nas comunicações, depois das guerras mundiais entre pessoas, da guerra mundial que se inicia online, viria mais uma.

Hoje, existe uma dependência comunicacional. Qualquer passo que damos ou qualquer coisa que vemos sentimos uma necessidade de o partilhar. Às vezes tweetamos, outras postamos, mas a maioria delas enviamos uma sms.

“Maaannn… comé? Tá ganda sol aqui na beach! Buts para cá.”

Piii-piii, piiii-piii

“Puto, vai meter nojo a outro! Já sabes que estou a trabalhar! Manda ai um hug á malta!”

Tinha-me esquecido de uma coisa, melhoramos no que toca às abreviaturas, mas agora há a moda dos estrangeirismos. Olha que moderno que eu sou a dizer palavras inglesas! (Eu também gosto de os dizer… dá ‘ambiance’)

Piii-piii, piiii-piii

“És um cortes, bro! Anda só um kicks e depois voltas a estudar.”

Piii-piii, piiii-piii

“Nem penses, ma friend! Mas tkhs pelo convite. “

Piii-piii, piiii-piii

“Abraço, joe!”

Se as sms fossem pagas, duvido que existisse o convite. “Quem está, está! Quem não está que estivesse!”. No entanto, mesmo que assim não fosse, apenas existiam duas hipóteses:

– “ Opa ele foi um bacano mas estou a estudar, não vai dar. Não vou gastar guito a dizer que não vou.”

– “Thks bro mas não vai dar”.

E este é o ponto final, não haveria mais resposta do outro lado.

A forma como hoje comunicamos, o fácil acesso a companhia, até nos momentos solitários, seria muito limitado. Somos dependentes da comunicação, da verbalização (melhor ou pior) do que estamos a fazer. Vivemos a era da verdade. Poucos escondem o que fazem, quem conhecem, etc. Toda gente se expõe, não há segredos.

Por tudo isto é que considero que o fim das sms gratuitas, com as nets gratuitas e as chamadas a seguirem igual caminho, levaria a uma alteração drástica da cultura liberalista que agora temos. Seria o fim da era da verdade.

Não me acredito que isso vá acontecer. Elas não são gratuitas, são é bem geridas.

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2 thoughts on “E se as sms voltassem a ser pagas?

  1. São hábitos amigo da facebook, eu como quando andava no liceu nenhum aluno ou professor tinha telemóvel, as pessoas encontravam-se nos sítios do costume, porque os seres humanos são animais de hábitos e já sabes mais ao menos onde eles vão andar consoante o dia da semana e se não estiverem por lá começa tudo a dizer: “Aquele já anda na bagaçada!”
    E nessa altura os telefonemas eram feitos de uns telefones que existiam nas casas e eram para uns números com 6 dígitos e depois passaram para 9 com a introdução do 256 e não eram para uns números que começam por 9 qualquer coisa…
    E depois nos primórdios do uso dos telemóveis nunca me esquecerei daquelas brilhantes chamadas para o fixo de minha casa a perguntarem-me “onde é que estás?”

    As minhas sms são pagas, tenho tarifário empresarial pq eu faço muito mais chamadas do que envio mensagens, mas não me acredito que as mesmas para quem adira a esses tarifários passem a ser cobradas, porque as sms custam 0 ás operadoras, eles não estão a dar nada aos clientes.
    Por isso num mercado concorrencial não me acredito que a gula chegue a esse ponto.
    Se fosse só uma ou duas operadoras, aí acredito-me, porque enquanto andaram só a vodafone e a tmn pagavas tudo e mais alguma coisa.

    Se cortarem as borlas em tudo (sms, net, etc…) vais ao mg que tá lá sempre pessoal amigo e tens companhia e pegas no smartphone e usas a net do mg que é de graça, pelo menos até ver lol.

    Vocês muito gostam de complicar as coisas simples.
    Não são problemas económicos ou tecnológicos que vão impedir os amigos de estarem uns com os outros, a menos que as próprias pessoas o queiram.

    • Primeiro começo com uma alfinetadazinha… realmente és um bocadinho mais velho que eu 🙂

      Estou a brincar, eu tive o meu primeiro telemóvel por volta dos 13/14 anos, não consigo precisar. Ainda era uma criança, mas antes disso já tinha amigos e sobrevivia. Isto para dizer que percebo o que dizes.

      Agora salto um ou dois parágrafos para ir ao final do teu texto. Não é um gosto por complicar, é uma lógica de evolução. Nós da mesma forma que somos animais de hábitos, somos animais evolutivos. Não me podes dizer que algo que te retire um hábito, ou seja, um dado adquirido, só seja um problema por seres um complicado. Se não repara, eu até aos meus 18 anos vivi sempre sem carta, ai tirei-a, aos 20 fiquei sem ela durante 4 meses novamente, achas que isso só foi um transtorno por eu ser complicado? Pega no exemplo, não no que levou a que ele acontecesse, que tu sabes, mas pertence a uma esfera mais pessoal.

      Voltando aos parágrafos anteriores, agradeço que tenhas concordado comigo. Foi exactamente isso que quis dizer com a frase de fecho de texto: ” Não me acredito que isso vá acontecer. Elas não são gratuitas, são é bem geridas.”

      Obrigado pela tua primeira incursão por este humilde espaço 🙂

      Desculpa se já leste o comentário mas deixa-me acrescentar algo que me escapou. Eu nunca disse que as pessoas, amigos, se iam deixar de encontrar. Eu referi que as conversas, não estando em presença física, iriam diminuir. Por isso disse que terminaria a era da verdade, haveriam mais “segredos”. Com segredos quero dizer coisas que ficam por contar, coisas que o quotidiano absorve e deixa em esquecimento. Sendo eu um apaixonado por banalidades, a mim afectar-me-ia muito.

      Mais uma vez desculpa este acrescento de comentário.

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