Assustadora pequenez!

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Começo a expor-me em demasia! A deixar demasiado claras as minhas fragilidades e necessidades. Ainda assim, os textos vão-me fluindo. Sem saber se me percebem na totalidade, se conseguem sentir o que sinto a cada texto que escrevo, se em algum momento me criticam ou elogiam.

Num passeio pelas notícias recentes do Facebook, avistei um post do falecimento de uma jovem na viagem de regresso a casa, cerca das 6h da manhã. Infelizmente, trata-se de mais uma notícia muitas vezes comum, no entanto cada dia é um dia. Hoje não sei como, nem porquê, nem tão pouco me arrisco a perguntar-me, abalou-me. Não sei se pela idade próxima, se pela proximidade geográfica ou por qualquer outra explicação que agora não me ocorre. Abalou-me porque esta notícia mais que qualquer outra fez-me ver a minha fragilidade, sinto-me vergado a cada catástrofe natural, sinto-me impotente a cada jovem que é levado por uma doença, mas sinto-me arrepiado a cada pessoa que parte num acidente. Qualquer explicação para ele (acidente) será mera especulação. A tendência natural é ajustar a idade ao consumo de álcool, á pouca noção do risco e da velocidade, aos exageros… mas nada disso muda o que aconteceu! É arrepiante pensar que existem momentos, com falhas ou não, que ditam um fim! Sinto-me no limite da pequenez, sinto que por muitas coisas que faça, que prove ou arrisque, serei sempre mais um. Posso ter força para levantar um carro sozinho, mas nunca terei força para agarrar a minha vida na totalidade… um dia, espero que longínquo, ela terá um fim! Não a conseguirei agarrar mais!

Nesse dia chegam as homenagens, as palavras bonitas, o sofrimento sincero. Tudo isto estará sempre presente, impotentemente é a forma que temos de homenagear, de relembrar e manter vivo por mais umas horas, dias ou anos. Não sou contra isto, não sou mesmo, apenas senti a vontade de me agarrar a um chavão e dizer: “Não deixes para amanhã o que podes dizer hoje!”. Sim, ajustei um pouquinho ao que agora pretendia dizer.

Esta notícia não me fez pensar no que tenho que curtir ou aproveitar a vida, fez-me pensar em momentos que por puro desleixo, por problemas menores, nos afastamos das palavras que descrevem o que realmente sentimos. Se este blog me deu um direito de palavra, ou de maior difusão dela, não resisti a mostrar a minha fragilidade, a minha pequenez e ao mesmo tempo a minha sinceridade. Há momentos que existem descargas não de electricidade mas de medo. Eu tive a minha, primeiro fi-la chegar a quem de me imediato atravessou o meu pensamento a cada dolorosa linha que lia. A seguir fiz chegar a vocês, que em grande parte não sei quem são, mas de algum modo já pertencem ao meu dia.

Eu não tenho medo de morrer, eu tenho medo do fim! Tenho medo do que deixarei por dizer, tenho medo do que deixarei por fazer, tenho medo de ficar privado de quem aqui tenho… tenho medo do escuro, do vazio!

Este foi um post, não cinzento, preto! Foi porque eu também tenho medo, ou por puro egoísmo, ou por puro altruísmo. Por ter pessoas que tanto amo!

Sei que posso ser ridicularizado de me expor desta forma, que apenas costumo fazer a quem conquistou esse direito, mas hoje eu não amo mais, nem menos quem amava… apenas tenho mais vontade de dizê-lo!

Somos pequeninos, somos ridiculamente pequeninos, mais ainda quando deixamos fugir a única coisa que nos permite ter as outras todas num ápice, num momento mais escuro que este texto. Hoje estou assim, apaixonado por quem amo, assustado por quem não conhecia, repleto pela necessidade de me fazer notar, não a todos mas a quem sinto que merece!

Façam com este texto, ridículo para uns, lamechas para outros, e muito sério para uns poucos, o que bem entenderem! Foi um desabafo de um comum mortal, que se sentiu tocado por uma notícia de uma desconhecida, que podia ser conhecida!

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