Que Mundo é este em que agora vivo?

Juro que não falo!!!

Este dia chegou e… não lhe falei! O meu horário é entrar às 9 e sair às 7. Sou bom nisto!

Estes cartazes exaltam toda a nossa irreverência. Todos os nossos sonhos de uma vida descomplicada. Porém, eles não serão um fugaz sentimento de imponência que se cria no decorrer de cada palavra aglomerada e que se desvanece á mesma velocidade com que desviamos o olhar?

Que Mundo é este em que agora vivo? Eu que sempre disse que uma cabana e uma praia me chegavam para ser feliz vou para o terceiro dia a entrar no escritório às 9h da manhã e a sair á meia-noite.  Pausas para almoço e jantar. Folhas de Excel separadas por, respeitosos, intervalos para um cigarro ao ar livre, suprimidas após o final do horário laboral. Deixando para trás família, namorada, amigos e grupo de carnaval. Isto com tendência para se prolongar por mais alguns dias. Que Mundo é este em que agora vivo?

Que Mundo é este que se trocou a discussão de qual a festa que se vai, por qual o político menos mau? Que Mundo é este que se deixou de falar dias a fio da vinda dos U2 a Portugal, para se falar dias a fio da chegada da Troika? Que Mundo é este que se troca um maço de cigarros a meias por um dia inteiro fechado para atestar um depósito de gasóleo? Que Mundo é este que se trocam as tardes de conversas num café, acompanhadas por um cigarro escondido e uma mini bebida á pressa, por dias com o barulho das teclas num escritório? Que Mundo é este que se troca um caderno de capa preta, cheio de desenhos, por um dossiê atolado de documentos? Que Mundo é este que se trocam as calças a cair e as mochilas Eastpack por camisas Sacoor e malinhas em pele? Que Mundo é este que se trocam as tardes de Snooker por reuniões ao almoço e/ou jantar? Que Mundo é este que se troca o “Tá tudo?” pelo “Está bom?”? Que Mundo é este que se trocam as Airwalk desapertadas por sapatos sem atacas? Que Mundo é este que se trocam as piadinhas aos professores por um “Com certeza, Sô Doutor!”? Que Mundo é este que se troca um “fica bem” por um “votos de continuação de um bom resto de dia!”? Que mundo é este que se troca um bater de nós por um  aperto de mão? QUE MUNDO É ESTE EM QUE AGORA VIVO?

Agora mais calmo. É o mesmo Mundo de sempre, eu é que tinha 16 anos.

PS – Tenho-me apercebido que existiram algumas interpretações erradas do que sentia ao escrever este post. Assim, acrescento aqui uma resposta que dei a um comentário. Tentando de alguma forma passar uma imagem mais real do meu sentimento aquando da redacção deste texto.

Pensando eu que associam o constante questionar aos adjectivos que me expuseram (deprimido, revoltado e preguiçoso). Tento retratar-me aqui, conforme fiz a quem referiu preguiça. Esse uso exagerado da questão serviu apenas para vincar as diferenças de visão que eu tinha do Mundo. Atestando que é bem verdade que as pessoas crescem, que não mudam os valores mas alteram-se prioridades. Eu sinto-me mais orgulhoso de ser a segunda parte das perguntas que levantei. Sinto-me também orgulhoso de já ter sido a primeira parte das mesmas questões. No fundo quis apenas demonstrar o quanto eu, e nós, evoluímos a nossa visão do Mundo. Talvez tenha vincado demasiado as diferenças e tendo assim transmitido uma ideia errada do que estava a sentir. Não estou depressivo, nem revoltado, muito menos preguiçoso, talvez um pouco cansado das poucas horas dormidas nestes dias, mas muito, mesmo muito, feliz com quem sou e com o que tenho conquistado. Eu gosto de crescer, faz parte da experiência de viver e tudo o que se relacione com vida eu sou um apaixonado.

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10 thoughts on “Que Mundo é este em que agora vivo?

  1. Ouvi dizer que é a vida…
    Mas, sinceramente: Muito bom!
    Saboreio intensamente qd fazes referência aqueles pensamentos dos momentos de reflexão, e os transcreves para este espaço, sem hesitações, sem papas na língua, sem meias palavras! Mais uma vez, Parabéns!

    • Obrigado, Tiago!

      Não reclamo da vida que tenho, fico é estupefacto com a evolução da minha visão das coisas! É bem verdade quando dizem que crescemos… mas eu gosto, gosto de viver!

      Grande abraço

  2. é com enorme prazer que depois de alguns dias sem visitar este blog vejo estes vários posts!
    posso dizer que gostei de todos! muito teus, muito personificados! mesmo quando falas de 3ºs (se foi pelo meu conselho ou não, não sei, sei que é assim que me interesso a lê-los).
    este específico tinha que comentar por 2 motivos, o 1º, fazendo palavras do tiago minhas, porque “saboreio intensamente qd fazes referência aqueles pensamentos dos momentos de reflexão, e os transcreves para este espaço, sem hesitações, sem papas na língua, sem meias palavras! ” o outro bem…acho que vai ser um comentário grandinho, mas….isso é algo que todos pensámos já mais que uma vez de certeza! principalmente em momentos de maior tensão e de trabalho, é algo que nos faz pensar “porra, dava tudo para voltar a ter 16anos!” mas voltar a ter 16 anos implicaria voltar a batalhar muito para chegarmos exactamente ao ponto onde hoje estamos, teríamos de viver de novo momentos menos fáceis, teríamos que conquistar de novo muita da nossa independência, enfim…muitos contras também! é certo que aos 16 anos não teríamos que trabalhar, não teríamos grandes responsabilidades, teríamos mais tempo para estar com amigos e pessoas que gostamos, teríamos os sonhos no alto sem grande noção da concretização (ou não) deles!… é bom estarmos onde estamos e estarmos satisfeitos com isso! é bom saber que no final do dia de trabalho temos alguém a quem dar um beijo ou abraço, num café ou num encontro mais romântico! esses pequenos momentos fazem com que o dia tenha outro prazer, outro sentido! faz-nos sentir que ser adulto não é assim tão mau! é chato ter que trabalhar?!à dias…mas é bom sentirmo-nos independentes, termos objectivos de vida já mais concretos, darmos valor a momentos que antes achávamos banais..!

    tenho que admitir que a primeira vez que li o post pensei “rapaz, tas muito depressivo hoje!” mas depois de ler os comentários…espera lá…e reli! e ainda bem! é de facto “desanimador” pensar num passado de facilitismo e de bons momentos constantes, e pensarmos no hoje, cheio de trabalho e responsabilidade, mas o que passou é passado, apenas nos podemos recordar dele com saudade e aproveitar o que de bom tivemos para momentos futuros!

    abraço

    • Fico muito contente e de certa forma envaidecido de saber que é assim que te sentes após voltares à leitura do blog!

      Este Post vai ser marcante para mim! Pela primeira vez não consegui expressar exactamente o que sentia. Tu e outra pessoa já usaram as palavras deprimido e revoltado e após uma partilha, por outra pessoa, deste link até já vi referirem preguiça. Não era o que eu pretendia passar!

      Pensando eu que associam o constante questionar aos adjectivos que me expuseram. Tento retratar-me aqui, conforme fiz a quem referiu preguiça. Esse uso exagerado da questão serviu apenas para vincar as diferenças de visão que eu tinha do Mundo. Atestando que é bem verdade que as pessoas crescem, que não mudam os valores mas alteram-se prioridades. Eu sinto-me mais orgulhoso de ser a segunda parte das perguntas que levantei. Sinto-me também orgulhoso de já ter sido a primeira parte das mesmas questões. No fundo quis apenas demonstrar o quanto eu, e nós, evoluímos a nossa visão do Mundo. Talvez tenha vincado demasiado as diferenças e tendo transmitido uma ideia errada do que estava a sentir. Não estou depressivo, nem revoltado, muito menos preguiçoso, talvez um pouco cansado das poucas horas dormidas nestes dias, mas muito, mesmo muito feliz com quem sou e com o que tenho conquistado. Eu gosto de crescer, faz parte da experiência de viver e tudo o que se relacione com vida eu sou um apaixonado.

      Espero ter-me retratado e espero que todos os que de seguida vierem ler o texto que possam dar uma espreitada neste comentário para não interpretarem de forma tão diferente da que eu senti ao escrever.

      Grande abraço e obrigado por proporcionares a hipótese de dar esta explicação!

      • é para ficares, mas não muito que humildade é muito bonito! 😛

        Eu percebi um pouco o que querias dizer a 2ª vez que o li! e por isso disse que ainda bem que o fiz, pois aparentemente parecias revoltado, mas de facto não…a mensagem é até bem clara quando lês com mais atenção e cuidado, “É o mesmo Mundo de sempre, eu é que tinha 16 anos” rematas qualquer dúvida! as coisas mudaram na tua vida, o mundo mudou, tu mudaste, e mudança traz sempre algo positivo! =)

        não tens que agradecer! podes é fazer-me companhia um dia destes num café!

  3. Fiz um “PS” ao artigo para não deixar grandes dúvidas. Essa frase que agora foste buscar é o post, é a resposta à pergunta de título. Tudo o restante é enquadramento.

    Terei todo o gosto, como o post deixa claro, esta semana está um pouco difícil mas logo que possível combinamos.

    Grande abraço

  4. Meus parabens, é de facto um prazer ler o que escreves, acho que transmites na perfeição aquilo que muitos de nós pensam inumeras vezes. É muito bom trabalhar, dá muito prazer fazer aquilo que gostamos, mas não raras vezes paramos para pensar…. como é que o tempo passou tão rápido, como é que a semana voou e se resumiu a isto… Cada vez mais a nossa vida é muito casa trabalho e trabalho casa… É fundamental parar, pensar e esforçar para aproveitar tudo aquilo que dá sentido ao trabalho… VIVER A VIDA!

    Continua a escrever… é mto bom ler-te…

    • Obrigado, Renata! Fico muito agradecido pelas críticas, positivas, que aqui me fizeste. Uma das coisas que mais prazer me tem dado neste blog é o aparecer de comentários, ao longo dos dias, que me demonstra a quantidade de pessoas que lê o que escrevo. É gratificante!

      Quanto ao restante, sem dúvida que sou feliz com o que faço, ambiciono ser ainda mais, mas sou feliz! Tive uma semana que se resumiu ao escritório: de terça a sábado, ao entrar no escritório, ainda era de noite, e ao sair já de noite era. No meio desse cansaço físico vêm pensamentos de saudade de outros tempos, de menores responsabilidades, mas a sensação de trabalho finalizado, concretizado, faz esquecer isso e sentir-nos orgulhosos de quem somos e do que fazemos.

      Prometo, tentar, continuar a escrever!

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