Estados de espírito, ou do que quiserem chamar, nas redes sociais!

Ajuda-te!!!

Quem já não passou horas, quando digo horas, digo mesmo horas, a ver perfis sem critério, sem rumo, sem objectivo… apenas porque vê? A pensar: “Que inveja!”.

Esse pensamento irritante, porém inevitável e instintivo, vem de perfis com dez álbuns de diferentes cidades do mundo, vem de fotos trabalhadas no Photoshop e comentadas por montes, vales e montanhas de pessoas.

Sabem porque surgem esses pensamentos pecaminosos de inveja?

A resposta é fácil, se disponibilizamos/desperdiçamos horas a ver perfis, se o sol está raiado ou a noite a brilhar e estamos a ver uma foto daquela pessoa em Nova Iorque ou Londres é porque estamos a ter um dia – deixem-me encontrar uma forma meiga de dizer isto… já sei – HORRíVEL. Um domingo sem programa, um intervalo no estudo ou trabalho, uma noite em que todos nos falharam. É nesses momentos que vemos os “perfis de sonho”. Não ponho em causa a veracidade dessas fotos, ao contrário da minha de perfil, mas chamo a isso uma realidade irreal. Vemos a vida das pessoas, mas condicionados ao momento solitário que é viajar no facebook, twitter ou até num qualquer blog como este. “Cabrão, sempre a viajar!”, “O que será que ele faz? Parece que está sempre de férias!”, “Este é cheio dele, é só viajar e roupas de cenário!”

Por outro lado, existem sempre momentos que estamos a viajar pelos perfis de forma amena, mais á procura de entretenimento do que viagens mentais, os intervalos entre um café e outro, entre uma saída á tarde e uma saída á noite. Aqui apreciamos, ignoramos e elevamos o nosso ego. Sentimo-nos donos e senhores do estilo ou estilho, dependendo dos regionalismos. “ Olha que moderno que eu sou com uma foto de perfil em Nova Iorque!”, “Até se espumam com estas fotos na noite, em Espanha!”, “Uh, estou mesmo gato. Até vou por gosto na minha foto!”.

Existem também os momentos, que um dia foram de jogos da bola, que os amigos em volta de um computador, seja ele portátil, ou traduzido num Ipad, se unem para criticar. “Ajuuudddaaa-ttteee!!!”, “Rais venha que ta f(…) mais essas fotos! ”, “Olha este armado em modelo… Caaaa crooommoo!”. Nesses momentos, com as costas quentes, somos os maiores! Até que, ups um de nós postou uma foto como a que gozamos: “Oh, nem está assim tão mal. O outro é que era um cromo e ficou mal!”.

Depois existe também aquele Facebook que dá para ouvir boas músicas, descobrir bons vídeos, combinar jantares com os amigos e encontrar pessoas que não tínhamos notícias desde que a nossa memoria permite alcançar. Existe também um Twitter para seguir opinion makers e o WordPress ou Blogspot para se lerem bons textos ou apreciar-se enormes fotógrafos.

Já agora, sabem o que é o mais parvo de tudo isto que eu critiquei?

A minha foto de perfil é em Nova Iorque (que trabalho fraquinho, fraquinho, fraquinho!!), tenho dois álbuns com fotos na noite em Espanha, tenho muitos amigos e só não tenho gosto numa foto minha. Ups!

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2 thoughts on “Estados de espírito, ou do que quiserem chamar, nas redes sociais!

  1. Ricardo desde já os meus cumprimentos e as minhas felicitações por este blog.

    Tenho a dizer que, a forma como escreves é surpreendente e cativante. Não só por ter um excelente conteúdo, mas acho que o facto de partilhares a tua opinião e de dares a conhecer aquilo que pensas e a forma como vês a vida, nos dias de hoje, mostra a lição que tiveste e que ao olhares para o mundo à tua volta, tentas pelo menos com os mais próximos mostrar que com um pouco de esperança as coisas podem mudar, e refiro-me também, ao positivismo que os teus textos contém, o que os torna ainda mais entusiasmantes de ler.

    As pessoas perdem tempo, e esquecem-se delas. E acho que nos dias de hoje, a informação está em toda a parte, e só não a vê quem não quer ver. É preciso escolher as fontes que julgamos certas e que, sobretudo, prezem pela coerência.

    Acho que me pude rever em muitos textos que aqui escreveste, e confessar que é preciso ter coragem para admitir que estamos errados, e que houve caminhos na nossa vida que não foram os melhores e que deviamos ter ouvido as pessoas que nos mostravam a verdade. Mas, quando nos apercebemos, que o passado foi um pouco inconsciente, olhamos para ele agora com algum saudosismo, com pena de às vezes não termos feito as melhores escolhas, mas orgulharmo-nos de olhar para o dia de hoje, e perceber que apesar de tudo, a vontade de mudar foi mais forte. E em certa parte, não te conhecendo muito bem, fico contente que a vida te tenha mostrado que há motivos para nos fazer mudar para muito melhor.

    Um abraço e uma excelente continuação, não só de vida, mas com estes magníficos textos de pura inspiração!

    • Fábio, um muito obrigado.

      Fiquei de alguma forma ‘atado’ de resposta para o teu comentário. Penso que sou mais um que se sente muito mais capaz de responder no imediato a uma crítica, do que a tamanho elogio.

      Eu gosto de ser optimista porque devo isso à vida. Com mil e uma peripécias, que também enriquecem quem sou, sempre fui levando as coisas a bom porto. Ajudado por uma entrega necessária, mas também por um bafejo de sorte que faz parte da vida de todos.

      Para mim é importante sentir o que acabaste de me dizer: que existem pessoas que se revêem em coisas que eu escrevo e que definem muito de quem sou. Obrigado pelo comentário, pelos elogios e acima de tudo pelo tempo que investiste em mim, a ler o que escrevi.

      Um enorme abraço

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