Como é possível?

Que bonito que eu era em criança!

Quantos livros já abriram que começavam com: “Era uma vez”? Pois, eu também! Não acham uma parvoíce? Eu acho.

Bem, vou começar o meu texto. Era uma vez, um miúdo, bem miúdo, que passava os seus dias na companhia da sua bisavó. Passeava com ela, jogava a bola sozinho contra a parede enquanto ela assistia. Olhava e escutava, como um burro olha para um palácio e um surdo ouve rádio, as conversas dela. No meio de tudo isto, que preenchia dias inteiros, ainda a ajudava a alimentar os pouquinhos animais que tinha. Um dia, ele ingénuo de mais para ter que lidar com uma perda, ficou sem ela. A bola contra a parede de casa deixou de se ouvir durante largos meses. Medo de algo? Sem dúvida, só não sabia bem de quê. Era medo de assombras e fantasmas, naquela altura ainda lhe pairavam no pensamento.

Sem ela, veio o infantário. Deveria ser marcante, começa o convívio com muitas crianças, o sonho de qualquer menino, mas não. Poucas lembranças existem. Um rapaz, que agora não mantém grande contacto, e as educadoras, que ainda hoje o conhecem.

Primária, aí sim! Circundava-se com pessoas que ainda hoje são seus amigos. Jogava  futebol nos intervalos com balizas de pedra, saltava muros para ir à fábrica, vizinha da escola, buscar a bola, comia sandes e bebia leite mimosa por uns trocaditos, tinha alunos do 1º ao 4º na turma. Ah, quase me esquecia das reguadas. Ou terá sido de propósito?

Ciclo, foram apenas dois anos! Muito aplicado? Qb. Marcante? Sem dúvida. Entrou para o basket e criou um grupo de amigos. Treinava quatro ou cinco vezes por semana, jogava aos sábados e/ou domingos. Grandes anos com amigos que ainda hoje mantém e o mantêm a ele. Então e o ciclo? Que mania de só falar de escola. Caramba!

Secundária, pequenino junto aos matulões do 12º. Mas isso não assustava, criava intriga e vontade de um dia estar no lugar deles. Andou 7º, 8º e 9º com turmas com que pouco se identificava. Porém, o seu jeito pouco bem comportado, digamos assim, ia-lhe dando algumas incursões em associações de estudantes, aproximando-o aos que ele admirava. 10º Ano em desporto. Porque tão linear? Gostava de jogar basket, as melhores notas eram a educação física e o futuro ainda vinha tão longe. Não foi difícil, mas chumbou e chumbou. A repetição é somente o ajuste à realidade.

– Vais trabalhar!

– Não, espera, pai! Um amigo mostrou-me uns cursos em Espinho. Gostava de Turismo.

Esse amigo chumbou, chumbou e chumbou, antes da ida para Espinho. A repetição aplica-se da mesma forma da anterior.

– É a tua última oportunidade.

– Não vou desperdiça-la!

Não desperdiçou. Fez 3 anos em Turismo, não sendo o melhor, mas com melhorias inegáveis para o restante historial. Tanto que se inscreveu, “às escondidas”, para os exames nacionais. Esperança  à muito perdida. Licenciatura, estágio e primeiro emprego.

Assim ele evoluiu desde o macaquito, que era, até à frente do computador, onde hoje está. Ah, está explicada a imagem!

Espera, então e o que tem o título que ver com o texto?

Vá, tudo isto foi engodo. Só vos queria dizer uma coisa.

Hoje não tenho tema. Como é possível?

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13 thoughts on “Como é possível?

  1. =)
    tive que parar de ler por uns momentos, memórias agora muito ao de cima de outros momentos…! o que é bom, é sinal que provocas reacções nas pessoas que lêem!
    não tenho grande coisa a dizer…gostei!

    • Vou dizer o mesmo de sempre… Obrigado!

      Escolhi um caminho alternativo para a falha de tema em que estava hoje. Aproveito para mais uma coisa, como as estatísticas comprovam, és o meu “comentador” mais assíduo. Outros já me deram sugestões de tema e tu não.

      Sobre o que gostavas que eu escrevesse? 🙂

  2. LOL ok estatística!
    nunca te sugeri tema, nem o vou fazer, pelo simples facto que gosto de boas surpresas, e porque para mim a escrita tem que ser algo fluído, que vem de dentro. se te sugerir um tema podes cair no erro de escrever sobre algo que não te é tão familiar e sem grandes conotações pessoais, o que faria com que perdesse todo e qualquer interesse para mim, como leitor, lê-lo! houve já bons temas que te lançaram e que de facto escreveste da mesma forma de sempre, mas também já houve outros que senti o afastamento do tema!
    por esses motivos não te vou propor nada…quem sabe um dia numa troca de ideias, numa “discussão” de qualquer assunto comigo, não surge um tema que te desperta interesse e no qual ficas a matutar tanto que chegas a casa e tens de escrever…essa vai ser a minha sugestão!

    • Aceito a justificação! 🙂

      Mas acho que te estás a esquivar. Todo e qualquer tema que me sugiras vai ser de algo que me rodeia, conhecendo melhor ou pior essa realidade, rodeia-me certamente. Assim sendo, se pretendo de post para post evoluir um bocadinho, o colocares-me esse desafio em mãos… escrever sobre algo que não me diz tanto, sem perder o meu toque de escrita que gostas, seria um enorme desafio para mim! Ajudaria a evoluir.

      Não sejas tão proteccionista, Zão! Errar faz parte, por isso dá-me a hipótese de errar e me apontares esses erros! Aí sim, vou evoluir 😉

      • ok, aceito o desafio! vou pensar num tema que gostasse de ler aqui…!
        mal tenha a capacidade de acordar verdadeiramente escrevinho aqui qualquer coisa em jeito de desafio!

  3. Vi o texto no facebook e resolvi ler, mesmo sem fazer ideia do que se tratava. E não é que acertei em cheio? 😉
    Não posso deixar de rir com o 4º e 5º parágrafos…parece que nos estou a ver a todos nos combatentes a comer “azedas”, a beber os típicos pacotinhos de leite, a ver quem é que desta vez ficava a apontar os nomes no quadro enquanto a professora ia lá fora e voltava com um cheiro um tanto ou quanto duvidoso a álcool (boatos), as fugidas à fonte, a evolução do “recreio pequeno” para o “recreio grande”, quando já éramos “muito crescidos”, onde os meninos ficavam colados à bola e as meninas às barbies 😀
    E o ciclo? Lembro-me de tudo como se fosse hoje. Se lá voltar, ainda consigo descrever as salas, os sítios onde brincávamos, a fila interminável para a cantina, a festa que fazíamos por ter “hora livre” só para poder continuar a brincar até não poder mais, os trocos que se juntava para ir às gomas, as horas e horas de recreio a jogar ao “mata”, o pavilhão, as fugidas à habitovar e ao skatepark que era o sitio da berra na altura…lol opá tantas recordações, e tão boas! :))
    Nunca fomos muito chegados, mas é impossível esquecer-me de ti dessa altura, magrito, alto (em relação a mim também não era difícil) caladito mas um miúdo porreiro 🙂 estás diferente, cresceste! 😀 E é bom acompanhar isso pelos teus textos e ver que estás bem! 🙂 Sucesso para o blog e para tudo o resto.

    • Bem, isto daria um link de complemento de texto! Obrigado pela partilha… não conseguiria, certamente, descrever com tanta exactidão como o fizeste! É verdade, são muito boas recordações. Admito que já não tenho bem presentes as pessoas que me acompanharam nessas aventuras e desventuras porque o contacto foi desaparecendo, da mesma forma que os anos foram passando. Curiosamente, ficaram as amizades com os “rivais” de outras turmas. Mas fico agradado de saber que ainda existe quem mantenha essas recordações bem presentes.

      É verdade, cresci! Se referes a altura posso garantir que ela aumentou, o magrito já nem tanto. Quanto ao caladito, continuo a ser nos meios em que ainda me estou a envolver 🙂

      Faço dos teus desejos os meus.

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